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| O novo Anhembi inaugura com a Bienal do Livro. (foto: divulgação em panrotas.com.br) |
terça-feira, 3 de setembro de 2024
LENDO.ORG (67)
quarta-feira, 21 de agosto de 2024
LANCES URBANOS (97)
Hoje o Parque do Ibirapuera completa 70 anos. Por que em 21 de Agosto e não em 25 de Janeiro quando, lá em 1954, nossa São Paulo celebrou festivamente 400 anos? Não sei. Mas sei: quem não tem lembranças no Ibira, bom paulistano não é. Nessa foto estou nele, com 16 anos. O parque era jovenzinho, meros 25. Fez as contas? 1979. É. Eu e os Country Boys, marcando presença na história do skate paulistano (e por extensão brasileiro). Quem sou eu na foto?, brinco de perguntar. Meio óbvio (acho) mas nem todos acertam (como é o mundo!). Às costas está o MAM, mas essa parede não existe mais, faz tempo que o museu tem uma fachada toda de vidro (faz sentido), na tradicional marquise que está fechada há anos. Triste ver a poeira acumulando na extensa área que é um abrigo glorioso aos frequentadores quando chove, possivelmente o marco principal do desenho que Niemeyer deu ao parque. Ele foi concedido (há quem ame, há quem odeie isso) e a marquise continua lá, vergonhosamente abandonada. Enfim, tenho para mim que o Ibira encolheu. É que tenho saudades de quando o parcão ficava meio vazio, tranquilo, nos dias de semana (frequentei-o diariamente entre 78 e 81). Hoje nos dias de semana está cheio, e aos Domingos estruba, é inviável frequentar. Sei, claro que ele não encolheu. Só que nesses 70 anos a população da cidade quadruplicou, e ele ficou o mesmo, o parque referência da cidade. Falar mal do Ibirapuera não tem cabimento. No dia do seu aniver então, nem pensar. Mas ele não ficaria quase inviável de cheio, nos fins de semana, se a cidade tivesse mais parques, no centro e na periferia. Tadinho, estão exigindo demais do Ibira setentão. Concedido então (shows, leds, merchandising), nem se fala.
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| No Ibira, em 1979. |
domingo, 11 de agosto de 2024
LANCES URBANOS (96)
Quem circulava pelo centro nos anos 70 e 80 lembrará de dois prédios icônicos: o Mappin e o São Vito. O primeiro era o paraíso, para não dizer o castelo encantado, das compras. O outro - extremo oposto - era o maior treme-treme da cidade, com milhares de moradores em um prédio de 27 andares, em condições precaríssimas. Mappin e São Vito, os dois não existem mais. Porém seus fantasmas, hoje, estão ligados umbelicalmente, e vão renascer juntos, numa muito curiosa transformação.
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| O antigo Mappin vai ser a sede administrativa do SESC SP |
O enorme prédio do Mappin está total em obras pra ser a nova sede administrativa do SESC SP. E no terreno do edifício São Vito, demolido em 2011, na porta do Brás, está surgindo uma nova unidade do mesmo SESC. A distância entre essas novidades é de menos de um quilômetro. Entre esses dois pontos, estão evidentes todas as mazelas sociais e urbanas que o centro viu surgir e crescer nos últimos 40 anos. Só que... só que agora tem isso: o SESC SP investindo forte, trazendo sua sede para o centro. Essa tremenda força indutora, ao lado de tantas coisas que já surgem no centro velho e no centro novo, e de tanta vontade acumulada de ver o centro ressurgir, renascer, resplandecer, não é de dar esperança na gente? Daí a importância de pensar bem no voto, daqui a menos de dois meses.
