Tem contas que não fecham. Gastei R$ 6 mil em livros em 2021, e li apenas 22 títulos. Resumindo: tive tempo pra comprar, mas não pra ler, livros. Não há de ser nada, 2022 promete mais tempo para esse que é um dos meus três prazeres sublimes na vida. É, listo e dou notas para os livros lidos. Por coincidência 11 ficção, 11 não-ficção. O romance do ano foi Narciso e Goldmund, de Hermann Hesse. Esse alemão/suíço é meu escritor predileto há anos. Sabe aquilo? Profundidade psicológica, riqueza espiritual, fôlego narrativo, boas pitadas de erotismo... Humanista puro, Hesse me puxa lágrimas com frequência. E em não-ficção, Banzeiro Òkòtó, de Eliane Brum. Li três livros dessa jornalista gaúcha/paulistana/altamirense neste ano. Gamei no sua prosa rica em recursos de linguagem, mas sobretudo forte, muito forte, na investigação da realidade. E a realidade da detonação da Amazônia precisava de um texto assim. Escrevi no Face que o texto da Brum é uma paulada, alguém disse que é uma alavanca... E é isso mesmo.
quarta-feira, 29 de dezembro de 2021
quinta-feira, 23 de dezembro de 2021
LENDO.ORG (49)
Me ocorre que livros ainda são um bom presente pra dar. Pelo menos eu gosto de receber rsrs. Confesso, bem pode ser um vale-livro, que é como ganhar de presente dinheiro: o vale se transforma em qualquer livro. Digo "ainda", porque considero que tradições ficam velhas e podem (ou devem) ser superadas. Só que mude você suas tradições, não me venha mudar as minhas! rsrs. Cada um tem a sua tradição imutável, e a minha são os livros, que durem para sempre! E nessas fui a duas livrarias, uma intencionalmente, a Livraria da Tarde, em Pinheiros. Livraria de bairro (aqui), a filial que é matriz, só ela, charmosa, aconchegante, pega-se o livro como em um culto... E ontem, em um shopping, dei com a Livraria Leitura, hoje a maior rede do Brasil (aqui), 83 lojas, livros empilhados como laranjas ou peixes no Mercadão... Dois conceitos bem diferentes de fazer a mesma coisa: aproximar o livro físico - objeto que melhor expressa nossa humanidade - ao leitor. As duas estavam com bom movimento, nem tudo está perdido. Considere dar um livro de presente no Natal. BOAS FESTAS e um 2022 muito feliz pra você!
segunda-feira, 20 de dezembro de 2021
LANCES URBANOS (74)
Aproveitando o solstício, que é amanhã, registrei essa cena agora há pouco, 19h. O farol demorou pra abrir, deu tempo de sacar (não o celular) a máquina da cartucheira e clicar. Quem adivinha que torre é essa? Confesso que precisei buscar o nome (não no google) no velho guia Abril 2007 da cidade. Igreja do Calvário. Rua Cardeal Arcoverde, Pinheiros. Vai ver que é porque nunca entrei, nunca gravei o nome dessa igreja. Mas gostei da foto.
domingo, 12 de dezembro de 2021
LIXA GROSSA & CIA LTDA (58)
domingo, 28 de novembro de 2021
LENDO.ORG (48)
quarta-feira, 17 de novembro de 2021
LANCES URBANOS (73)
O Parque Augusta já está pequeno para a demanda reprimida de alegria e civilidade. Que ser urbano não quer parques? Que ser urbano não quer praças dignas, calçadões decentes, enfim, espaços para vivenciar relacionamentos, frequentar o comércio e os serviços oferecidos, gerando emprego e renda? Me refiro ao centro da cidade. Acontece que os cidadãos paulistanos estão encolhidos, embotados na vã esperança de que o poder público faça alguma coisa. ESQUECE! O poder público vive exclusivamente para si e para sua sobrevivência. Só se for pressionado, se for muito provocado, pode sair da sua paquidermice e começar a fazer coisas. Tipo: vê se acorda! Como foi com o Parque Augusta. De novo: me refiro ao centro da cidade. Região com muitos atores fortes. A Bolsa de Valores é no centro. A OAB, o Tribunal de Justiça, o Metrô, a Caixa, USP, Unesp, empresas, entidades, pessoas interessadas... Tem que unir esse povo e começar! A praça da Sé tem o Marco Zero. Na verdade o que a praça da Sé tem hoje é o marco da nossa profunda incompetência. A praça da Sé não é uma praça, é uma hecatombe social. Cidadãos, precisamos começar a nos mexer!
