quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

LIXA GROSSA & CIA LTDA (53)

No Itaim Bibi tremula a bandeira verde-amarela descuidada, esfarrapada. Retrata o pior momento do país desde a volta da democracia, há 36 anos...  De tão fundo no poço, dá um gostinho de pensar que uma hora o Brasil recupera a autoestima, com uma postura decente frente aos desafios.  E cresce.  E uma bandeira bonita volta a tremular...
Rua Clodomiro Amazonas, Itaim Bibi, 20/01/21


segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

LENDO.ORG (26)

Jornal, revista, livro...  são as armas que me interessam pra enfrentar os desafios da semana, do mês, da vida...




terça-feira, 29 de dezembro de 2020

LENDO.ORG (25)

Qual seu clássico preferido?  Um romance, um autor...  Neste ano o meu foi Frankenstein, de Mary Shelley.  No momento estou vidrado em Herman Hesse, querendo passar todo 2021 lendo seus romances.  Matéria no Estadão mostrou pré-adolescentes e jovens que acordam já dispostos a abrir um clássico: Kafka, Jorge Amado, Agatha Christie...   Assim que é bom!  Um livro por dia: nem sabe o bem que lhe fazia...  Adoro essa frase!
No Estadão de 28/12/20


sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

LENDO.ORG (24)

Li 25 livros neste ano. Sei porque anoto o dia em que termino, o autor, a editora e, aí é que são elas, a avaliação de cada um. Nota mais alta para o que me emociona mais. Esses dois tiraram 9,5.  Um é monstruoso de bom. Frankenstein, de Mary Shelley.  Como ela pôde escrever essa obra-prima com apenas 19 anos? Um tratado sobre a soberba humana, que pode levar à destruição.  Mas também sobre o amor.  Um livro profundamente humano. Recomendo demais.  O outro encontrei em um sebo na Penha.  R$ 5,00. Peguei na hora, lembrando do filme que possivelmente mais assisti na vida:  Horizonte Perdido, de James Hilton. Foi difícil ler sem ambientar as páginas do livro nas cenas do filme...  Enfim, um faz jus ao outro. Basta dizer que esse romance criou a idílica cidade de Shangri-lá, no Tibete remoto, onde se pode viver 200 anos, com saúde de 40, desde que...  bem, leia o livro pra saber. Boas Festas!



sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

LENDO.ORG (23)

Quem hoje sai da mesa ou da poltrona para buscar na prateleira um dicionário de papel? Por que buscar aquele catatau de 3 quilos e perder, desajeitadamente, um minuto ou dois só pra encontrar a palavra desejada, se hoje o celular pesa 50 gramas, e o tempo para achar "exceção" ou "fleuma" é de... 3 segundos!?  . Bem, não estando essa facilidade disponível para a humanidade de 20 anos para trás, o Dicionário Aurélio vendeu, só ele, 15 milhões de exemplares, número retumbante nunca antes ou depois alcançado pela indústria editorial brasileira.  Sempre tive um Aurélio por perto, desde 1975, quando saiu a 1ª edição.  Parece até que já estava antes, de tanto que era um utensílio necessário em casa, como um liquidificador ou um secador de cabelos...  Minha mãe usava muito essas três coisas. Eu só o Aurélio...  Por isso quando soube do lançamento do Por Trás das Palavras, de Cezar Motta, com a história da gestação e parto do dicionário, entrei na hora no site da editora, comprei, chegou, devorei em três dias.  E que história! Com direito a rasteiras e ações judiciais.  O Aurélio era um gênio filológico, mas também era muito esperto. Espertinho, sabe? Talvez o nome mais correto para a obra fosse Novo Dicionário Aurélio - Campelo da Língua Portuguesa.  Mas não foi. Os bastidores dessa saga estão neste livro saboroso.  Recomendo. 


quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

LANCES URBANOS (60)

Só nos piores pesadelos rolaria a proposta de transformar o Ginásio do Ibirapuera em um shopping center, além da destruição da pista de atletismo e a eliminação das piscinas olímpicas. Mas é o que está acontecendo na realidade (aqui). Inacreditável! Essa cartinha saiu no Estadão impresso de hoje. Está marcado um abraço no Ginásio nesse Domingo, dia 06, às 9h. Com todos os cuidados e máscaras, vamos lá protestar contra esse insulto!