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| Onde havia o São Vito, vai surgindo uma nova unidade do SESC SP |
terça-feira, 30 de julho de 2024
SHOW DE BOLA! (112)
Meu Deus como as coisas mudam! No meu tempo (faz tempo rsrs) skate era sinônimo de rock (Bob Dylan, Led Zeppelin) e punk (Sex Pistols, The Clash). Como então é isso de agora se associar - coisa incrível! - skate com Djavan? E trazendo medalha olímpica pra o Brasil! Ah, esse país é mesmo surreal, um dia engrena e vira uma potência muito estranha para o mundo ver e admirar. "Como eu estava muito ansiosa, coloquei pra tocar Um Amor Puro (aqui) do Djavan", revelou Rayssa Leal. E aí veio o bronze, que estava difícil, Djavan empurrou. Ah, eu poderia escrever um livro sobre o alagoano e um sobre o skateboard. Sobre skate já escrevi. Sobre Djavan é projeto sem prazo escrever uma biografia não autorizada desse compositor maravilhoso. Biografia baseada no que encontrar escrito sobre ele (nem tenho coragem de marcar uma entrevista), mas especialmente baseada nas emoções fortes que sinto com sua música única, iluminada. Pra mim, na MPB que é o que de melhor o Brasil produziu ever, Djavan é simplesmente The Best, me desculpem Chico e Gil, que vão me compreender, os grandes sabem compartilhar. E a maranhense Rayssa? E o skate que fez parte da minha vida intensamente na adolescência? Coisas lindas!
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| No Estadão de 30/07/24 |
quinta-feira, 25 de julho de 2024
LENDO.ORG (68)
quarta-feira, 17 de julho de 2024
LANCES URBANOS (95)
Fiz bons amigos no trabalho que exerci por 38 anos. Trabalho que me permitiu um monte de coisas. Uma delas foi chegar a lugares pouco acessíveis às pessoas em geral. Amante da cidade, sempre andei com uma máquina fotográfica na cintura, tipo cartucheira mesmo, pra bater fotos diferenciadas de janelas indiscretas. São Paulo não é uma Paris, ok, mas tirei fotos bem interessantes. De uns tempos para cá, Kledson, um daqueles amigos, começou a me desafiar, clicando paisagens cifradas e mandando para eu identificar. Modéstia à parte, acerto quase todas. Conheço a cidade como poucos, modéstia à parte 2, nesses quase 62 anos de andanças e pesquisas urbanas. Essa ele mandou mais pelo achado, pela beleza, porque não tem mistério. O prédio à esquerda é o Montreal, na esquina da Ipiranga com... São João? Nada disso Caetano! Cásper Líbero. Prédio de Niemeyer, com afrescos de Di Cavalcanti no hall e entrada pelas duas avenidas. Meu pai morou nele por quase 10 anos, mas acabou sofrendo a tal gentrificação: os coreanos tomaram conta do prédio, e o aluguel do amplo quitinete que vários coreanos podem pagar, não pode ser pago por um baiano que recebe um salário mínimo de aposentadoria. Nem pensar. Mudou para Sapopemba em 2013, e isso é outra história. O prédio do meio, a garagem da Polícia Civil, vejam só, tomou banho de loja, a "tampa de rosca" está elegante, com emblema e acabamento novos. O da direita é uma ETEC ampla e moderna, em plena "Boca", na Santa Ifigênia. Muito bem-vinda, educação um dia vai nos resolver. Eis São Paulo, que aguarda melhor gestão a partir de 2025.
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| Não é drone. Foto do amigo Kledson Jeff Green. |
domingo, 30 de junho de 2024
LENDO.ORG (67)
Está engasgado um Brittadeira sobre as eleições municipais, daqui a 3 meses. Mais um estelionato eleitoral em curso. Mas fica pra depois. Falemos de livros que é melhor. Taí a matéria de hoje com essa mulher linda por fora e por dentro (ou por dentro e por fora, se preferir), Bruna Lombardi. "A literatura é a minha raiz. É onde eu comecei. É o que me sustenta. É a coisa mais próxima, mais íntima de mim, que eu tenho". O primeiro livro dela, No Ritmo dessa Festa, comprei pelo Círculo do Livro, lembram desse simpático clube? Tinha a revista mensal com os lançamentos, a gente escolhia, acho que mandava o cheque, chegavam pelo correio, capa dura com uma rugosidade e arte especiais, que belos livros! Não o tenho mais, se foi nas metamorfoses por que passam nossas bibliotecas ao longo da vida. A matéria conta do "enxugamento" da biblioteca do casal 20 Lombardi Ricelli, e do filho Kim. Tô nessa faz tempo. A minha tem o limite de 1000 livros, e é curioso saber que alguns não serão lidos nessa vida. Por mim, pois sobreviverão a mim. Enfim, livros. Começou ontem a Feira do Livro no Pacaembu, vai até o próximo Domingo, com uma tenda para receber livros em doação para o RS. SOS-RS, diz o grande Eduardo Bueno. Vou levar. Quem quiser a saborosa matéria da querida Bruna, avisa que mando o PDF, que ler é um dos três prazeres sublimes da vida. 
