Cocriar. Amei esse verbo quando ouvi outro dia. Se tem hífen ou não, não sei, mas juntinho assim, cocriar, parece fidedigno. Mais que criar, criar em conjunto, soluções. Em ano eleitoral, criar, coletivamente, condições para o país desencalacrar. Tá encalacrado em alto nível, observou Marco Aurélio Nogueira, sociólogo que admiro. Isso não seria nada, se a chance do país estrebuchar não fosse real, o país afundar mesmo (no esgoto). Janeiro findou e no horizonte assomou um ponto de nuvem bem plúmbeo. Vem Carnaval, vem Copa (gosto), distrações mil, e temo que essa nuvem cresça e se transforme no que já é, ao longe já é, toda uma ruindade e malignidade, e será um furação disso (e mais!) se chegar. Vou dizer, é de tirar o sono! Dormindo (ou não), eis que chega o café-da-manhã (hífen?), e com ele o Estadão, que assino há mais de 40 anos. Quando os jornais eram (ainda são vá) a fonte mais prestigiosa de informação, teve a fase de ler a Folha também, aos Domingos. Somados os dois calhamaços, eram umas trezentas páginas de jornal, as mãos encardiam ao fim da maratona... Mas a moda não durou, batia um cansaço pela overdose de notícias (repetidas). Nem lembrava mais disso, só que, só que, a gentileza de um vizinho (estudante) no prédio está me permitindo agora ler não um, mas três (!) jornais, não apenas no fim de semana, mas todos os dias! Por ora me divirto com a “novidade”. Quanto vai durar, não sei. Tem que ter um método pra fazer isso... Aquilo do Filtrismo, lembra? (aqui). Nos dois veículos que chegam (no dia seguinte), dou uma escaneada rápida nas manchetes, leio as crônicas de Ruy Castro, Mirian Goldenberb e Antônio Prata, pinço matérias interessantes pra ler depois. O rigor diário deixo mesmo pro Estadão, onde estão os cronistas preferidos, o querido mestre Q., os quadrinhos muito melhores que os da Folha (mas a Folha tem charges, tremenda mancada o Estadão não ter charges...). Tudo isso pra dizer que estou usando os três veículos como tábuas de salvação, espremendo as páginas em busca não de sangue (NP, lembra?), mas na esperança de encontrar aquele cocriar (impossível?) de um caminho pra escapar da desgraça, porque Janeiro se foi, Maio é lindo (não acha?), Julho não diz nada... E aí? Te prepara macacada, Outubro é que serão elas.
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| As manchetes criativas nos jornais de 03/02/26... |

"Pior que não ler jornal, é ler um só", costumava dizer Salomão Ésper, mestre de todos os jornalistas que já atuaram ou ainda atuam no rádio. Como o nosso estimado Eduardo Britto está lendo não apenas um, mas três jornais, só posso dizer que ele está no caminho certo e que a informação trazida pela mídia profissional continua sendo a mais correta, porque tem nome, endereço e qualquer informação incorreta ou não apurada como se deveria, é passível de punição e pode ser contestada na justiça por quem se sentir ofendido. Algo que não ocorre quando a notícia falsa é lançada nas redes sociais por pessoas com interesses escusos que ninguém sabe onde mora e nunca foi vista pessoalmente. Infelizmente há os que cocriam para o bem e os que cocriam para o mal.
ResponderExcluirPutz! É mesmo! Cocriar é tão bonito que a gente pensa que é só pro bem, mas tem razão, tem muita gente que cocria... para o mal! Adoram ser perversos... Que triste ne Geraldo? Valeu!
ExcluirPelas capas dos três jornais, o Fachim é o cara do dia… rs
ResponderExcluirO mesmo assunto e a mesma palavra começando as manchetes nos três maiores jornais de São Paulo... Estranho ne? rsrs Valeu Manu!
ExcluirÉ de impressionar ser leitor de 3 jornais impressos! Muito embora a Grande Imprensa seja um monobloco opinativo. Comecei lendo o Jornal do Brasil que minha mãe assinava até a sua falência e acabou virando um pequeno folhetim, mas esperava ansioso pelas edições dominicais com o.Caderno de Cultura. Assinei depois a revista Ciência Hoje e tenho a coleção desde o seu primeiro número até ela se tornar digital. Parei com as assinaturas agora. Parece a informação hoje nos afoga sempre que ligamos o celular
ResponderExcluirNão sou, estou leitor de 3 jornais rsrs. Farei como a tia Ivone, vou com jornal impresso enquanto ele for rodado. Será que dura mais cinco anos? Mistério. Abração em JF primo!
ExcluirQue vizinho generoso! Proporcionar esse reforço com mais dois belos impressos além do seu preferido é realmente uma dádiva. Atualmente meu amigo Mario Hesketh compartilha comigo as versões em PDF destes e outros jornais e revistas, mas tenho muita saudade de folhear os impressos.