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

SAUDADES... (42)

Guardo essa foto há 30 anos. Foi uma jogada linda do gênio. Copa de 90.  Maradona manda o Brasil para o espaço. Passa por três brasileiros como um relâmpago, como um chicote ardido,  e no instante da foto enfia para Cannigia finalizar, Argentina 1 Brasil 0. Um dos gols mais lindos que vi.  Dos que vi jogar, o maior.  Estou triste pra cacete!

Diego Armando Maradona (1960 - 2020)


segunda-feira, 19 de outubro de 2020

LENDO.ORG (22)

Nunca pensei que gostar de ler pudesse ter contra-indicação, mas estava enganado, vejam só... 



quinta-feira, 8 de outubro de 2020

SAUDADES... (41)

Faz cinco dias que se foi Zuza Homem de Mello...   Não fiz essa postagem antes por pura correria.  Na verdade quase desistia, mas bastava ouvir sua voz em uma das tantas homenagens que até hoje fazem,  ou ver uma foto sua, pronto, eu dizia que tinha a obrigação de postar, simplesmente porque a voz do Zuza é inconfundível, porque seu conhecimento da MPB é super-profundo e a forma de transmitir, super-popular, como nossa melhor música.  Além diz, em quase todas as fotos ele aparece sorrindo...  Meu sonho de consumo:  estar sempre sorrindo, transmitindo conhecimentos.  A gente sabia que sua fala sempre traria uma informação interessante e gostosa de ouvir sobre música.  Zuza, um cara realmente especial...  
Zuza Homem de Mello (1933 - 2020)
(foto: Daniel Teixeira/ Estadão Conteúdo, in g1.globo.com)






segunda-feira, 5 de outubro de 2020

LANCES URBANOS (59)

 "Sem um centro, não existem periferias".  Parece um postulado matemático, não?  Mas foi essa exata frase que o editor da seção de cartas do Estadão cortou.  Tudo bem, o importante é ser publicado rsrs, mas insisto na ideia: as periferias de São Paulo só existem porque um dia, lá atrás, houve um centro digno, referência.  Hoje o centro está abandonado, para não dizer destruído. E no debate nenhum candidato citou o centro.  Que lástima!

Cartinha no jornal impresso de 03/10/2020



quinta-feira, 1 de outubro de 2020

SAUDADES... (40)

Verdade que Mafalda já nasceu grandinha mas, de todo modo, temos a mesma idade, somos de 1963.  E se o pai dela, Quino, nasceu em Julho de 1932, meus pais são de Maio e Outubro do mesmo ano.  Sei que essas coincidências, se dizem muito para mim, certamente não significam nada para quem lê, mas não resisti contar, desculpem. Tenho o Toda Mafalda, mas procurando encontrei antes a publicação Gente, com quadrinhos e cartuns mostrando que Quino não era só a Mafalda não... Ele se foi ontem, deixando fãs no mundo inteiro...
Quino (1932-2020)




sábado, 26 de setembro de 2020

LIXA GROSSA & CIA LTDA (52)

Vamos combinar que faltava rolar na grande imprensa uma pequena chacoalhada, pra fazer lembrar e relembrar o triste momento sócio-político que o país atravessa.  A autora dessa singela ousadia foi Carol Solberg, jogadora de vôlei de praia que eu não conhecia, tive o prazer de conhecer e saber, inclusive, que ela é filha da icônica jogadora de vôlei Isabel (por que icônica, aqui). Carol disse isso aqui ao final de uma competição. Olha, eu nunca curti vôlei de praia, mas vou dizer que estou começando a amar!

Carol Solberg
foto Wander Roberto/ InovaFoto/ CBV


domingo, 20 de setembro de 2020

LIXA GROSSA & CIA LTDA (51)

Assinante do Estadão, deu vontade de ler a Folha nesse Domingão. Não troco aquele por este, mas às vezes é legal sentir novos ares, uma abordagem diferente, desde a diagramação até variar os articulistas, que no Domingo são os melhores, creio.  Li a croniquinha do sempre delicioso Ruy Castro, que teve a manha de, ao falar de Dóris Monteiro, me relembrar músicas lindas da infância, como essa aqui.  Li outras coisinhas, e lembrei também que o Folha tem charges.  Olha essa, my God!  Nesse aspecto a Folha ganha: o Estadão não tem charges!
Charge de Jean Galvão na Folha de 20/09/2020



sábado, 12 de setembro de 2020

SAUDADES... (39)