Matéria no Estadão de 30/06/24
quinta-feira, 20 de junho de 2024
LANCES URBANOS (94)
segunda-feira, 10 de junho de 2024
E AÍ? (3)
Em três levas, foram 565 livros deixados no ponto de entrega em São Paulo para o projeto A Ponte, de São Leopoldo, de recuperação das bibliotecas de escolas públicas atingidas no Sul. 55 meus (aqui), 510 (sem contar os infantis e os gibis) de pessoas queridas. Como irão para lá? Quando estarão em alguma prateleira? Quando alguém, lendo os que doei, vai encontrar os erros de revisão que costumo marcar nas páginas? Mistério. Cada um faz sua parte. A minha foi levar ao endereço indicado. A de pessoas pró-ativas e desapegadas, foi separar os livros e me contatar pra pegá-los. 565 livros não compõem nem uma biblioteca de escola pública, mas é um tijolo na construção. O fato é que não existe escola sem biblioteca, ainda que nenhum aluno pegue livros pra ler, o que será uma incompetência da direção pedagógica da escola, não culpa de nenhum aluno. Ler é apresentação. Ler é incentivo. Existem técnicas para apresentar e incentivar a leitura aos estudantes. Somos seres melhores quando lemos, e a leitura mais valiosa está em livros. E aí? Ainda dá pra doar. Leve uma caixa, uma sacola que seja, na av. Brigadeiro Faria Lima 628, Pinheiros, em horário comercial. Entre no estacionamento e diga que vai entregar livros na portaria. Fui atendido lá pelo Jeferson. Facinho. Só não sei até quando. (Opa! De última hora a Regina, amiga da Maria Laura, trouxe 119 livros, que levei à Abigraf, na rua do Paraíso 529, Paraíso. Também estão enviando para o Sul.) 684 livros.
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| Terceira leva entregue hoje. 220 livros. |
quinta-feira, 30 de maio de 2024
E AÍ? (2)
terça-feira, 21 de maio de 2024
NÃO É POR AÍ... (98)
Centro de Veranópolis. A uns 40 km de Bento Gonçalves pela estrada normal, via ponte dos Arcos. Agora são uns 80 km, a ponte está interditada com os desmoronamentos causados pelo rio das Antas. Em 2022, quando estive lá com as filhas, apesar de tantas cidades no entorno de Bento, só tinha certeza de querer conhecer uma: Veranópolis. Não por ter a maior média de longevidade do Brasil (diz a Wikipedia). Isso eu já sabia há muito. O que eu soube depois, e me fez ir até lá, é que é a terra natal de um dos jogadores mais queridos que já vestiram o manto alvinegro em seus 114 anos: o goleiro Cássio. Coisa de fanático? Não, que ser fanático depois dos 40 é papelão. Um simples reconhecimento pelos serviços prestados. Um ditado alemão diz que o futebol é a coisa mais importante entre as coisas menos importantes. Claro que muito mais importante, dramático, é a situação dos irmãos e irmãs gaúchos nesse momento. São centenas de UBSs, de escolas, são milhares de casas, patrimônios, histórias, lembranças, abaladas ou definitivamente perdidas. O futebol tem a sua importância relativa, tem que se dobrar ao que é maior, demorou mas a CBF suspendeu por 15 dias as partidas de futebol da série A. Nada mais sensato. Inter e Grêmio ainda estão sem os seus estádios. Não sei como está a cabeça do Cássio quanto a isso, a família vive em Veranópolis. Jogou no Grêmio antes de ir fazer a glória no Timão. Todos nós corintianos estamos tristes com a forma que ele está deixando o clube depois de 13 anos, tão perto da aposentadoria. Sai pela porta dos fundos. Ou, se sai pela frente, é na calada da noite, sem carinho, sem homenagens. Qual o drama?, dirão, é um cara rico, deixou uma história no time, vida que segue. Sim, nesse paisinho subdesenvolvido do KCT, a vida segue assim, sem reconhecimento, sem prevenção. Não é por aí...
| Centro de Veranópolis, 08/2022. |
quarta-feira, 8 de maio de 2024
E AÍ?