ResponderExcluirUma dádiva mesmo, vamos nos divertindo aqui. Até ri com um quadrinho da Folha outro dia rsrs. Adoro quadrinhos. Colecionei os do Hagar no passado. Hoje recorto os quadrinhos mais legais do Frank and Ernest. O Recruta Zero também é muito bom. Vamos de impresso enquanto durem! rsrs. Abração em você aí em Floripa, Gyrons!
ExcluirMeu pai assinou o Estadão por muitos anos. Adorava ler, principalmente as colunas do saudoso Daniel Piza. Depois de alguns dias, usava o papel para forrar a gaiola dos passarinhos de estimação (pequenos rituais, pequenos prazeres). Hoje leio notícias na Internet (com filhos pequenos e a demanda do trabalho, muitas vezes falta tempo e espaço), mas tenho saudades de um jornal impresso!
ResponderExcluirSim, saboroso que é, jornal impresso pede um tempo livre mínimo, se não é frustrante. Ah, você falou do Daniel Piza... comprei outro dia Ninguém Morre Sozinho, da viúva Renata Piza, relatando como ficou a vida sem ele, que se foi com apenas 41 anos... Era um jovem intelectual muito produtivo. Obrigado e abração Felipe!
ExcluirO país está no fundo do poço...perdi a esperança de ver melhorar...depois de décadas esperando por isso...não leio mais jornal...mas, assisto aos telejornais e tb acho que vou desistir...só notícias ruins...que acabam te deixando pra baixo...não preciso mais votar...sempre os mesmos...só falcatruas...
ResponderExcluirOi Áurea! Sim, tá encalacrado... Mas mantenho a esperança de que uma hora, de forma misteriosa, a coisa engrena e começa a virar, pelo menos um pouco rsrs. Obrigado!!
ExcluirSerá que precisaremos chegar ao final da espiral, atravessarmos o buraco negro que nos atrai e retém, pra descobrir do outro lado o que é cocriar? Se é que após atravessarmos o buraco negro não nos imantamos a ele, deixando de existir como indivíduos críticos, pensantes, cocriadores... O bocal está em outubro, mas o caminho é feito todo dia... será que da pra sair da espiral?
ResponderExcluirEntão vamos passo a passo até Outubro, que está logo ali, quando todas as nossas dúvidas, concretas ou abstratas, serão dirimidas... para novos passos. Super obrigado Rosalia!
ExcluirQue inveja poder ler tanto jornal, Fran! Aproveita! 😊
ResponderExcluirBom, pra ler tanto jornal, só estando meio aposentado, como eu. Quando isso acontecer pra você, os jornais impressos estarão extintos há muito rsrs. Valeu Brunão!
ExcluirLembrei da muúsica:
ResponderExcluirOutubro (part. Esperanza Spalding)
Milton Nascimento
Tanta gente no meu rumo
Mas eu sempre vou só
Nessa terra, desse jeito
Já não sei viver
Deixo tudo, deixo nada
Só do tempo
Eu não posso me livrar
E ele corre para ter meu dia de morrer
Mas se eu tiro do lamento um novo canto
Outra vida vai nascer
Vou achar um novo amor
Vou morrer só quando for
A jogar o meu braço no mundo
Fazer meu outubro de homem
Matar com amor essa dor
Vou fazer desse chão, minha vida
Meu peito é que era deserto
O mundo já era assim
Tanta gente no meu rumo
Já não sei viver só
Foi um dia, e é sem jeito
Que eu vou contar
Certa moça me falando alegria
De repente, ressurgiu
Minha história está contada
Vou me despedir
Minha história está contada
Vou me despedir.
Renovação e esperança em "Outubro" de Milton Nascimento
A música "Outubro", de Milton Nascimento, aborda a solidão e a passagem do tempo, mas vai além do lamento ao propor renovação e recomeço. O verso “Tanta gente no meu rumo / Mas eu sempre vou só” expressa o sentimento de isolamento mesmo cercado por outras pessoas. Já “Só do tempo eu não posso me livrar / E ele corre para ter meu dia de morrer” destaca a inevitabilidade do tempo e da finitude, temas frequentes nas parcerias de Milton Nascimento e Fernando Brant.
Apesar do tom melancólico, a canção aponta para a possibilidade de transformação. O trecho “Mas se eu tiro do lamento um novo canto / Outra vida vai nascer” mostra que é possível criar algo novo a partir da dor, seja um novo amor, propósito ou fase da vida. O título "Outubro" funciona como metáfora para um período de transição, marcando o fim de um ciclo e a preparação para o novo. A versão com Esperanza Spalding, que traz elementos do jazz contemporâneo, reforça essa ideia de renovação e diálogo entre diferentes culturas e gerações. O verso “Fazer meu outubro de homem / Matar com amor essa dor” resume o desejo de transformar a dor em crescimento, tornando momentos difíceis em oportunidades para novas experiências e afetos.