sexta-feira, 21 de março de 2025

LENDO.ORG (69)

Faz um ano minha biblioteca (80%) está encaixotada. Dá saudade! Por isso movi ajuda e músculos, trouxe as caixas pra cima, abri todas (menos as "São Paulo") e, revisitando, enxuguei o acervo, direto para o bazar da AACD. A essa altura da estrada da vida temos que ter o melhor junto de nós. Os melhores amigos, o melhor papel higiênico, os melhores livros... De mil, não vou tirar 100 - "os menos melhores" - e passar adiante?  Assim fiz, enquanto a biblioteca fica à espera de novas e melhores prateleiras... Pertinho ficam aqueles 20%, os queridinhos, os certeza-da-vitória. Mesmo assim é comum acontecer de pegar pra ler o último livro que entrou... É.  Aí vale o conceito UEPS. Em 81 entrei na PUC em Ciências Contábeis, eufemismo pra Contabilidade. No primeiro dia de aula, quando o professor abriu os razonetes de débito e crédito no quadro-negro (ou lousa?) eu olhei pro Jorge, o Jorge olhou pra mim e viramos amigos instantaneamente: "Não vai dar pra ficar 4 anos vendo isso ne?!", dissemos em uníssono.  O Jorge, japonês fora da curva que gostava de barzinho (As últimas nuvens azuis do céu da alameda principal, na Jaú, seu preferido), o Jorge reoptou pra Matemática, eu reoptei pra Ciências Econômicas (vulgo Economia). Mas antes tivemos que sofrer dois semestres com Introdução à Contabilidade, de onde me ficaram mais vivos os conceitos de estoque PEPS e UEPS. E esse último mais, porque sempre aconteceu mais: UEPS - Último a Entrar, Primeiro a Sair. Pois agora mesmo, acabou de chegar o livro do mês do Clube de Literatura Clássica: Ivanhoe, de Walter Scott. Chegou e já saiu direto pra leitura! Um clássico. Por que minha mãe pronunciava esse nome em inglês, "aivanrrou", em vez do acaipirado Ivanhoé? Mistério. Um legítimo clássico. Espirituoso e divertido. Pioneiro no gênero romance histórico. Saxões x normandos, cristãos x infiéis... Código do amor cortês (lembra?)... 500 páginas daquela Idade Média, bom pra fugir dessa nossa.

Ivanhoe - romance histórico da Idade Média britânica.


terça-feira, 4 de março de 2025

LANCES URBANOS (101)

1971. Por essas e outras mantenho o Face, essa foto veio de lá, resgatando lembranças concretas. Eu tinha 8 anos e morava no prédio Alice [1], na rua 25 de Março. Lembro das palmas brancas no jardim do parque Dom Pedro II, antes desse estacionamento, um passeio frequente para minha mãe, a meros 100 metros do lar. Em [2] está o edifício Guarany, famoso projeto de Rino Levi, porém mais famoso porque atrás, enterradinho entre o prédio e a Secretaria da Fazenda, ficava (e fica, creio) o Grupo Escoteiro Parecis. Fui lobinho ali. Acampei em Ribeirão Pires, aprendi (e logo esqueci) a dar nós, a akelá era loira sueca (o chefe escoteiro também!), e era um tal de - sempre alerta! - caçar a boa ação do dia... Em [3] o Batalhão de Guarda do Exército que, voltando da escola na Mooca, eu via o sentinela na sentinela, hoje nem um nem outra, quase escombros...  Pouco acima, as obras da ligação Leste-Oeste, que foi uma ponte de safena necessária para substituir a cansada e saturada avenida Celso Garcia...  Em [4] uma falta que sinto: nunca entrei nesse colégio, a Escola Estadual São Paulo, ao lado do Caetano de Campos talvez a mais clássica dos escolas públicas paulistanas. Sua arquitetura, há 50 anos, parecia futurística...  O estacionamento gigante (primeira grande impermeabilização da cidade?) antecedeu o não menos gigante terminal de ônibus, despejando e recolhendo pessoas de manhã e à tarde, o movimento pendular que nem aos Domingos diminuía, porque no Centro estavam as maiores e melhores diversões da cidade...  Em 72 mudamos para o Bixiga e aí são outras histórias...