Minha filha mora em Bento Gonçalves. Sommelier, há 3 anos mudou para a "capital brasileira do vinho". Queridos e queridas perguntam como ela está. Respiro fundo e penso em como ser sintético. O principal: ela está bem. Mora na área urbana de Bento, que felizmente é distante dos cursos d´água (esse é o ponto!), foi pouco afetada diretamente. Agora, o ser analítico. Quando estive lá em 2022 fui (com as duas filhas, momento sublime) almoçar em Nova Pádua, a 50 km de Bento, em um restaurante-mirante. Ficamos pasmos com a profundidade do vale do rio das Antas. Já à época eu (que sempre amei mapas e geografia) pensava como seria aquele vale profundo com um grande volume de águas. Agora acho que não queria ver... O fato é: esse ponto do rio das Antas está a 120 km do Porto Alegre. Até chegar na capital esse rio entra no Taquari, que entra no Jacuí, que entra a Leste, frondoso, no Guaíba, beirando a capital. O googlemaps mostra o caminho com clareza. Só que nesses 120 km veio trazendo, agora, as águas de uma tempestade descomunal (que tempestade foi essa que cobriu um estado??), acumulando volumes de água impressionantes, que ao passar por Santa Tereza, Muçum, Roca Sales, Estrela, Encantado, plácidas cidades ribeirinhas, entre tantas outras, foi destruindo tudo com a força da gravidade aquática acumulada. Sem contar as outras bacias! E tudo chega, águas destroços, e estaciona no rio Guaíba, que nem é um rio, é uma gigantesca lagoa, um dos mais belos pores-do-Sol do Brasil, em Porto Alegre. Teve Petrópolis (2 vezes), teve São Sebastião... e quando for a vez de São Paulo? A Cantareira ocupada sustenta? Claro que não. O Tietê velho de guerra aguenta? Claro que não. E aí? Quanto é culpa da natureza? Quanto é culpa dos homens e seus governos? Quanto é culpa de Deus? Distribua aí a culpa e arregace as mangas.
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| Rio das Antas em Nova Pádua, a 120 km de Porto Alegre. |
sexta-feira, 26 de abril de 2024
SAUDADES... (56)
Em data assim redonda, a pergunta surrada: onde você estava quando Ayrton Senna morreu? Faz 30 anos, que loucura! Existia internet? Celular? Não sei. Outra geração? Talvez. Era 1994. Por certo outro milênio. Senna "do Brasil" foi uma febre crescente, da primeira vitória até o fim. Quem não chorou? O cara tinha um carisma curioso. Pra começar, não era afetado, e isso não é pouco! Outro tri, Piquet, era (e é!) um mala sem alça total! Emerson (tri F1 + Indy), grande piloto, tinha o carisma de um biscoito vencido. Já Senna era meio gente como a gente ne? Senna da Silva, paulistano (da popular ZN), corintiano. Tinha um charme simples, uma voz contida, quase nada do glamuroso circo. Se não tivesse morrido naquela curva Tamburello, seria aos 64 o cara interessante que parecia ser? Quem vai saber? Ah, aquilo doeu. Eu estava em Poços de Caldas naquele 1º de Maio. As crianças já brincavam no playground do hotel e eu de pé no quarto, ah, não perco essa largada por nada, ele precisa se recuperar das derrotas no começo da temporada, a mais aguardada de todas, ele com o carro "de outro planeta", o Williams-Renault FW16, mas o alemão papando tudo... Fim de semana maldito: na véspera morreu outro piloto nessa pista. E naquela manhã o Senna não estava legal, estava estranho, as imagens mostraram em close, estava reflexivo, estava tenso, estava sei lá o que. E bota maldição na história: teve batida forte na largada, zoando os astros. Na relargada, quando na 7ª volta o carro desgarrou (teve um infarto e perdeu a direção?) e chapou o muro a 230 por hora, eu cai sentado na cama, mas como Deus é brasileiro ele vai sair desse carro andando... Deus brasileiro? Esse mito acabou!
