Não pude falar no
Conpresp hoje. Nos 15 minutos dados para serem divididos entre os inscritos, fui
dando a vez, claro, às mulheres (sempre elas!), não sobrou tempo pra mim. E isso não
foi absolutamente nada. O que eu falaria não resolveria absolutamente nada. Lavaria
a minha alma, muito pouco. Era a fala
menos qualificada. Arrisco dizer, a mais
apaixonada. Porque é disso que se tratou ali: O Conpresp, em seu juridiquês com zero paixão pela cidade, por 5 votos a 3, deu autorização
para a empresa (firma, firmeca) concessionária do parque começar a explorar a
serraria do Ibirapuera. Ou não
autorizou?, fazendo sair sorrindo, cantando vitória, o representante da mesma... Ou não é uma exploração que vai degenerar o
Parque do Ibirapuera? Degenerar???, vão
dizer. Então eu digo: já foi na
Serraria? Já viu o que é aquilo? Sabe a história daquele patrimônio? Sentiu a paz daquele espaço? Já viu o prédio que a tal empresa construiu para a Centauro explorar dentro do parque (e agora está vazio)? Já viu as áreas fechadas para uso exclusivo? Consenso fatual: a serraria é o último refúgio de paz e tranquilidade dentro do hoje acanhado, super-povoado,
super-explorado por merchandising, parque do Ibirapuera. O parque todo é hoje um "sinal-dos-tempos”.
Só a Serraria e o jardim do Burle Marx
em volta não é. Ou não era... Não puder
ler esse texto escrito no calor da esperança, meia hora
antes. Se tiver paciência:
Falo como um cidadão
que freqüenta o parque desde os 9 anos, e depois se tornou um Ibira Boy.
Coube ao Conpresp poder preservar
o último recanto de paz e sossego do Ibirapuera.
Da mesma forma que é
missão da concessionária maximizar suas receitas, é missão do Conpresp
preservar o patrimônio da cidade.
Dito em outras palavras:
a concessionária força os limites para alimentar a sua ganância, enquanto o
Conpresp precisa salvar o Ibirapuera.
A concessionária está
fazendo e acontecendo no parque. Precisa
haver um limite para essa ação privada sobre o espaço público do parque.
O Conpresp vai
estabelecer esse limite hoje? Ou vai ser cúmplice da destruição do parque?
Como em outros grandes
momentos da cidade, o Conpresp tem que mostrar sua grandeza e importância. Ou
se apequenar vergonhosamente.
Sras. conselheiras e
srs. conselheiros, o Conpresp são vocês! Vão inscrever seus nomes do lado da
consciência do dever cumprido, o da preservação da serraria e da sobrevivência
do parque enquanto parque?
Ou vão dormir com os
demônios da consciência – porque tudo terá sido feito conscientemente – vão
dormir ao lado dos demônios da ganância e da destruição?
O resultado respondeu... Louve-se os votos contrários e louve-se a
presença do vereador Eliseu Gabriel. Nenhum
outro dos vereadores "progressistas" compareceu. Não
vou chamá-los de preguiçosos ou vagabundos. Tinham coisa mais
importante pra fazer pela cidade hoje à tarde...
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| A lamentável reunião do Conpresp em 08/06/26 |