Quatro referências no parque Dom Pedro II em 1971. (fonte: Facebook)


Já citei o prédio Alice aqui. Se o Guarany é de 1942, o Alice deve ser da década de 30 talvez, vou pesquisar.  Apartamentos pequenos, de um quarto, na década de 60 abrigavam famílias multi-étnicas.  Lembro de árabes, armênias e japonesas, todas esperando o momento de sair dali.  O Centro ainda não degradara, mas os primeiros 300 metros da 25, entre a Rangel Pestana e a General Carneiro, era conhecido pelos galinheiros.  Isso mesmo, tinha vários galinheiros, num tempo em que matar e depenar frango em casa não era estranho. Já tinha as lojas de tecidos, é verdade, minha mãe simpatizava (quem disse que a mãe da gente não pensava bobagem?) com um Hamuche que depois ficou rico... mas o cheiro das galinhas prevalecia e as famílias (até a baiana) foram migrando para bairros mais (ou menos) cheirosos... 

Em 2012, o prédio Alice já cortiçado. À direita a rua Luis Teixeira (Beco do Corisco),
 e a seguir o arco do Beco do Pinto, que liga com o Pátio do Colégio


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

UM NOVO TEMPO... (8)

É, um filtro. Ainda tem em casa? Fui pra Minas e estranhei o filtro, só no terceiro dia experimentei, e que delícia (água quando se tem sede é das três coisas mais gostosas do universo). O que tem o filtro? Seguinte: tem que filtrar. Tem que filtrar tudo. Se não reparou repare. Filtrar pra pôr pra dentro. Filtrar pra pôr pra fora. Quem não filtra se expõe. Quem não filtra espalha. Tudo mesmo? Sempre? Isso, pensadamente, lembradamente (a gente esquece) até que se torne natural, quase imperceptível, uma arte, o filtrar. E vire fluxo cristalino, aquela fonte ininterrupta e benfazeja que admiramos nas matas... A natureza filtra, nada é excessivo. Disse o poeta que a calma sabedoria é calar, calar. Exagerou. Filtrar tá de bom tamanho. Um exercício. Agradeço (e nem sempre entendo) quem filtra. Dá vontade de inaugurar uma religião, o Filtrismo... Filtro e encerro. 

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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

SHOW DE BOLA! (113)

RPPN, chuvas, cachoeiras, Saint-Hilaire, café, escorpião... Por onde começar? Ingredientes de uma viagem show de bola... E começa que Minas é um mundo de 853 cidades. Na Serra da Canastra são pelo menos 10, dependendo de por onde se entra, ou se sai...  Entramos por Delfinópolis, saímos por São Roque de Minas, em uma Reserva Particular do Patrimônio Natural de quase 100 hectares (um Ibirapuera!) só para preservar. Explorar (quem não preserva explora?), só turisticamente. Coisa mais linda existir RPPNs. A RPPN Cachoeira do Cerradão (quem tem insta vê, eu não) tem a segunda cachoeira mais imponente entre as cento e tantas da Canastra. Estar ao pé dela, seus três andares encorpados pela chuva dos dias e das noites, foi um momento raro na vida. As trilhas são um desafio para bichos urbanos, mas é ler Saint-Hilaire pra ver que isso é fichinha. Há 200 anos, antes da independência, o francês passou 6 anos no Brasil, caminhando por picadas inexistentes, chegou até a Canastra em busca da nascente do São Francisco e relatou isso com muita sensibilidade em um de seus muitos diários que viraram livros. Pessoas assim estimulam sucessores ao longo dos séculos. Na acomodação (pra não dizer airbnb, não combina), três livros do pesquisador Sávio Freire Bruno, que dedica a vida ao pato-mergulhão, seriamente ameaçado de extinção, e que só nidifica junto à nascente do São Francisco, que a chuva e a lama não permitiram visitar. Uma vida dedicada a uma espécie em extinção... existem pessoas assim, vale enfatizar. 

