quinta-feira, 28 de maio de 2026

A COPA OCUPA... (1)

Quando digo que ser fanático por futebol depois dos 40 é papelão, é o seguinte: quem é fanático, o é desde criancinha. Não se adquire essa condição depois. É meio genético.  Mas acho que é mais do ambiente mesmo. Genética por genética, eu torceria roupa, e não pelo Timão, que me veio por dois tios não consangüíneos. E você? Torce ou distorce? Torcedor desde a meninice, quando chega aos 40 já viu pelo menos 30 anos de futebol e, convenhamos, já viu tudo, porque não foge de 22 homens (ou mulheres) de calção e chuteira correndo atrás da “gorduchinha” (Osmar Santos), já passou por grandes vitórias e amargas derrotas, golaços inesquecíveis e pisadas na bola antológicas, o couro tá curtido, sabe que hoje é (muuuito) mais comércio do que esporte... vai ser fanático por que?  Mas agora é Copa, e a Copa ocupa...  Então vamos à Copa MEXEU_ACAN 2026. Sacou o acrônimo?  Falam que a Copa é nos EUA, mas a partida inaugural será no México (dia 11), no mítico Azteca, o estádio mais importante do mundo (pra mim), lá conhecido como estádio Banorte (como aqui conhecemos por marca de chocolate, de laboratório farmacêutico e de banco digital). Um colosso, mais de 90 mil lugares, lá o Brasil foi Tri em 70...  É, se é elegante começar no México, então a final deveria ser no Canadá ne? Só que não...  Que deselegância. A cara dos EUA hoje.  Na primeira fase o Brasil joga em Nova Jersey (dia 13), Filadélfia (19) e Miami (24). As favoritas França e Espanha não sei onde jogam, já o Irã joga em Los Angeles e Seattle... Péra! Fala sério! O que o Irã irá fazer lá é um verdadeiro tapa na cara da humanidade.  É guerra ou não é?  Estão morrendo na antiga Pérsia ou não estão? Irá o Irã jogar bola na casa de quem lhes joga bombas?  Se eu não ficasse boboca (mais que o normal) em época de Copa, encerrava por aqui.  Mas a Copa ocupa... Ok, pelo menos são países de verdade, com cidades de verdade, e não o lixo do Catar 2022 (aqui):  metade de Sergipe com 8 estádios (ostentação!) e denúncias de trabalho escravo...  Ok, ok, teve a melhor final ever (que vi), Argentina x França, Messi x MBappé... e o Brasil querendo ir de Neymar... A decadência é non-stop por aqui...  E você?  Vai assistir a MEXEU_ACAN 2026? Então veste a azulzinha (a canarinho foi sequestrada e está sendo torturada!), que canal não vai faltar.

Pelé tri em 1970, no mítico estádio Azteca, onde começa a copa 2026. 
foto: AP/ ge,globo.com


quinta-feira, 21 de maio de 2026

E AÍ? (14)

Essa foto atropelou os temas previstos, livros (sempre) e Copa. Foi capa do Estadão e me impactou no primeiro instante. Um tremido interno no café da manhã sabe? Primeiro pensar: onde está a avó dessa criança? Pensei em avó e não avô porque as mulheres estão mandando no pequeno mundo que nos cerca. Quando mandarem no grande mundo, as coisas se acertam nesse planeta descarrilhado. O pai ao lado (ou onde?), feliz, complacente... Mas o que dizem o ECA Digital e o oftalmologista? É responsável isso? E cadê a avó pra dizer: mais tela menina? O que tá vendo nesses óculos? E pensaria em pornografia (se fosse o avô), ou pensaria em nada a avó (ou vice-versa), só aflita. É que as coisas têm que ser (sempre digo) filtradas, o que às vezes quer dizer dosadas. O moleque, ops, a menina já passa o dia rolando telas...  e com esse óculos vai rolar o que?  Nem vai rolar mais? Essa geringonça vai passar o que quiser, quando quiser?  Como funciona essa desgraça? E aí? Muitas perguntas... Aguardemos dia 25, quando sai a Magnifica humanitas, encíclica do papa Leão XIV, o Robert, sobre a IA, ou IB, Inteligência Burra (Antônio Prata). Precisa. Deve ser bom de ler. Praticar é outra história... trair e rolar, é só começar... “A verdade do homem, para a qual devemos orientar toda inovação tecnológica...” É da verdade que precisamos, e ela existe. 

Capa do Estadão de 18/05 (foto: Felipe Iruatã)

 

terça-feira, 12 de maio de 2026

LENDO.ORG (79)

