Voltando
da Vovó Lourdes semana passada, dei com uma cena tocante. Um grupo de pessoas
(umas 50) já tinha feito a curva e caminhava acelerado em direção ao viaduto Cap.
Pacheco e Chaves. Mas o que é isso? Vovó Lourdes é a casa de repouso onde meu pai está há 3 anos. As pessoas, trabalhadoras por certo (eram 16h de um dia
útil). O viaduto... embaixo dele fica a estação Ipiranga da Linha 10 da CPTM. Péra aí! Em vez de subir a querida rua dos Patriotas (onde vi pela última vez minha avó Donália, entrando na Kombi e partindo, eu tinha 7 anos), em
vez disso, virei à direita na rua do Manifesto, já sabendo que veria a centenária
(e linda) fábrica das Linhas Correntes e... bingo! Vinha de lá a pequena multidão (de
mulheres), nem de perto (ou de longe) comparável com 1970, quando vovó morava
ali, e onde eu passava dias correndo (correr nas calçadas, isso era vida!) com
a turminha, talvez passando por nós não 50, mas centenas de
trabalhadores saindo da fábrica, macacões sujos, encardidos de graxa (na
fábrica de linhas?), imagino... É, chão de fábrica era assim... Em 1988, por
seis meses fui trainee na Volkswagen (Autolatina, lembra?), ABC. Desembarcava
às 8h no pátio de São Bernardo (pegava o fretado 6h40 no Brooklin), e saía (orgulhoso)
com a massa humana às 17h, nas barracas tomava um “dedinho” de cana, fretado de volta, saltava na Vila Mariana, outro ônibus pra PUC, chegava em casa meia-noite (até os
![]() |
| Parcão no Alto da Mooca quase pronto. Vai encarar um dia? |

Não sei se houve políticas públicas para reviver os espaços públicos das praças da cidade. A violência e a insegurança levam as pessoas aos templos de consumo dos Shoppings. Presenciei em Curitiba que a população encampa os muitos parques de lá como parte do cotidiano.Que a desaceleração da vida ganhe impulso e revitalize os espaços públicos
ResponderExcluirNão sei primo... Estão discutindo nesses dias de instalar "pólos gastronômicos" em vários parques municipais aqui... Isso é revitalizar? Tenho dúvidas. Abraços aí em JF!
ExcluirNuma tacada só vc traz memórias que acendem na gente uma nostalgia, a lindeza de estar pleno, criança, correndo nas calçadas, o inescrutável do correr da vida, sua avó, Itabuna, seu pai, o chão de fábrica e tudo que se transforma, só faltaram os versos do Chico: roda mundo, roda-gigante, rodamoinho, roda pião, o tempo rodou num instante...
ResponderExcluir"Numa tacada" foi boa! Mas é esse espírito mesmo, condensar impressões e sentimentos em 2500 toques... Eu coloquei Domingo no Parque, você colocou Roda Viva... Dois clássicos totais da MPB... Obrigado pela avaliação tão especial Rosalia!
ExcluirPrimo admiro muito seu amor por São Paulo e pelas histórias dessa cidade. Sempre fidedigno a todos os detalhes. É bom saber notícias de tio Edion, 93 anos, que maravilha. E lembro bem da nossa avó Donalia e do dia de seu falecimento ficou marcado pra mim, acho que pelo fato de ainda ser criança e nunca ter passado por isso antes, lembro, principalmente, da tristeza de meu pai.
ResponderExcluirConvivemos pouco com nossa avó, ne prima? Você até menos, porque ela acabou vindo pra São Paulo acompanhar os filhos que migraram pra cá, deixando metade da prole aí em Itabuna. Quando voltou, já estava doentinha... Beijos em todos aí Ione!
ExcluirVai ter pista de skate nesse parcão? rsrs
ResponderExcluirNão deu pra perceber, mas espaço tem de sobra! rsrs. Abração manu!
ExcluirAmei!👏👏👏❤️🫶
ResponderExcluirAmaria saber quem é rsrs. Obrigado mesmo assim.
ExcluirMuito bom texto!
ResponderExcluirVoltei também no tempo!
Minha avó Dna Maria também trabalhou nas linhas correntes! Parabéns Francisco!
Obrigado querido anônimo. Ou será anônima? rsrs Abração!