E é só o primeiro andar da Cachoeira do Cerradão...

Acontece que a natureza era tanta que pintou um escorpião no quarto... E aí?  Me digam as Ana Marias, as Maria Josés e as Nancis que se dedicam ao animais de um jeito que não entendo, o que fazer numa hora dessas?  Fiz e pronto. Capitólio nuns trechos me lembrou o litoral norte, Furnas pra que te quero! Quem disse que praia de mineiro é no Espírito Santo?  Ok, Minas tem queijo, mas o que mais vi foi pés de café. Infinitas plantações de café. Dá pra entender o preço estar como está? De quebra, conheci Guaxupé. Lá choveu menos que cá. Que bom.

Salve os grandes pesquisadores e estudiosos!


sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

LENDO.ORG (68)

São Roque é a cidade do vinho, Franca é a do calçado, ok... mas quem sabe qual é a cidade do livro? Entre Botucatu e Bauru está essa jóia. O que?, dirão, eu disse, quando vi essa matéria AQUI, como pode Lençóis Paulista pretender um epíteto tão nobre, de tanta responsabilidade, ser a cidade do livro? Um dia vou conferir... E esse dia chegou. Para arrumar as ideias depois de um 2024 agitado, por que não na... cidade do livro?  Passo 3 dias lá e aproveito pra checar se essa hipótese (o sonho) que virou tese (decreto municipal) transformou a teoria em prática. Chequei, gente: transformou. Lençóis Paulista faz jus ao título. 

Na praça principal da cidade, a senhora biblioteca.

Claro que fui com ganas de desmistificar, cheguei num Domingo e me armei para atacar a cidadela da biblioteca logo na 2ª-feira cedo.  Porém ao ser recebido com um sorriso pela bibliotecária Silviane e equipe, me desarmei na hora. Espaço de paz na Biblioteca Municipal Orígenes Lessa. Simpática, organizada, bem iluminada, que abre simplesmente das 8 às 21h!  E aos Sábados das 8 às 17h.  Fala sério, ali não tem miséria com horário não! E que acervo! São 160 mil livros, contra uma população de 70 mil pessoas, uma das razões de ganhar o título: a cidade tem mais livros do que moradores. Mas isso não é nada, porque são OS LIVROS. Em síntese: por volta de 1963 o escritor Orígenes Lessa, nativo da cidade e membro da Academia Brasileira de Letras, foi convidado pelo fundador da biblioteca, o morador e literato Zanderlite Verçosa, a fazer campanhas pelo crescimento da mesma.  Publicitário que também era (criou a marca Kibom, entre outras), Orígenes arregaçou as mangas e inventou caravanas de escritores até a cidade, para que fizessem doações, e os que doassem mais livros dariam nome às avenidas, ruas e travessas, conforme a quantidade de livros doados. Pronto!  Você preferiria ter seu nome numa viela ou numa avenida? Resultado:  Jorge Amado, Manuel Bandeira, Drummond, Raquel de Queiroz, Paulo Ronai, e outros, são nomes de logradouros em um bairro. Um alinhamento de astros no céu e na terra agraciou a cidade, e a biblioteca foi crescendo... A cidade não tem sebos, porque os moradores doam livros para a B.M. Orígenes Lessa.

A seção de livros autografados no andar superior é enorme. Volumes bem conservados, embalados em capa transparente que protege e dá brilho, um primor.  Mas pensa que é só?  O melhor (ou mais nobre) está do outro lado da rua: o Espaço Cultural Cidade do Livro.  Um casarão ampliado para receber a biblioteca infantil e a área de conservação e restauro dos livros antigos que chegam, e ainda acondicionar, como devido cuidado, as obras raras mais importantes, além de revistas de época e jornais antigos. Para não ser um "depósito de livros", os funcionários fazem uma triagem atenta, e os livros repetidos são distribuídos por 2 ramais da biblioteca na cidade, e por sete "geladeirotecas" espalhadas pelos bairros. Visitei duas geladeirotecas, abri e estavam bem abastecidas, cheias da cerveja que a população da cidade gosta: livros. Salve os ébrios de Lençóis!