Não vote – se me permite o pitaco, não vote em candidato que você desconfie que jamais pronunciará essas três palavras durante os quatro anos de mandato: sustentabilidade, reciclagem e livro.  Tem dois que com certeza não conseguirão expressá-las, nem com orientação de marqueteiros, nem amarrados. A boca não consegue, porque o cérebro nunca pensou nelas, é meio tipo falar palavras em javanês. Um deles é mineiro. O outro... precisa de dica? Eu ia dizer também “aquecimento global”, mas aí é mais que palavra, é conceito, sujeito a polêmica e não estou aqui pra isso. Estou pra certezas e convicções. Mudemos de assunto. Vamos falar de ... livro? Claro!  Há convicção maior do que livro?  Estou no meu 15º no ano. E você?  Desses, 8 de ficção. Romance é carro-chefe, é abre-alas, tem sempre um aberto, não passa dia sem ter um romance em vista, apesar de passar às vezes vários dias sem abri-lo. Entendeu? É o corre-corre, as lides do dia-a-dia...  Ainda mais quando é um Sátántangó! Aí passei dias sem abrir mesmo, sabendo da missão, mas quase evitando...  É, tem romance que é assim. Lembra que falei d´O Idiota, do Dosto, que me ocupou quatro meses no ano passado? Perto daquele, o russo é prazer de doce de Laura!  Foi sofrido acabar o Sátántangó.  Depois discuti com o Alexandre, ele viu (leu) muito mais virtudes do que eu...  Claro que o húngaro é escritor sério (e corajoso, ok Alê), que o cara domina a narrativa, que é cerebral (e seco e sombrio e...).  Tá, László Krasznahorkai (olha o nome!) é o atual Nobel de Literatura.  Vamos respeitar e considerar...  Mas só não desisti porque eram só 230 páginas.  Quando terminei (torto) precisava de consolo, de carinho de leitura leve, então corri pro volume da TAG do mês (que a Adri assina), Mulheres-Leão de Teerã.  Esperta a TAG, colocou um tema super atual, mulheres no Irã. Como estão mulheres e homens em Teerã hoje?  Já pensou bombas caindo aqui na Casa Verde, em Pinheiros, no Sacomã?  Estranho pensar...  Os livros desse clube não complicam, são leiturinhas amenas, que fluem, eu precisava disso...  e encontrei!  Com uma linguagem zero-desafiadora, simples mesmo, Marjan Kamali está me prendendo no Irã dos anos 70, com o Xá despótico impondo o padrão (consumista e excludente) americano, a sociedade desandando, revoltas, prisões, torturas...  Me pareceu assustadoramente atual...   E assim foi que ontem à noite li umas 70 páginas, até me doerem os olhos, como dizia Pessoa (Caeiro).  De vez em quando é bom romance pra terminar em três dias, não três meses... Depois de um Nobel e um TAG, polarização de estilo, vou querer um Hesse (Nobel também, verdade), pra calibrar tudo em alto nível... E você? Tá lendo? Tá curtindo esse Maio lindo?  A feira da UNESP (livros a 50%!) até o dia 17, agora (mudou) no Memorial da América Latina. E dia 30 começa a linda feira da 451, na praça Charles Miller.  Maio e livros... Chorei!

Os romances da vez. Da Hungria para o Irã. E você?


segunda-feira, 4 de maio de 2026

E AÍ? (13)

Esta é, literalmente, uma crônica de uma morte anunciada. Com data exata de falecimento. Ou seja, poderá ser assistida (ouvida) por todos os interessados (macabro?). Não sei bem antecipar como será. Se será com uma última palavra dita, e então um zumbido de válvula (transistor? chip?) apagando, e então silêncio. Só sei que a vida vai seguir (sempre segue), já sem ela: Foi decidido que a operação de radiodifusão da Eldorado será encerrada no dia 15 de Maio, disse o pronunciamento oficial. É. Foi de surpresa. Seria menos surpreendente se, em vez de anunciar a extinção da “rádio dos melhores ouvintes” (obrigado, obrigado), o grupo Estado (dono da rádio) anunciasse o fim da edição impressa de O Estado de S. Paulo, o jornal mesmo. Me diz, há quanto tempo você não segura (jovem, já segurou? É gostoso) um jornal?  O jornal tem 151 anos.  A rádio, 68 (capricornianos). Deveria morrer primeiro o impresso, muito mais velho? Seria lógico, papel não é nada tecnológico. Já uma rádio, tem um pezinho mais firme na tecnologia...  Mas foi primeiro.  E deixou órfãos. O Face (não tenho Insta) mostra isso: muita gente chorosa. Comecei a crônica no dia em que liguei a Eldorado no carro (deixa eu ver ela...) e tocava Hello, Goodbye, dos Beatles (aqui, e de onde saíram aquelas delicinhas do final?!) Aumentei o som total. Fala sério! Por que eu tinha abandonado uma rádio que toca Beatles? Porque essa é a verdade verdadeira: eu não escutava mais a Eldorado. Colocava na CBN pra ouvir o bom (mas cansado) Milton Jung, ou (absurdo!) colocava na Bandeirantes e ouvia a xaropeira reacionária do Claudio Humberto, ficava irritado e (jurando não voltar) mudava pra Cultura, que nem sempre acerta meu gosto de clássico... Aí tentava a Alpha ou a Antena 1 (às vezes acertam), e só lá no fim, na 6ª opção do dial pré-selecionado, a Eldorado...   É que a Eldorado também não era mais a mesma “daqueles tempos” (décadas), com seus programas incríveis...  Vou citar o mais ouvido, o São Paulo de Todos os Tempos. Olha eu aí (é a 2ª foto minha em 940 postagens, perdoem), no estúdio da Eldorado, pra um programa sobre o Tremembé. Foi em 1998. 28 anos...  Ao meu lado veteranos queridos do bairro, e o Geraldo Nunes, âncora e produtor do SPTT por tantos anos. A rádio era outra. O mundo era outro (sério!). Hoje nada mais é formatado pra me agradar. Hoje tem que agradar outras gerações, e tudo bem!  Só que talvez nem a essas agradasse, ou não estaria fechando...  Teve manifestação na Paulista (aqui). E aí? Vão reverter? A real: o que não está no celular (“o mal do século 21”, Karnal), nas telas, não agrada, talvez nem exista... Mas dinossauros existem (resistem).  Hello, goodbye...

Mauro Victor, Geraldo Nunes, Britto e João Franco, no estúdio da Eldorado (1998)