Essa praia é pequena. Tem que crescer! |
sexta-feira, 12 de novembro de 2021
LANCES URBANOS (72)
quarta-feira, 3 de novembro de 2021
LANCES URBANOS (71)
quarta-feira, 27 de outubro de 2021
SHOW DE BOLA! (108)
Meu pai, que hoje faz 89, quando comprava jornal, era a Folha da Tarde. Porque esse, não sei. Com a escolaridade que tinha (semi-alfabetizado) poderia “ler” o Notícias Populares e eu entenderia muito bem. O fato é que, com pequenas interrupções, assino jornal desde os 18. Completou 40 anos, e nesse tempo de convivência com o diário impresso (raramente a Folha, quase sempre o Estadão), acho que não peguei mudança mais drástica do que essa que O Estado acaba de fazer: reduziu o tamanho do caderno. Lembro nos anos 1990, quando o mesmo revolucionou na qualidade das fotos coloridas, e foi um impacto ver aquelas fotos lindas no papel jornal. Essa agora talvez supere. O tamanho do jornal diminui, ficou mais elegante. É, chegava a ser constrangedor abrir o jornal em um barzinho ou café, todo mundo olhando no celular ou no tablet, e eu pré-histórico com aquele jornalzão difícil de dobrar, quase um papelão. Agora não, mais pocket, apresentável. Na Europa são desse tamanho, “berliner”, chique. Ainda estou acostumando a vista com o novo formato, afinal ela se acostumou com aquela navegação de olhos pelas colunas, pela páginas, sempre de trás pra frente (isso permanece). As mudanças editoriais foram bem pensadas. O conteúdo enxugou um pouquinho, mas as matérias se valorizaram, muitas ganhando página exclusiva. O meu querido Quiroga ficou (se tivesse saído eu cancelava a assinatura na hora), já vi que ficaram Nogueira, Bucci, Cantanhêde e outros que gosto. Bem, o jornal diminuiu, e se diminuir mais, desaparece, como alguns cogitam. Não creio. Talvez esse novo formato até ressuscite leitores para o jornal impresso, sou suspeito de dizer, um prazer difícil de perder...
Comparando o novo formato do Estadão impresso. |
quinta-feira, 21 de outubro de 2021
LENDO.ORG (47)
Inflação não tem mistério:
quem tem poder aumenta preço. Quem não
tem – leia-se, o consumidor – paga. E
como as coisas que mais precisamos são as que todos precisam, a procura é
enorme, então, repito, não tem segredo:
dá-lhe inflação. O engraçado é
que quase não se ouve mais falar em “pechinchar”, pedir descontos... Compramos comodities – leite, gasolina, pãozinho,
arroz, feijão, eu ia dizer carne mas isso está mais pra extravagância... Eu pelo menos não mando no preço de nada... a
não ser no preço de livro nos sebos. Quero
ser amigo de todos os donos de sebos, bato papo, mas na hora de arrematar a
compra: amigos, amigos, negócios à
parte. Foi fazer careta quando o sebista
falou o preço das memórias do István Jancsó, que o preço despencou na hora! Ele é um comerciante experiente, sabe que
comprador de livro usado assim presencial como eu não é toda hora que aparece, e
que eu não ía levar por aquele preço... Me
olhou o João Batista (há 30 anos no ramo, foi vendedor do Brandão), afagou os quatro
volumes e mandou: leva tudo por 100! Só o livro do historiador era mais que isso...
Deu
peninha mas... amigos, amigos, negócios...