O Espaço Cultural Cidade do Livro merece visita guiada.

O fardão acadêmico do "imortal" José Mindlin, o maior bibliófilo brasileiro, exposto no espaço cultural, mostra a consideração que foi dada a esse empreendimento.  Passei dois dias mergulhado no acervo, pedi no balcão livros difíceis de encontrar por aí, e logo me foram entregues... Em visita guiada conheci o belo trabalho feito pela funcionária Inês e equipe, no trato às obras danificadas pelos anos de uso (ou abandono), que chegam ali pedindo socorro, e encontram.  

Geladeirotecas por toda a cidade...

Lençóis Paulista é cidade do livro por decreto municipal. Tramita em Brasília um projeto de transformá-la em cidade do livro nacional.  Aí, se cidades maiores ficarem melindradas com a pretensão da cidadezinha do interior, olha, vão ter que apresentar coisas bem consistentes para "roubar" esse título de Lençóis Paulista. Mas para tudo isso permanecer, é preciso contínuos investimentos em equipamentos, softwares, móveis, projetos de divulgação e principalmente recursos humanos. Fica a torcida para que os gestores municipais sigam incentivando essa proposta, trazendo pra cidade turistas interessados em livros. O mundo dos livros vive atacado por alienígenas de todos os lados. Amantes de livros, somos minoria indefesa, tadinhos de nós... E viva Lençóis Paulista!

terça-feira, 7 de janeiro de 2025

E AÍ? (7)

Eu, você, todos lembram onde estavam quando Senna morreu. Mas quem lembra onde estava no famoso e triste 8 de Janeiro de 2023? Eu sim, na casa do meu irmão. Muito raro eu almoçar lá, mas por aqueles dias estávamos correndo casas de repouso para hospedar meu pai, então estava lá naquele Domingo. Almoçamos, não tinha TV a cabo, fiquei zapeando os canais abertos. Na Globo rolava um filme no Temperatura Máxima, e de repente em outro canal a imagem fecha na desordem em Brasília, um bando numeroso se aproximando da praça dos Três Poderes...  E na Globo rolando o filme... Péra aí, os caras estão forçando e invadindo os prédios dos três poderes, estão vandalizando!... e a Globo tocando o filme... A essa altura da vida não tenho nada contra a Globo, o buraco é bem mais embaixo do que possam tramar as mídias tradicionais, coitadas, correndo atrás do prejuízo que o YouTube e as redes sociais trouxeram, sem volta... Foi só uma das maiores cochiladas que eu vi acontecer ao vivo na TV, a maior emissora do país "comeu bola" em uma situação bizarra que pôs em risco sim a democracia brasileira.  Quem estuda a história do país sabe quantas vezes a mesa político-democrática foi virada assim, por decisão de uns poucos. Alguém disse que o 8 de Janeiro foi uma "conspiração tabajara", em que o despreparo e a incompetência jogaram a favor da Nação. É por aí. Com um pouco mais de esmero no planejamento e na execução, forçoso dizer, teriam conseguido criar uma situação de desfecho indefinido. Viria uma guerra civil? Difícil, o brasileiro é pouco brioso... Enfim, demos sorte, o golpe não rolou. Dois anos depois, e aí? Amanhã, 8 de Janeiro de 2025, vários atos estão programados em Brasília, não para rasgar a Constituição, mas para reforçar as instituições. Inclusive a entrega do restauro de obras de arte que os aloprados destruíram naquela tarde surreal. Vamos acompanhar esses atos. Que fique como uma data histórica, contra o arbítrio, pela democracia. 
Alopração máxima em 8 de Janeiro de 2023. 
foto: UOL Notícias, in jornaltribuna.com.br


terça-feira, 17 de dezembro de 2024

LENDO.ORG (68)