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| 1º de Maio de 1994. Senna, meia hora antes do fim... (foto: ayrtonsennavive.blogspot.com) |
quinta-feira, 18 de abril de 2024
LENDO.ORG (66)
Ora direis, ler clássicos, mas o que é um clássico? Definição simples: um livro que você sabe que vai reler, e só não o fará se o soberano Tempo impedir. São os seus clássicos. Mas e os clássicos consagrados? Acho que é meio assim: pensa um sonho. No sonho um clube com muitas piscinas, de tamanhos diferentes. Só você nesse clube, tem piscinas pequenas e enormes, piscinas rasas e muito profundas. Azuis clarinhas, azuis marinhos. Essas piscinas são as personagens que o autor do sonho, do clássico, criou. E assim você, na leitura, vai à superfície de umas, senta à borda, mexe os pés dentro delas, ou então entra, caminha, nada ou mergulha, em águas ora quentes, ora frias, pode tirar o traje de banho e mergulhar nu ou nua, você está só, vai experimentando as diversas sensações (emoções), que são oferecidas pelo autor, que pensou cada piscina/ personagem. Você acorda da leitura, ou sai do sonho, e quando volta as piscinas estão todas ali, as mesmas ao seu dispor. Então volta a nadar nas piscinas rasas, ou mergulhar nas profundas, e de repente surgem outras piscinas, novas personagens, profundas ou rasas, e você vai conhecendo, se divertindo, se emocionando, aprendendo, vivendo cada personagem, mergulhando em cada piscina... Um clássico é um clube de piscinas infinitas que você não quer que acabe, só alegrias (às vezes tristezas). Levei três meses para ler Oliver Twist. No meu momento histórico de trabalho, não poderia ser mais rápido. No futuro espero voltar a esse clube, para revisitar essas piscinas, que estarão lá, um pouco diferentes, e será uma surpresa perceber que elas mudam, porque isso é um clássico. Espero não ter falado bobagens.
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| Oliver Twist: o mundo e o submundo de Londres em 1830 |
sábado, 30 de março de 2024
LENDO.ORG (65)
Essa livraria, que não é pequena, existe há 55 anos em uma avenida que não é pequena. Só que eu nunca tinha entrado nela, na livraria. Na avenida passo sempre, se tornou meu caminho, como um dia foram a ladeira General Carneiro, a rua Santo Antônio, a rua Dr. Zuquim, caminhos para casa em diferentes fases da vida. Faz 10 anos que moro na Vila Mariana, então a Bernardino de Campos, extensão embicada da avenida Paulista, a Bernardino se tornou caminho, então eu passava e dizia: olha a livraria em que eu nunca entrei, que coisa, como pode, logo eu que amo livrarias! E acabei desafiado outro dia numa conversa, quando um cara me disse que era uma livraria pequena... Ah, como assim pequena? Pequena é a Livraria da Tarde, em Pinheiros, que é uma portinha abrindo pra uma riqueza. Pequena é a Livraria da Vila do Shopping Eldorado (fui outro dia, pequena). A da Bernardino, não! Verdade que nem lembrava o nome dela, até porque nem bem tem placa, mas a gente vê muito livro lá dentro, pela frente de vidro, quando passa e sabe que ali é uma livraria, porque - lei da vida - quem não sabe não vê nada. E fui. A proprietária estava lá, a Silviane. Contou que o pai abriu a livraria em 1969. Teve filiais em Guarulhos e outros locais que não lembro, que depois fecharam. Cumprimentei-a pela seção de biografias, excelente. Nome curioso: Book Stop. Parada dos livros? Fiz uma boa compra, meio pra me redimir do abuso de comprar em feiras de desconto (a da UNESP abre dia 3 agora). Mas é isso, quem ama livros compra online, em sebos, em feiras de desconto, em livrarias físicas lindas como essa Book Stop. Dá pra parar de carro na porta, mas eu estava a pé, fui pelo caminho levando a sacola pesada de livros... Vida longa para a Book Stop!