Me formei em Economia há 33 anos, e nesse período oscilei grandes proximidades (fui analista financeiro) e enormes distanciamentos (passei anos sem abrir o caderno de Economia dos jornais) dos affairs dessa atividade.  Porém sempre admirei economistas em que percebesse uma pitada (grande ou pequena) de humanidade.  Afinal, Economia é uma carreira de Humanas, ligada a como concatenar todas as atividades que nós, humanos, inventamos de criar. Trata a Economia de fazer a máquina andar com o maior benefício para toda a sociedade.  Pelo menos esse é o desejo.  E aí é que entra a admiração por Amir Khair.  Seus textos, que lia no Estadão, me cativavam pela preocupação com a busca da melhor atuação econômica pelo Estado.  Taxa de juros elevada, lucros gigantescos dos bancos, dinheirama das reservas cambiais parada no Banco Central, tudo isso o preocupava, pois afetava a vida da população.  Assim um dia o chamei por email para fazer parte do grupo Caros, que toquei por uns anos.  Ele aceitou.  E respondia às mensagens que eu enviava, mostrando um grande caráter.  Foi secretário das Finanças da cidade no governo Erundina. Hoje de manhã dou com a notícia de sua morte (aqui), e fico sinceramente chateado...

Amir Khair (1940-2020)
(foto: Tamna Waqued/ fiesp.com.br)


domingo, 30 de agosto de 2020

LENDO.ORG (21)

Eu não esperava essa notícia triste, apesar de saber que a Cachoeirinha é um dos distritos mais afetados pela pandemia:  o Sebo do Roberto fechou porque a covid levou o Roberto.  Sempre que passava na rua modesta batia os olhos para a casa simples, térrea, que não disfarçava pela varanda haver ali o comércio que eu mais amo: de livros usados. Aquela casa era um sebo, eu descobri há alguns anos.  E por duas vezes entrei, sendo atendido por um senhor meio da minha idade (descobri agora que 5 anos mais velho), firme e honesto.  O sebo ocupa (ainda) a varanda e a sala principal da casa, e foi com alguma insistência que consegui entrar: a sua mulher, Beth, ainda não assimilou a perda do marido para a pandemia, faz poucos meses.  Por uns 30 minutos fiquei ali, oscilando humores, ora ávido de encontrar publicações de interesse (e encontrei algumas), ora cheio de respeito, afinal aquele era o espaço sagrado de trabalho de um homem recém desencarnado (também oscilo entre gostar e repudiar esse verbo). Enfim fiz as duas coisas, reverentemente escolhi 5 livros, mas, surpresa boba, dona Beth disse que Roberto não tinha máquina de cartão.  Disse mais: que ele gostava de vender porque sabia que a pessoa ia ler, e que ele andava feliz, porque estava vendendo bastante livros no começo da pandemia... ia muito à papelaria e ao correio...  puxa vida...   Enfim, eu estava com pouco dinheiro na carteira, deu pra levar um Herman Hesse que já li, adorei, emprestei, e agora vou reler...  minha vida é reler...   Combinei de voltar para levar os outros...   não pretendo barganhar o preço na capa, em respeito ao mercador ausente...  Por enquanto o sebo está ali intocado...  Mas os sebos, pelos mais diversos motivos, estão em extinção...   Meu aceno para o Roberto, também conhecido como Guerra...



quinta-feira, 27 de agosto de 2020

SAUDADES... (38)

Puxa, superficialmente, é difícil dizer que Washington Novaes morreu feliz. Pois é claro que ele se foi com o senso de dever cumprido, pai de quatro filhos, sete netos, jornalista atuante nos maiores veículos do país, como pioneiro na área ambiental,  com muitos prêmios conquistados (aqui) por seus documentários, especialmente sobre os índios desse Brasilzão depauperado...  Conheci mais de perto Novaes através de seus aguardados textos às sextas-feiras no Estadão, sempre sobre meio ambiente, informações bem pesquisadas...  Respondeu a alguns emails que mandei, mostrando presença de espírito...  Ele batalhou muito pela causa ecológica, então, por tudo isso, vê-se que a  felicidade sempre rondou a vida desse homem.  Mesmo assim, como não achar que ele morreu com um boa pitada de tristeza, vendo o descalabro criminoso que impera na área ambiental?...

