segunda-feira, 4 de maio de 2026

E AÍ? (13)

Esta é, literalmente, uma crônica de uma morte anunciada. Com data exata de falecimento. Ou seja, poderá ser assistida (ouvida) por todos os interessados (macabro?). Não sei bem antecipar como será. Se será com uma última palavra dita, e então um zumbido de válvula (transistor? chip?) apagando, e então silêncio. Só sei que a vida vai seguir (sempre segue), já sem ela: Foi decidido que a operação de radiodifusão da Eldorado será encerrada no dia 15 de Maio, disse o pronunciamento oficial. É. Foi de surpresa. Seria menos surpreendente se, em vez de anunciar a extinção da “rádio dos melhores ouvintes” (obrigado, obrigado), o grupo Estado (dono da rádio) anunciasse o fim da edição impressa de O Estado de S. Paulo, o jornal mesmo. Me diz, há quanto tempo você não segura (jovem, já segurou? É gostoso) um jornal?  O jornal tem 151 anos.  A rádio, 68 (capricornianos). Deveria morrer primeiro o impresso, muito mais velho? Seria lógico, papel não é nada tecnológico. Já uma rádio, tem um pezinho mais firme na tecnologia...  Mas foi primeiro.  E deixou órfãos. O Face (não tenho Insta) mostra isso: muita gente chorosa. Comecei a crônica no dia em que liguei a Eldorado no carro (deixa eu ver ela...) e tocava Hello, Goodbye, dos Beatles (aqui, e de onde saíram aquelas delicinhas do final?!) Aumentei o som total. Fala sério! Por que eu tinha abandonado uma rádio que toca Beatles? Porque essa é a verdade verdadeira: eu não escutava mais a Eldorado. Colocava na CBN pra ouvir o bom (mas cansado) Milton Jung, ou (absurdo!) colocava na Bandeirantes e ouvia a xaropeira reacionária do Claudio Humberto, ficava irritado e (jurando não voltar) mudava pra Cultura, que nem sempre acerta meu gosto de clássico... Aí tentava a Alpha ou a Antena 1 (às vezes acertam), e só lá no fim, na 6ª opção do dial pré-selecionado, a Eldorado...   É que a Eldorado também não era mais a mesma “daqueles tempos” (décadas), com seus programas incríveis...  Vou citar o mais ouvido, o São Paulo de Todos os Tempos. Olha eu aí (é a 2ª foto minha em 940 postagens, perdoem), no estúdio da Eldorado, pra um programa sobre o Tremembé. Foi em 1998. 28 anos...  Ao meu lado veteranos queridos do bairro, e o Geraldo Nunes, âncora e produtor do SPTT por tantos anos. A rádio era outra. O mundo era outro (sério!). Hoje nada mais é formatado pra me agradar. Hoje tem que agradar outras gerações, e tudo bem!  Só que talvez nem a essas agradasse, ou não estaria fechando...  Teve manifestação na Paulista (aqui). E aí? Vão reverter? A real: o que não está no celular (“o mal do século 21”, Karnal), nas telas, não agrada, talvez nem exista... Mas dinossauros existem (resistem).  Hello, goodbye...

No estúdio da Eldorado, ainda na rua Pires da Mota. 1998.