E agora biblioteca, quais livros saem pra entrar esses? |
domingo, 10 de outubro de 2021
LENDO.ORG (46)
Tenho ido muito a sebos, mas a Livraria da Tarde é um caso à parte. Taí uma livraria agradável, bem servida de títulos (aqui), com atendimento afetuoso, e a dona, a Mônica, mineira de Juiz de Fora, um encanto... Livraria tão aconchegante que a gente fica sem jeito de pedir desconto... Navegava eu na seção de literatura estrangeira, quando Adriana, da mesa de lançamentos, pergunta: “Conhece esse livro do Boris Fausto?” Como assim, o Boris tem livro novo? Folheio nos créditos, é de 2021... Que coisa, o Boris não me avisou! Logo a mim, que lhe disse que conheço mais a vida dele do que ele mesmo, afinal já li seus outros três livros de memórias... duas vezes cada! Vai ver que ainda não teve lançamento, engoli em seco... Fiquei procurando a palavra certa pra definir o sentimento... A gente é tão melindroso né? Me vingo pensando: “ele me deu ouvidos quando disse lhe que devia escrever mais um livro de memórias, tão prazerosos são de ler"... A gente é tão pretensioso né? Mas deixei pra lá, comprando: quer saber, vou ao lançamento e levo pra ele autografar... O outro é uma coletânea de contos do Hesse, meu mais-querido nos últimos anos. A questão agora é: quais dois saem da biblioteca??
sexta-feira, 1 de outubro de 2021
LENDO.ORG (45)
Dispensei mais de 100 livros, retirados a fórceps da biblioteca, para que os novos pudessem entrar. Pensei que ia tomar vergonha e aquietar consumo, mas que nada! Foi entrar no sebo Machado de Assis, no centro, pra sair com esses: Junto ao Rio Tâmisa, relato do hoje imperador do Japão, então príncipe Naruhito, sobre seus dois anos de estudo em Oxford. Vou ler invejando esse "sabático", que eu topava nem que fosse na Unesp de Assis, que tem um curso de literatura reconhecido... Mulheres de Cabul. Harriet Logan fotografou-as oprimidas durante o taliban e depois, (quase) libertas, quando o regime caiu. Agora o regime voltou, lamentável. E A Vontade de Viver, de Wilhem Stekel, discípulo de Freud, parece que mais espiritualizado. Não sei. Não lerei nenhum agora. Vão pra estante. E quais saem??
quarta-feira, 22 de setembro de 2021
LANCES URBANOS (70)
A astrazeneca sumiu com alarde, voltou sem avisar, descobri e fui tomar a 2ª dose na Vila Nova Conceição. Ao sair do posto ouço um carrilhão repicar e o começo das surpreendentes badaladas. Nove batidas, cravando 9 da manhã. Fui procurar a origem e na rua ao lado (João Lourenço) dei com a paróquia São Dimas (o bom ladrão, crucificado ao lado de Cristo). Sino não vi, parece que tinha um megafone no alto do prédio, mas não importa, me vi morando num daqueles apartamentos colossais da V. N. Conceição, com um enorme cômodo só pra instalar a biblioteca, poltrona confortável, de lá escutando esse anacrônico toque das horas ... Desperta homem! Ao menos um bom motivo para postar no Brittadeira após longo jejum, porque a correria está insana...
quinta-feira, 12 de agosto de 2021
SAUDADES... (45)
quarta-feira, 28 de julho de 2021
SHOW DE BOLA! (107)
Há muito tempo digo que skate é esporte, entre os 3 mais praticados no país depois do futebol e da corrida (o famoso "cooper"). Já são cinco décadas de prática intensa (em 2000 lancei o livro A Onda Dura - Três Décadas de Skate no Brasil) e história colorida (com fases dark como é natural nesse esporte rebelde), culminando com as duas gloriosas medalhas de prata na modalidade street (e não acabou, semana que vem tem a modalidade park). Legal, mas na real eu não ia postar nada (ao contrario da Rio 2016, essa Olimpíada não está no meu radar, ocupado com outra encrencas), mas quando até a sóbria rádio Cultura FM apresenta uma longa crônica sobre a fadinha Rayssa Leal, e a capa do caderno Quarentena do Estadão também trata da prata de 13 anos, pensei, puxa, foi mesmo um dia legal aquela tarde de Domingo do distante ano de 1978, em que cheguei no Ibirapuera pedalando uma Caloi 10, e saí de lá vidrado em ter um skate, ao assistir uma campeonato na marquise: feras faziam manobras que eu não imaginava que existissem... É como hoje, quando tantas crianças vão descobrir as possibilidades do skate ao ver as manobras de Rayssa e Kelvin (o nosso Hoefler moreno, nada alemão como insinua o nome), e já querem praticar. Eu então pratiquei. Dos 15 aos 18 vivi intensamente o skate, me marcou a vida. Verdade que marcou mais meu irmão Fábio Bolota, que faz do skate profissão até hoje, está com vinhetas na 89FM. Vida longa ao skate brasileiro!
