Esta é, literalmente,
uma crônica de uma morte anunciada. Com data exata de falecimento. Ou seja,
poderá ser assistida (ouvida) por todos os interessados (macabro?). Não sei bem
antecipar como será. Se será com uma última palavra dita, e então um zumbido de
válvula (transistor? chip?) apagando, e então silêncio. Só sei que a vida vai
seguir (sempre segue), já sem ela: Foi decidido que a operação de
radiodifusão da Eldorado será encerrada no dia 15 de Maio, disse o
pronunciamento oficial. É. Foi de surpresa. Seria menos surpreendente se, em
vez de anunciar a extinção da “rádio dos melhores ouvintes” (obrigado, obrigado),
o grupo Estado (dono da rádio) anunciasse o fim da edição impressa de O Estado
de S. Paulo, o jornal mesmo. Me diz, há quanto tempo você não segura (jovem, já
segurou? É gostoso) um jornal? O jornal
tem 151 anos. A rádio, 68
(capricornianos). Deveria morrer primeiro o impresso, muito mais velho? Seria
lógico, papel não é nada tecnológico. Já uma rádio, tem um pezinho mais firme na
tecnologia... Mas foi primeiro. E deixou órfãos. O Face (não tenho Insta)
mostra isso: muita gente chorosa. Comecei a crônica no dia em que liguei a
Eldorado no carro (deixa eu ver ela...) e tocava Hello, Goodbye, dos Beatles (aqui, e de onde saíram aquelas
delicinhas do final?!) Aumentei o som total. Fala sério! Por que eu tinha
abandonado uma rádio que toca Beatles? Porque essa é a verdade verdadeira: eu
não escutava mais a Eldorado. Colocava na CBN pra ouvir o bom (mas cansado)
Milton Jung, ou (absurdo!) colocava na Bandeirantes e ouvia a xaropeira reacionária
do Claudio Humberto, ficava irritado e (jurando não voltar) mudava pra Cultura,
que nem sempre acerta meu gosto de clássico... Aí tentava a Alpha ou a Antena 1
(às vezes acertam), e só lá no fim, na 6ª opção do dial pré-selecionado, a Eldorado... É que a Eldorado também não era mais a mesma “daqueles
tempos” (décadas), com seus programas incríveis... Vou citar o mais ouvido, o São Paulo de Todos os Tempos. Olha eu aí
(é a 2ª foto minha em 940 postagens, perdoem), no estúdio da Eldorado, pra um
programa sobre o Tremembé. Foi em 1998. 28 anos... Ao meu lado veteranos queridos do bairro, e o
Geraldo Nunes, âncora e produtor do SPTT por tantos anos. A rádio era outra. O
mundo era outro (sério!). Hoje nada mais é formatado pra me agradar. Hoje tem
que agradar outras gerações, e tudo bem!
Só que talvez nem a essas agradasse, ou não estaria fechando... Teve manifestação na Paulista (aqui). E aí? Vão
reverter? A real: o que não está no celular (“o mal do século
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| Mauro Victor, Geraldo Nunes, Britto e João Franco, no estúdio da Eldorado (1998) |



















