Fiz bons amigos no trabalho que exerci por 38 anos. Trabalho que me permitiu um monte de coisas. Uma delas foi chegar a lugares pouco acessíveis às pessoas em geral. Amante da cidade, sempre andei com uma máquina fotográfica na cintura, tipo cartucheira mesmo, pra bater fotos diferenciadas de janelas indiscretas. São Paulo não é uma Paris, ok, mas tirei fotos bem interessantes. De uns tempos para cá, Kledson, um daqueles amigos, começou a me desafiar, clicando paisagens cifradas e mandando para eu identificar. Modéstia à parte, acerto quase todas. Conheço a cidade como poucos, modéstia à parte 2, nesses quase 62 anos de andanças e pesquisas urbanas. Essa ele mandou mais pelo achado, pela beleza, porque não tem mistério. O prédio à esquerda é o Montreal, na esquina da Ipiranga com... São João? Nada disso Caetano! Cásper Líbero. Prédio de Niemeyer, com afrescos de Di Cavalcanti no hall e entrada pelas duas avenidas. Meu pai morou nele por quase 10 anos, mas acabou sofrendo a tal gentrificação: os coreanos tomaram conta do prédio, e o aluguel do amplo quitinete que vários coreanos podem pagar, não pode ser pago por um baiano que recebe um salário mínimo de aposentadoria. Nem pensar. Mudou para Sapopemba em 2013, e isso é outra história. O prédio do meio, a garagem da Polícia Civil, vejam só, tomou banho de loja, a "tampa de rosca" está elegante, com emblema e acabamento novos. O da direita é uma ETEC ampla e moderna, em plena "Boca", na Santa Ifigênia. Muito bem-vinda, educação um dia vai nos resolver. Eis São Paulo, que aguarda melhor gestão a partir de 2025.
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| Não é drone. Foto do amigo Kledson Jeff Green. |
















