terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

LANCES URBANOS (106)

Voltando da Vovó Lourdes semana passada, dei com uma cena tocante. Um grupo de pessoas (umas 50) já tinha feito a curva e caminhava acelerado em direção ao viaduto Cap. Pacheco e Chaves. Mas o que é isso? Vovó Lourdes é a casa de repouso onde está meu pai há 3 anos. As pessoas, trabalhadoras por certo (eram 16h de um dia útil). O viaduto... embaixo dele fica a estação Ipiranga da Linha 10 da CPTM. Péra aí! Em vez de subir a querida rua dos Patriotas (onde vi pela última vez vovó Donália, entrando na Kombi que a levou embora, eu tinha 7 anos), em vez disso, virei à direita na rua do Manifesto, já sabendo que veria a centenária (e linda) fábrica Linhas Correntes e...  bingo! Vinha de lá a pequena multidão (de mulheres), nem de perto (ou de longe) comparável com 1970, quando vovó morava ali, e onde eu passava dias correndo (correr nas calçadas, isso era vida!) com a turminha, alguma vez talvez passando por nós não 50, mas centenas de trabalhadores saindo da fábrica, macacões sujos, encardidos de graxa (na fábrica de linhas?), imagino... É, chão de fábrica era assim... Em 1988, por seis meses fui trainee na Volkswagen (Autolatina, lembra?), ABC. Desembarcava às 8h no pátio de São Bernardo (pegava o fretado 6h40 no Brooklin), e saía (orgulhoso) com a massa humana às 17h, nas barracas tomava um “dedinho” de cana, embarcava no fretado de volta, saltava na Vila Mariana, outro ônibus pra PUC, chegava em casa meia-noite (até os 45 a gente encara todas!). 38 anos depois, me pergunto: as trabalhadoras do Ipiranga são metalúrgicas (e amam uma cachacinha?), ou são fiandeiras (e correm pra casa ou pra escola)? É, lances urbanos... Momentos antes, voltando do Alto da Mooca (fui levar remédios) pelos fundões do Clube Juventus (fui sócio), distraí numa curva e caí, literalmente, num parque em obras.  Péra aí! Parei o carro duas vezes pra clicar (pena, nublado) o parque quase pronto, enorme... Acho que entendi: o quarteirão gigante (o que era ali?) vai virar metade prédios (haja prédios!), metade parque. Menos mal... Calculei no maps uns 80 mil m2 (!). “Parque Verde da Mooca Vereador José Índio” (quem??), anuncia a portaria da rua Dianópolis. Virá gente de longe aos Domingos no Parque (a música mais linda, muitos concordam), de ônibus? Já os moradores dos prédios, irão ao parque, de carro? Você irá um dia? Ou vai ficar às moscas o parcão (quanto concreto!), naquela várzea distante que já é quase Vila Prudente? Não sei. Saberei. Seu Edion, 93, vai longe. Vó Donália, 70 (voltou pra Itabuna pra morrer), é que se foi cedo...

Parcão no Alto da Mooca quase pronto.  Vai encarar um dia?


Nenhum comentário:

Postar um comentário