Contatado pela produtora do Jornal da Record, de estalo passei 4 pontos de interesse no largo do Arouche: O Gato que Ri e o La Casserole, restaurantes há 70 anos no local, a sede da Academia Paulista de Letras e o maravilhoso chichá, árvore centenária que é até verbete do wikipedia (aqui). Depois puxei da estante Paulo Cursino (São Paulo de Outrora) e Roberto Pompeu de Toledo (A Capital da Solidão) pra lembrar sobre o marechal Arouche Rendon, maior político paulistano na virada do séc. 18 para o 19, que em sua chácara em que plantava 40 mil pés de chá abriu um clarão para os militares treinarem artilharia, que viria a ser depois o Largo do Arouche e o resto é história. Aí fui pra entrevista no largo mesmo. Cheguei uma hora antes e rodei pelo pedaço. A entrevista começou, gravei meia hora e no programa apareci 10 segundos (coisa de jornalismo diário). No jornal falei espremido entre estatísticas de crimes e cenas de trombadinhas e medo no centro (coisa de Record rsrs). Enfim, veja a matéria aqui, que abriu o jornal. Confesso que voltei pra casa otimista. O Arouche é o extremo do Centro Novo, ainda consegue exalar, pra quem tiver nariz pra buscar, aromas dos "bons tempos": os prédios classudos, as atrações citadas e outras (as floriculturas, os vários brechós com coisinhas muito curiosas - comprei uma caixa da série Ally McBeal por 5 reais! - etc). O que falta lá, como no centro todo? Falta o povo voltar. Os desabrigados e nóias se destacam no vazio. E como o povo vai voltar? Primeiro, tem que passar a pandemia, a economia se recuperar, e os milhares de m2 de escritórios fechados voltarem a ser ocupados. Mas não basta. O povo não vai voltar antes da sociedade civil se unir a empresas e entidades da região, e articularem junto - eu disse juntos - um projeto planejado, realístico, de intervenção no centro, forçando o paquidérmico poder público a se mexer e participar, tornando aos poucos o centro de novo (e velho) convidativo. Tá tudo lá. Acho que dá.
| Morro de amores por esse chichá no largo do Arouche. |