Como em 2022 (aqui) e 2023 (aqui), hora de fechar a contabilidade de livros lidos, os melhores do ano, quanto gastei com livros em 2024... Se o Brasil perdeu 6,7 milhões de leitores nos últimos 5 anos, conforme pesquisa do Instituto Pró-Livro (aqui), ou seja, se a cultura brasileira tomou um 7 a 1 vergonhoso, não joguei nesse time. Li 30 livros, gastei mais R$ 4 paus neste ano com essa minha cachaça, e a menos que eu pire de tanto ler, como aconteceu com Quixote, quero bater esses números em 2025. Quem dera. Continuam dizendo que sou o aposentado mais agitado do Brasil, mas não importa. O importante é querer lê-los e conseguir cavar um tempo diário pra eles. No fim do ano é mais difícil, atarefado, por isso não estou conseguindo terminar o não ficção mais querido do ano: Em Busca da alma brasileira - Biografia de Mário de Andrade, de Jason Tércio. Um catatau de 500 páginas. Estou em 1927. Mário acabou de voltar de uma viagem de navio ao Peru. Mário, Olívia Guedes Penteado e mais três moças!  Hoje não se vai na esquina sem medo, pois Mário encarou o rio Amazonas de ponta a ponta, por três meses, sem companhia para defender as donzelas!  Um herói sem caráter? rsrs  E o livro de ficção do ano foi A Morte escarlate, de Jack London. Fininho. Quase uma novela. London cria em 1912 uma pandemia que dizimou a população do planeta, ficando uns poucos para recomeçar a sociedade. Nem se inspirou na gripe espanhola, de 1918.  A antevisão dos grandes romancistas... Por que leio tanto?  É um prazer, como todo vício, difícil de descrever. E também quero, com as leituras, me aprimorar e assim aprimorar os relacionamentos. E ainda buscar um pouco de silêncio... E você? Está com um bom livro pra deitar e curtir?  BOAS FESTAS pessoa querida! Saúde e alegrias em 2025.

Não ficção e ficção.  Os mais queridos de 2024.


quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

LANCES URBANOS (100)

Creio que Pinheiros, em São Paulo, é o bairro mais exemplar de uma "cidade de 15 minutos" (aqui). Sonho de consumo urbano: tudo perto, a poucos passos dos moradores. Por isso suas calçadas estão sempre cheias de gente pra lá e pra cá. Percebi isso ao chegar no bar Colchete para a confraternização de fim de ano do valioso coletivo Frente São Paulo pela Vida. Valioso porque a vida não é só consumir, não é só construir prédios gigantes onde existiam casas, avenidas para novos congestionamentos, túneis para os motoqueiros espocarem seus escapamentos...  A vida urbana também (e para os obtusos repito o "também") pede áreas verdes, horizontes livres, investimento em transporte coletivo, cuidado com as nascentes e córregos, para a vida ser mais completa, mais saudável. Esse desejo uniu essa galera "nota 10" uns anos atrás, pra batalhar no cotidiano uma guerra interminável por uma cidade mais justa e sustentável.  As pautas do dia são muitas: o cancelamento da obra do túnel na av. Sena Madureira (uma reunião na mesma hora impediu a turma da Vila Mariana de ir à confraternização), a rejeição na Câmara do PL 799/24, que absurdamente quer dizimar um maciço verde de 10.000 árvores para ampliar um aterro sanitário em São Mateus, a preservação do oásis de casas da Vilas do Sol em Pinheiros, o não à ampliação da rodovia Raposo Tavares sem ênfase em transporte coletivo, a criação de mais parques (como o parque Matarazzo na Casa Verde), entre outras lutas cidade afora. E assim coletivos, associações, ativistas e vereadores progressistas têm se encontrado nas ruas, nas audiências públicas, pra chacoalhar o desinteresse, brecar disparates, propor alternativas. E nessa época do ano, também para celebrar a amizade e regar esperanças. Assim seja em 2025, juntos pela vida em São Paulo.