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Rayssa Leal em Tóquio, prata. (foto: @worldskate) |
sábado, 24 de julho de 2021
LANCES URBANOS (69)
Botaram foto na estátua do Borba Gato. Ainda bem que ela é de concreto armado, e com dois trilhos de trem em sua estrutura, chamuscou, mas não vai cair. Faz parte da história brasileira, no séc. 17 desbravou o território levando a Minas e Goiás, terras paulistas até ganharem vida própria. Faz parte da história paulistana, quando em 1963 a estátua foi erguida e admirada pelos moradores, uma referência para quem passava o Brooklin e se aproximava de Santo Amaro, tempos de corações menos turbulentos. Tosca? Kitsch? Discutível. Símbolo de supremacistas brancos? Vamos discutir isso, cambada, antes de tacar fogo? Ou que tal antes assistir à aula do Eduardo Bueno (quem vai negar que ele é um historiador libertário) sobre Borba Gato (aqui)?
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Aula de Eduardo Bueno sobre Borga Gato. |
terça-feira, 20 de julho de 2021
LENDO.ORG (44)
Quando estive no apartamento do editor Gumercindo Rocha Dorea, há quase 40 anos, ele já tinha mais idade do que eu hoje. E menos livros nas prateleira, porque, consumidor compulsivo deles (sei como é isso), foi muito mais acrescentando do que tirando, até ter quase todo o confortável apartamento na Aclimação tomado de livros. Sei disso porque, em Fevereiro, aos 96 anos, o sr. Gumercindo se foi (aqui)... Longa vida dedicada a lançar escritores (simplesmente Nélida Piñon e Rubem Fonseca entre eles) e divulgar ficção científica, de que foi um dos editores pioneiros. Seus filhos Guga (de quem sou amigo há quatro décadas) e Tera me receberam para rever a biblioteca e, carinhosamente, me presentearam com esses da foto. Não fizeram cerimônia, porque havia ali mais de 7 mil livros, avaliou um neto do sr. Gumercindo. Obrigado! Me proporcionaram a alegria de ter um livro que cobiçava há tempos, Cascalho, de Heriberto Sales, romance ambientado na terra de meu pai, Chapada Diamantina, e Itabuna, Minha Terra!, com essa exclamação mesmo, terra da minha mãe. Eu sou um baiano produzido em Sampa... Bem, os mais valiosos livros do seu Gumercindo estão indo a leilão (aqui). Nos vemos na sala virtual de lances!
Satisfação dos livros ganhos da biblioteca do sr. Gumercindo. |
quinta-feira, 15 de julho de 2021
LENDO.ORG (43)
segunda-feira, 5 de julho de 2021
LENDO.ORG (42)
quinta-feira, 1 de julho de 2021
LIXA GROSSA & CIA LTDA (57)
Com a lucidez de sempre, Bucci tenta entender essa indecência.