Washington Novaes (1934 - 2020)
(foto: folha.uol.com.br/TV Anhanguera)



quarta-feira, 26 de agosto de 2020

LANCES URBANOS (58)

Todo o povo que desce a São João, dos dois lados, querendo atravessar o Anhangabaú, dá de cara com os tapumes que cercam a obra no vale . Tendo que contornar, os pedestres são jogados, na altura da praça do Correio, em uma calçada, ou melhor, picada, de pedriscos, apertada entre os tapumes e a via de trânsito.  Já seria bem ruim se, de repente, não surgisse esse obstáculo de foto, obrigando os paulistanos a circular pelo asfalto da rua!  Repito:  todo o povo que desce a São João é jogado para isso aí.  Estava assim na tarde de ontem.  Vi aí a cara da prefeitura da cidade, e o seu respeito com o centro, com os seus moradores.  Ou seja, nenhum!

Na tarde de 25/08/2020. 


sexta-feira, 14 de agosto de 2020

LANCES URBANOS (57)

Ainda causa estranheza, passados 5 meses de pandemia, ver as ruas vazias em um centro empresarial como é a Vila Olímpia.  Essa calçada deserta é a do Shopping Vila Olímpia, em plena quinta-feira, 15h30.  Nos prédios as recepções estão às moscas, com poucos atendentes, movimento mínimo, quase todos trabalhando em home-office.  Fôssemos um país desenvolvido, essa situação seria analisada e o limão viraria uma limonada: haveria um planejamento para melhorar o trânsito e desafogar o transporte público, que é o grande sacrifício diário da população.  E o "novo normal" de uma mobilidade mais digna surgiria, com um novo modelo de trabalho, em parte presencial, com novos horários, em parte home-office. Mas que nada!  Se você pensa em "planejamento", vão dizer: "comunista!". A preguiça e a burrice ditam as regras..

Não é Domingo!  Rua das Olimpíadas às 15h30 de um dia útil. 
.


quinta-feira, 13 de agosto de 2020

LENDO.ORG (20)

De cabeça conto 9 sebos no entorno da igreja de São Gonçalo, na praça João Mendes. Ontem entrei no sebo João Batista, que nem placa tem, na esquina das ruas Álvares Machado e Rodrigo Silva.  Entrei atraído pelo cartaz modesto: todos os livros a R$ 10,00. O João Batista foi trazendo livros do meu interesse, cidade de São Paulo, e alguns deles, de verdade, valiam bem mais.  Mas entendi a proposta do atencioso alfarrabista: desovar seus livros sem burocracia, nesses tempos de pandemia de corpo e de mente.  O João Batista trabalhou quase 25 anos no tradicional sebo Brandão.  Depois teve por 5 anos uma banca de usados ali ao lado na praça Carlos Gomes.  Há apenas 2 anos abriu essa lojinha. Sem nenhum traço de comerciante ávido ou espertalhão, pelo contrário, ficou me mostrando umas aquisições especiais que fez, acho que não é toda hora que entra um cliente tão interessado em prosa...  Apesar da pressa, fiquei quase uma hora.  16 livros é fácil saber quanto gastei.  Alguns estão na foto...  Recomendo o João Batista.


quarta-feira, 5 de agosto de 2020

SHOW DE BOLA! (105)

Acho meio vexame ser fanático depois dos 40. Maturidade é poder acrescentar novos pontos de vista às coisas importantes. É ter liberdade de usar roupa verde se quiser; de poder avaliar o jogo do maior adversário - o Verdão, claro, sem preconceitos; de poder escrever Verdão com maiúscula, em respeito aos tantos palmeirenses que conheço. Digo isso pra justificar algo que nada tem de fanatismo, antes, é um ritual bem simples:  quando o Corinthians vai para uma final de campeonato, eu compro uma camiseta nova e assisto o jogo com ela, para dar sorte.  Assim será hoje, comprei a réplica da camiseta do 1º título nacional em 1990. Naquele tempo eu era fanático:  aquela final foi na exata hora em que minha filha tinha uma apresentação na escola, no palco, e toca eu ficar dividido entre a platéia e correr lá pra fora pra saber como estava o jogo. Hoje eu não levantaria da poltrona... só puxaria o celular a cada 5 min para checar o resultado...  o coração sempre será corintiano...