ExcluirEsse parque será que irá frequentar a juventude? Povim só quer saber de celular hj né? Imagino um parque desse novinho na década de 90... ia lotar com certeza, dar emprego pra pipoqueiro, concentrar pessoas e memórias
ResponderExcluirOi Ale! É uma boa pergunta. Acho que vou conseguir responder em futuro breve, com a inauguração do parque. É meu caminho voltando da Vovó Lourdes. Oa tempos mudam, mas parques são sempre bem-vindo. Abração aí em Brasília!
ExcluirChega de prédios!!!! São Paulo não aguenta mais...
ResponderExcluirConcordo 100%! São Paulo está profundamente adoentada, há muito tempo tinha que ter parado... Valeu Sérgio!
ExcluirQue texto lindo... que boas lembranças... faz bem à alma... como dizem... recordar é viver...
ResponderExcluirAh, se não fossem as boas lembranças, as recordações gostosas de ter, como enfrentaríamos aqueles momentos de insônia? Obrigado Áurea!!
ExcluirMeu caro Eduardo. Coisa de duas décadas atrás obtive um levantamento que havia uma quantidade enorme de praças e parques abandonados pela cidade, especialmente na zona leste. As pessoas pedem e depois não usam e os equipamentos públicos acabam se deteriorando. Quando da discussão para a implantação do Parque Augusta tive a mesma preocupação, mas por lá deu certo, o local continua sendo - e bem - frequentado. Com relação ao novo parque que receberá o nome do falecido vereador José Índio do Nascimento, minha expectativa é que será muito útil à população que reside nos prédios circunvizinhos. Os parques devem existir próximos de onde residem as pessoas para que todos possam fazer uso deles. Em lugares onde há muito comércio, ou escritórios, parques e praças acabam esquecidos. Acho que na Mooca, vai dar certo. Mas meu recado é o seguinte. Não adianta apenas pedir parques, é preciso frequentá-los também.
ResponderExcluirSim, também acho que pode dar certo. Já tem muitos prédios em volta, e outros serão construídos ainda mais perto. Se "fechar" um conselho gestor do parque com moradores desses prédios, a chance de ter uma boa conservação será maior. A acompanhar. Valeu Geraldo!
ExcluirCompareci à inauguração do Parque do Trote na Vila Guilherme, décadas atrás e achei a arrumação que fizeram lindíssima. O parque agora está abandonado, não pela falta de frequentadores, mas pelo descaso da subprefeitura de Vila Maria.
Excluirhttps://globoplay.globo.com/v/5602994/?s=0s
ResponderExcluirDescreve muito bem o tempo que se passou
ResponderExcluirMeio que aquele tempo em que os trabalhadores se uniam em sindicatos realmente representativos... Parece que foi há séculos ne? rsrs. Obrigado Laura!
ExcluirOutros tempos... Parece uma eternidade. Ótimo texto! Mas a destruição continua...
ResponderExcluirVocê é que da área do urbanismo, sabe bem a falta que faz um planejamento digno... Não temos, então sim, a destruição continua. Obrigado Luiz!
ExcluirValeu pelo texto, Britto! Essas pequenas cenas urbanas são sempre muito intrigantes. Quando alguém faz referência a elas, sempre penso no João Antonio. Abraços e boa semana!
ResponderExcluirPuxa, quem dera eu inscrevesse meu nome na história literária paulistana como João Antônio... Obrigado Felipe!!
ExcluirUma linha, um fio. Não lembrava o nome do Delmiro Gouveia, que foi um dos lugares onde você me levou, o lugar do empresário brasileiro que enfrentou as linhas corrente. O Ipiranga com suas ruas retilíneas, boas de passear. A cidade que vai sendo comida pelos maus empresários.muitas memórias
ResponderExcluirOlha só que coisa interessante descobrir a ligação (trágica) entre Delmiro Gouveia e as Linhas Correntes, nas Alagoas! O mundo concorrencial é mesmo canino (de dente canino) ne prezado anônimo? (Ou será anônima? rsrs) Obrigado!!
ExcluirConheço SP só de visita, então não tenho essa vivência dos lugares citados! Mas vc com sua narrativa fluente e inteligente nos leva a um dejavu mesmo sem ter vivenciado o que foi contado! Amei o seu texto! como sempre envolvente ! ♥️
ResponderExcluiro comentário é da sua amiga carioca! 🥰
ResponderExcluirAh, então já sei quem é! Tamos juntos contra a barbárie! rsrs. Bjs aí na cidade sempre maravilhosa!
Excluir