terça-feira, 29 de junho de 2021
LANCES URBANOS (68)
São Paulo entra em sua 4ª fase de transformações radicais, se me permitem a leviandade de continuar a reflexão que Benedito Lima de Toledo abordou em seu livro São Paulo: três cidades em um século. A 1ª fase foi a de taipa, que durou 350 anos, da fundação até o início do século 20, quando começa a 2ª fase: a transformação produzida pela riqueza do café e o crescimento impressionante da cidade. Essa seguiu até o final da 2ª Grande Guerra, quando Toledo viu São Paulo entrar na 3ª fase, com os grandes empreendimentos imobiliários, em que “os símbolos urbanos, a imagem da cidade, os monumentos históricos, deixaram de entrar na composição das preocupações das autoridades”. Toledo morreu em 2019 (aqui) e não teve tempo de registrar em livro sobre a chegada da 4ª fase de transformações, a dos gigantescos empreendimentos imobiliários, em que os novos edifícios atingem tamanhos ciclópicos, na largura e na altura. Edifícios parrudos, que precisam despudoradamente eliminar quarteirões inteiros para surgir. (Vi isso claramente ontem, no Brooklin, as casas de um quarteirão inteiro sumiram, entre as avenidas Portugal e Santo Amaro). Pois é. A cidade, adoentada há muito por seus excessos, vê agora surgir demandas exponenciais, de toda sorte de infraestruturas, desconsiderando a sustentabilidade ampla da urbe. Todos os paulistanos hoje relatam exemplos de casas e vilas extintas, tráfego de caminhões carregando terra e bate-estacas petulantes. Porém não são todos que anteveem a grande confusão que tudo isso vai gerar. E não só na situação da pandemia terminar e todos os carros de praxe voltarem às ruas. É também a demanda por água e por esgoto. É também a eliminação do verde e do horizonte por tantos empreendimentos. É a demora absurda – leia-se desinteresse – em criar novos parques. São os resíduos sólidos sem nenhuma ação ou planejamento. É o centro da cidade absolutamente abandonado. Mas é, para efeito dessa rápida reflexão, a chegada com tudo da 4ª fase de alterações da cidade, com a indústria imobiliária tocando seus projetos em intensa competição de incorporadoras e construtoras, sem a batuta ativa de uma coordenação. Sem ao menos a cobrança de compensações à altura do impacto causado. E sem a batuta porque... qual é mesmo o nome do prefeito que vai tocar a cidade mais de 90% da gestão? Mas isso é assunto pra outra postagem. Querido Benedito Lima de Toledo: quem dera eu tivesse a sua capacidade, pra relatar, como é preciso, essa chocante 4ª fase de transformações da cidade.
Sobradinhos esperando sua vez de sumirem. Brooklin - 28/06/21 |
sexta-feira, 18 de junho de 2021
LENDO.ORG (41)
"Com os primeiros ganhos do emprego, comprei o meu objeto do desejo, a coleção dos Clássicos Jackson, portentosa obra em 40 volumes. Foi minha primeira propriedade." Está na autobiografia de Boris Tabacof, "Perdidos & Achados". O executivo se foi nesta semana, aos 91 anos, depois de uma longa carreira de êxitos, cujo ápice foi a atuação na gigante de papel Suzano, da qual foi presidente do conselho. Dei com esse livro em um sebo, levei e quando ataquei não parei até a última página. Escrito sem pompa, mas não sem tempero, por quem valorizava o livro e a leitura. "Nunca tive uma bicicleta, mas meu pai me comprou o Tesouro da Juventude". E assim começou, rumo ao sucesso.
domingo, 13 de junho de 2021
LENDO.ORG (40)
Hoje Fernando Pessoa faria 133 anos. Mas isso é menos importante do que dizer que ele se foi aos 47 anos, vida curta e intensa, de pensamentos, logo sofrimentos, e breves prazeres. Esse Livro do Desassossego, na belíssima edição do Clube de Literatura Clássica (recomendo associar-se, aqui) expõe em prosa a filosofia do poeta, através de seu heterônimo menos conhecido, Bernardo Soares. É ler uma página por dia. E no dia seguinte reler... "Deus é o existirmos e isso não ser tudo." Ai... Bem, também hoje o Brittadeira completa 8 anos. Mais de 800 postagens, etc etc. Ah, é dia de Santo Antônio! Se não é a postagem da amiga Regina Maura, passava batido! Que católico desleixado!...
quinta-feira, 10 de junho de 2021
LENDO.ORG (39)
Esses livros relatam as três aventuras que lançaram Amyr Klink aos píncaros da fama, merecidamente: atravessar o Atlântico a remo, hibernar meses na Antártida (sozinho) e circun-navegar o continente gelado (em equipe). Sonhar, planejar e executar. Enfim, atrever-se. Mas o que gosto mais de Amyr é a frase, pinçada de um deles: Descobri o mar lendo. Dizer mais o que? Os três estão autografados e acabei de emprestar. Desapego? Coisa nenhuma! É confiança mesmo. Sei que voltam. (Ou melhor, sei onde buscar rsrs.)