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| Eis que entrei na Book Stop. |
terça-feira, 12 de março de 2024
LANCES URBANOS (93)
Hoje, 5h15, vi o corsinha preto acelerar de uma casa um pouco abaixo e parar no meu prédio. A moça saiu do banco de trás e colocou o jornal na "roda de pizza" do portão. Eu acenei pro motorista e ele, sorridente, acenou pra mim. Será que me reconheceu? O último no prédio a assinar jornal impresso... (não, a moradora do 63 assina no fim de semana). Sempre dou uma boa caixinha de Natal para esse que, 365 dias por ano, traz a informação tão cedo, rua ainda escura. Depois parou na esquina e - casal solidário - cada um foi para um lado da rua entregar um exemplar. Que jornal digital que nada! É pura tecnologia o jogo acabar 23h30 (estou dormindo), e já às 5h15 o impresso com o resultado estar aqui na minha porta. Já falei disso, continua me impressionando. O jornalista (talvez em casa) aguarda o apito final pra clicar enter e o texto subir para as máquinas, rodar, os cadernos serem montados, os jornais ensacados... Será que é lá mesmo na gráfica que o corsinha se abastece de exemplares? Quantos corsinhas são necessários pra distribuir em toda cidade? Quanto ganha o casal que acorda tão cedo? Será que moram no Limão, perto do jornal? "Vc gosta mais do Estadão do que da Folha?"... A vida é feita de perguntas ne?
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| Jornal de hoje, tão quentinho quanto o pãozinho. |
sábado, 2 de março de 2024
NÃO É POR AÍ... (97)
Direto ao assunto. Sabem o que tem colocado uma gota de fel, ou de tristeza, na boa vida que levo? É a possibilidade de, a partir de 2027, ingressarmos aqui num modus operandi como o russo. Os caras, vencendo em 2026 e voltando, não vão largar o osso nunca mais! E os oposicionistas, como Navalni, serão presos, mortos e não poderão sequer ter um enterro digno. Mero pesadelo ou triste realidade?
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| Na capa do Estadão de 02/03/24 |
domingo, 18 de fevereiro de 2024
NÃO É POR AÍ... (96)
Já caiu no esquecimento a tenebrosa transação que quase deu certo? Não deveria. O site do negócio ainda está no ar hoje (aqui), corrida de carros (parece uma disputa de bigas romanas) na pista de atletismo, alcunhada "Estádio Ibirapuera", nos dias 09 e 10 de Março, com vários patrocinadores. Escandalizou, as mídias "cobriram" (Bandeirantes, CBN, Estadão), só não ouvi ninguém fazer a pergunta de um bilhão de centavos: como é que conseguiram o apoio do Governo do Estado? (No site o apoio). Alguém autorizou tratores entrarem para arrancar o sim decrépito piso da pista de atletismo. Conheci a pista em 1977, com 14 anos me inscrevi num programa gratuito de treinos (fiz só um mês, fui trabalhar pouco depois). Coloquei as mãos naquela pista curiosamente emborrachada, modo de dar uma largada, acho que eu correria bem os 800 metros rasos, mas não mudemos de assunto. A indiferença do poder público com um próprio municipal (qualquer um!) hoje é semelhante à indiferença dos órgãos competentes com as motos cruzando faróis vermelhos em todas as esquinas. Indiferença completa. A imprensa é maravilhosa, não fosse ela estaríamos em situação sinistra, mas poderia ser um pouco mais investigativa nesse caso. Mas não, dão oportunidade à secretária estadual de esportes ficar dizendo que o IPHAN isso, o IPHAN aquilo, como se o IPHAN fosse impedir a colocação de um piso decente na pista, e ela voltar ao uso que gerou um Joaquim Cruz, uma Maureen Maggi, medalhistas de ouro olímpico, ou dar o esporte para orientar milhares de jovens. O IPHAN ia impedir isso? O IPHAN tem alguma coisa a ver com essa omissão crassa do poder público em fazer as coisas mais simples que tem que fazer? Tem dó! (Ah, em matéria do Estadão (aqui), a tal Ultimate Drift "não enxerga motivos para que mais de um esporte possa ser praticado no mesmo local". Piada! Não praticam sequer atletismo ali!)