quinta-feira, 3 de junho de 2021
LIXA GROSSA & CIA LTDA (56)
No concerto das nações, o Brasil é insuperável no quesito "nonsense". Cartinha no Estadão impresso de hoje.
sábado, 29 de maio de 2021
SAUDADES... (44)
Arquiteto pra mim tem que ser urbanista. Claro que é bom ter arquiteto pra desenhar uma casa confortável ou um prédio elegante. Mas hoje o que precisamos mais, nesse mundo tão urbano, é de arquitetos-urbanistas (ou "arquitetos de cidades") que busquem reverter a profunda degradação dos grandes centros. Como sempre buscou Jaime Lerner, três vezes prefeito da capital paranaense. Todas as cidades deveriam ter um sonho e perseguir esse sonho. Em Curitiba nós tivemos vários sonhos. Ópera de Arame, Jardim Botânico, BRT... Um cara cheio de ideias! Por exemplo: na periferia, por que não trocar o lixo domiciliar por vale-transporte? Enquanto isso aqui em Sampa... Ah, quem dera São Paulo, nos últimos 50 anos, tivesse como prefeito ao menos um arquiteto-urbanista com essa vocação de dar dignidade à cidade! Mas o que tivemos como prefeitos? Políticos! Quase nenhuma inspiração a serviço da cidade... Quando soube do passamento de Lerner, busquei esse livrinho na estante, onde li: Uma coisa é certa: a cidade do futuro não pode conviver com a miséria do presente, sob pena de continuar sendo uma cidade do passado. Mais do que nunca, é isso.
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Jaime Lerner (1937 - 2021) |
quarta-feira, 26 de maio de 2021
LANCES URBANOS (67)
O prédio-sede do Santander, no Itaim, sempre usa sua fachada para valorizar datas como Natal, Páscoa, Dias das Mães e outras efemérides. Em uma busca rápida no Google não consegui identificar a razão dessa "postagem" com livros na fachada daquele prédio, clicada ontem. Não entendi, mas gostei.
quinta-feira, 20 de maio de 2021
LANCES URBANOS (66)
Pergunta ao misterioso vice-prefeito que assumiu a cadeira principal e vai nela por 90% da gestão: vai fazer algo pela cidade adoentada? Vai ser prefeito pra valer? Ou só vai fazer politicagem? Cartinha no Estadão impresso de hoje.
segunda-feira, 17 de maio de 2021
LENDO.ORG (38)
sexta-feira, 14 de maio de 2021
LENDO.ORG (37)
quarta-feira, 12 de maio de 2021
MAMAE
Hoje mamãe completaria 89 anos. Essa baiana de Itabuna nasceu Maria José, mas por muitos era conhecida só como dona Zete. Um dia me disse que era por ser parecida com a cantora Elizete Cardoso. Veio com 20 anos para São Paulo, orgulhosa de vir de avião, quando a maioria de lá pegava um ita ou um pau-de-arara... Veio num convênio, para estudar enfermagem... Mais paulistana que muitos, voltou apenas uma vez para ver a família no Sul da Bahia. Hoje fui visitá-la no cemitério Congonhas. Batemos papo largo, como todo dia 12 de Maio dos últimos 10 anos. Na hora de ir embora minha porção repórter não resistiu e inquiriu funcionários do cemitério, derradeiro termômetro da pandemia. Sim, tem havido muito mais enterros. Um me disse que "no mês passado" foram 260 enterros no mês, quando a média são 160. Na floricultura a afirmação que a 2ª onda, nos primeiros meses deste ano, foi bem pior que a 1ª... Que fazer, senão cuidarmo-nos?
quinta-feira, 6 de maio de 2021
LIXA GROSSA & CIA LTDA (55)
Antigamente era lugar comum dizer que as elites queriam o povo sem educação e sem cultura, para ser melhor manipulado. De uns 30 anos para cá o retorno da democracia, o aumento das políticas de inclusão, enfim, os novos tempos, deram uma maquiada nessa situação. Só que... De dois anos para cá a coisa ficou feia e escancarou. A elite rastaquera quer mesmo a destruição da educação e da escola pública, basta só ver o naipe dos três últimos ministros da Educação. Quando vi essa Secretaria Municipal de Educação em Silveiras, semana passada, pensei que uma assim, desse tamanhozinho, já faria a diferença em Brasília... Como viver em sociedade sem educação?