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| Na abertura do site hoje no ar, 18/02/24. |
terça-feira, 23 de janeiro de 2024
LANCES URBANOS (92)
Não estarei em Sampa nos 470 anos. Quer dizer, sairei cedinho, estrada para o Sul. E irei pensando na minha cidade. Tristicidade. Benedito Lima de Toledo escreveu o clássico São Paulo: Três Cidades em um Século. Veio o século 21 e com ele a "quarta", diria o arquiteto. É essa cidade que estamos assistindo arrasar quarteirões para instalar prédios parrudos... Cidade de excessos, ultrapassando limites... Só um ano dos meus 61 não morei nela. Torci pra Noah nascer no dia 25, deu 24 e melhor assim, cada uma tem seu aniver exclusivo no meu coração. Uma é filha e a outra é... Como somos muito onde nascemos e vivemos, São Paulo é sim uma mãe (má mãe?) mamãe pros paulistanos... E estamos maltratando ela, filhos mais que ingratos. Com os fones de ouvido (sem fios!) atarrachados nos ouvidos (orelhas!), não ouvimos seus gemidos de dor (santa alienação!). Infelizcidade... Se eu pudesse dar um presente pra ela, seria todas as motos estupidamente barulhentas silenciando num passe de mágica, porque por obra e graça de um gestor público, quando será? Sim, ok, seria um presente também pra mim, que por ler muito amo silêncio, mas não se vê que a cidade sofre com essas motos zuentas e esses lixos espalhados e esses prédios infinitos e essas pessoas sem teto nas ruas? Pedi sem esperança o presente mais simples pra ela e pra nós: motos elétricas (que a pizza não pode esperar), silenciosas... Nos 480 anos talvez? Nos 490? Nos 500! Terei 91 anos (chego, é a idade do meu pai hoje). Esperança, dizia dom Paulo Evaristo Arns, não pode faltar jamais.
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| 470 anos depois, o Pátio, onde tudo começou, está assim. (foto: Blog Geraldo Nunes/Google) |
segunda-feira, 15 de janeiro de 2024
LANCES URBANOS (91)
A Globo me chamou pra falar do trenzinho da Cantareira. Quem recusa o convite de uma vênus platinada e madura? Eu não, incontinenti fui. Tem a ver com o aniver da cidade, 470 anos semana que vem. Bem, a linha tinha três nomes: aquele, o oficial Tramway da Cantareira, e o mais querido de todos, Trem das Onze. E era esse que interessava o repórter do Antena Paulista. Não adiantou eu decorar datas: a linha-tronco para o Tremembé em 1893, o ramal para o Jaçanã em 1910, e tudo virou história em 31 de Maio de 1965. E pó (pelo menos a estação Jaçanã) em 1966. Ele não perguntou isso. Fez perguntas amplas, filosóficas, que respondi gostosa mas frustradamente. Só quando ele perguntou "e aí, existia mesmo o trem das 11 horas?" Aí orgulhosamente tirei da mochila o Guia Levy 1960, com a grade de horários do trenzinho em todas as estações, nos dois sentidos, tipo linha de trem italiana, a mais pontual do mundo. Não existiu. A última composição saía da estação Tamanduateí às 9 da noite, o que, convenhamos, não daria nenhum charme à canção. "Se eu perder esse trem, que sai agora as 9 horas...", podia perder e umas 9h30 partir a pé que chegava, cansado, mas chegava no Jaçanã. Já 11h é outra boemia... E por que Jaçanã? Isso eu sabia, mas deixei o sobrinho do Adoniran falar. Sérgio Rubinato, 79 anos, um conversador animado, fiquei batendo papo com ele enquanto a equipe filmava dentro do Museu do Jaçanã, e voltava triste: o museu, ao lado de onde ficava a estação, está um bagaço, sofrendo furto atrás de furto... Sérgio contou que tem coisas do Adoniran espalhadas por vários museus, mas um museu só dele, no Brasil não tem. Só em Israel (aqui), o filho do Sérgio, sobrinho-neto do compositor, foi na inauguração... Enfim, por que Jaçanã? Morar, Adoniran só morou na rua Aurora e na Cidade Ademar. Se fosse pela rima com "só amanhã de manhã", poderia ser Butantã ou Sacomã, mas nã. O Jaçanã ele frequentava. Lá ficava a Cinematográfica Maristela (aqui), onde Adoniran fez ponta e protagonismo em vários filmes. Mas isso é pouco, é fatual, o que conta é a poesia: só o Jaçanã tinha uma estação de trem pra chamar de sua.
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| São sempre 11 horas no relógio do Museu do Jaçanã |


