Em Silveiras, no vale do Paraíba. |
quinta-feira, 29 de abril de 2021
LANCES URBANOS (65)
Poucas coisas me impactaram tanto - 50 anos acompanhando de perto a cidade - quanto essa excrescência cometida no Paraíso. A reportagem do SPTV (aqui) flagrou o absurdo, em parceria com o arquiteto Gabriel Rostey, na esquina das ruas Abílio Soares e Desembargador Eliseu Gabriel. No finzinho da matéria está o destaque a essa destruição da história da cidade. Chamar de arquiteto o cara que fez isso é um desrespeito com essa categoria profissional. A imagem é a mais completa tradução desse momento da sanha destruidora das incorporadoras e construtoras. E quando não destroem, fazem esse lixo. Grotesco. Tristeza profunda.
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Matéria do SPTV em 24/04/2021. |
sexta-feira, 23 de abril de 2021
LENDO.ORG (36)
No mundo editorial existe um país muito rico e por vezes esquecido: o das editoras das universidades públicas. Começa pelas editoras da USP (Edusp) e da UNESP (Editora Unesp), com centenas de títulos interessantes, e se espraia por todo o Brasil, com as editoras das universidades federais e estaduais lançando milhares de títulos, grande parte gerada em sua produção acadêmica. Com subsídios, publicam livros que as editoras comerciais recusariam. Numa feira de livro virtual topei com a Eduem - Editora da Universidade Estadual de Maringá (aqui). Gostei de uns títulos que chegaram hoje, 23/4, dia internacional do livro, criado na Catalunha em homenagem a Cervantes. Bem, não conheço o Norte do Paraná, com suas Londrina e Maringá de nomes charmosos, mas os livrinhos chegaram de lá.
Livros da Editora da Universidade Estadual de Maringá |
domingo, 18 de abril de 2021
NO ACERVO DO ZNnaLinha... (2)
A Freguesia do Ó comemorava 431 anos (eta bairro antigo!) com muitas atividades culturais na Casa de Cultura Salvador Ligabue. Era 08/2011 e não tínhamos nenhum motivo para ter vergonha de usar as cores verde-amarelas. Muito pelo contrário. Esse tempo vai voltar. Do acervo de fotos do portal.
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Alunas de uma escola de dança na Freguesia do Ó (2011) |
quarta-feira, 14 de abril de 2021
LENDO.ORG (35)
segunda-feira, 12 de abril de 2021
NO ACERVO DO ZNnaLINHA... (1)
Quando, navegando pelo acervo, dei com essa foto, decidi abrir uma seção e resgatar as imagens mais interessantes batidas durante os 10 anos de trabalho no portal ZNnaLinha, de 2007 a 2017. São mais de 10 mil fotos, de centenas de coberturas nos 15 distritos da Zona Norte. Ao saber que Garry Kasparov, o maior campeão de xadrez de todos os tempos, estaria no Anhembi para fazer uma simultânea com alunos de escolas municipais, parei tudo e corri pra lá. Primeiro, ver de perto o mítico campeão soviético, que ganhou até do computador Blue Chip da IBM. Segundo, prestigiar essa iniciativa tão bacana do governo Kassab, Setembro de 2011. Imagine a emoção dessas crianças... Será que ainda jogam? Eu enfrentei o Kasparov! É pra contar pros netos!
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Kasparov no Anhembi, em 09/2011. |
sábado, 10 de abril de 2021
LENDO.ORG (34)
Já estão com uma amiga, leitora ávida como eu, esses dois romances do Kazuo Ishiguro. Os Vestígios do Dia fez grande sucesso nas telas mas, como é comum em filmes marcantes, o livro supera de longe. Tanto gostei que na sequência mergulhei n`O Gigante Enterrado. Estranhei de começo, porque dois livros um bom bocado diferentes na temática, ainda que ambientados na mesma Inglaterra rural. Mas na medida que avançava O Gigante, fui descobrindo o que os assemelhava e fascinava: uma escrita fácil, fluida, extremamente elegante. Nascido no Japão e desde os cinco anos vivendo na Inglaterra, é como se Kazuo conseguisse unir o melhor do rigor disciplinado dos ingleses com a serenidade da observação japonesa. Não à toa, ganhou o Nobel de Literatura de 2017. Fiquei fã, vou atrás do seu terceiro romance.
E as capas lindas da Companhia das Letras? |
domingo, 4 de abril de 2021
LENDO.ORG (33)
quinta-feira, 1 de abril de 2021
LENDO.ORG (32)
quinta-feira, 25 de março de 2021
SAUDADES... (43)
segunda-feira, 22 de março de 2021
LENDO.ORG (31)
domingo, 21 de março de 2021
LIXA GROSSA & CIA LTDA (54)
Cartinha no Estadão impresso de hoje. Procela: tempestade marítima, por extensão tumulto, agitação. Na cartinha foi Tempestade. Tudo bem, procela é um bom sinônimo, mas tem horas que O Estado de S. Paulo parece A Província de S. Paulo! Mas isso não importa. O que importa é que não dá mais!!
No Estadão impresso de 21/03/21 |
quarta-feira, 17 de março de 2021
SHOW DE BOLA! (106)
Tão lindo quanto esse golaço, é a categoria da descrição da jogada pelos dois craques gaúchos, Falcão e Escurinho. Artistas. Desde criança lembro desse gol, mas não conhecia essa rememoração detalhada. Comparem o nível dos craques do passado com os novos "mitos" do pedaço. Minha nossa! Esse gol, sozinho, me emociona. Assistindo esse vídeo de três minutos, eu choro, como se lesse uma página maravilhosa de Herman Hesse ou ouvisse a 9ª de Beethoven. Não deixe de ver, aqui, um momento sublime do futebol brasileiro.
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Golaço! Internacional rumo ao título brasileiro de 1976, |
domingo, 7 de março de 2021
LENDO.ORG (30)
Será que não vejo Maurício Miele desde 1982, quando mudei da 9 de Julho? O irmão dele, Marcinho, vejo, ainda mora no mesmo prédio que meu irmão Fábio Bolota. Marcinho era unha-e-carne com meu irmão Paulo, que o destino levou trágica e um cara levou criminosamente aos 17 anos. Mas é do Maurício que falo. Foi meu amiguinho amigão nos tempos da pré-adolescência e aventuras pueris no edifício Mantiqueira e ruas do Bixiga. Honrados filhos de uma classe média baixa que valorizava estudos e livros em um tempo de escola pública decente, competíamos para ver quem tinha mais conhecimento inútil, aqueles saberes da Barsa, Tesouro da Juventude, "Só compra quem tem" (quem lembra?). Mas não tardou que os trilhos da estrada nos afastassem totalmente, até que o Face nos reaproximou. Posta aqui, comenta ali, outro dia ele, leitor glutão como eu, postou uma foto com seus livros da Brasiliense. Entre eles A Teus Pés, um clássico da poesia alternativa dos anos 80. De Ana Cristina Cesar, essa sim um mito. Quando esbocei ao Mau que amava esse livro perdido, e que corria sebos para reencontrá-lo, ele de repente disse que ia me mandar o exemplar pelo correio. Mandar como? Tem em duplicata?? Vai mandar o seu??? Nem estiquei, mais desacreditando do que pasmando com a conversa, até que ontem o livro chegou! Maurício! São paulino roxo (agora diz que é Flamengo o maluquinho), irmão da Marília e filho do Dirceu (sem esquecer a querida dona Consuelo), sobrinho do Miele famoso, família de Amparo, bixiguento da veia, casado sem filhos - só passeia o casal... Obrigado!!!
A Teus Pés, sobre a Isto É que guardo desde 09/11/1983. |