Frente São Paulo pela Vida


segunda-feira, 18 de novembro de 2024

E AÍ? (6)

O triângulo equilátero é simpático: tem os três lados iguais, a mesma medida, equilíbrio total. De uns tempos pra cá me apaixonei pelo triângulo equilátero, mas não era assim. Explico. Sempre gostei da abordagem antroposófica, da análise da vida dividida em setênios. Subgrupos de 7 anos (setênios), formando os grande grupos das estações da vida, de 21 em 21:  Primavera até os 21 anos. Depois o Verão até os 42.  Aí começa o Outono até os 63. E então (finalmente?) o Inverno, até os 84 anos.  Bom, e depois dos 84?  A grande pensadora desse tema, a sábia senhora Gudrun Burkhard, detalhou no livro "Tomar a vida nas próprias mãos" as quatro estações, e depois lançou o "A Vida após os 80 anos", porque hoje (mais do que nunca) a vida continua depois dos 84. Muito bem, muito bonito, mas então pensei em simplificar esse entendimento esquemático (matemático?) da existência.  Não mais 4 etapas de 21 mas, veja só, 3 etapas de 30 anos.  E aí o triângulo equilátero assomou: a vida percorrida em 3 retas de igual tamanho. Do ponto A ao ponto B, os 30 anos da reta inicial, ensolarada, intensa, veloz.  Depois, do B ao C, a aresta dos 30 aos 60 anos (eta aresta boa e longa!), e finalmente a reta (a melhor?) dos 60 aos 90. Onde você está nesse desenho simplificado da vida?  Eu acabei de fazer a última curva (que como podem ver é bem aguda, como a querer cortar laços com o passado), acelerando (até quando?), do C ao A.  E aí? O que você acha? Traduz a existência? E o que vem depois dos 90 (se você teve gasolina)? A bandeira quadriculada? Vitória?

fonte: http://commons.wikimedia.org


sexta-feira, 8 de novembro de 2024

E AÍ? (5)

Observador das ruas e suas características, desde criança considero a Sena Madureira uma avenida especial.  Larga, imponente, nem tão extensa que se vulgarize (ela, na Vila Mariana, e a Dom Pedro I, no Ipiranga, minhas avenidas-alamedas, desde sempre majestosas devido ao manto verde por toda extensão). Por não morar perto, era sempre um sabor especial passar pela Sena. Por mais de 50 anos nunca imaginei um dia morar na Vila Mariana, mas aconteceu. Em 2014 mudei para cá, e me aproximei quase cotidianamente dessa senhora avenida. Nela o Rancho da Empada (onde meu pai passava com seus "casos" para um salgadinho na calada da noite, contou-me).  Nela a biblioteca Viriato Correia (que frequento com sua ampla e sempre vazia sala de leitura). Nela, em especial, o verde nada discreto, frondoso, de tantas e tantas árvores vigorosas no seu canteiro central, árvores cada dia mais necessárias...  Eis que essa senhora está sendo violentada a olhos vistos, suas árvores de décadas sendo arrancadas para privilégio e escape do todo-poderoso da hiper-modernidade, sua satanidade o carro. Trata-se de um projeto ultrapassado de túneis, que vão eliminar um congestionamento aqui para jogá-lo 500 metros ali adiante... ao custo de 500 milhões de reais! Falam tanto em violência... e o que é isso? Violência ao erário e, principalmente ao meio-ambiente urbano pensado no seu sentido mais amplo. A violência da moto-serra serrando a despeito dos gritos dos manifestantes, que ainda tinham que ouvir dos motoristas: "vão trabalhar seus vagabundos!"...  Ouvir de ignorantes que não percebem que estamos ali trabalhando sim pela vida das árvores, dos pássaros, da vida de tudo o que é vivo, inclusive a deles, negacionistas!  Enquanto isso a liminar não sai... Vai sair quando as 172 árvores (aqui) já estiverem no chão? E as famílias das comunidade atingidas na Chácara Klabin, que moram lá há décadas? E aí?  Duro esse tempo, esse sistema, em que só o deus-dinheiro é louvado.

Uma das árvores imponentes ameaçadas, na Sena Madureira. (foto: Elisa Ximenes)


quarta-feira, 23 de outubro de 2024

E AÍ? (4)

Oficialmente todos nós, de tempos em tempos, cortamos as unhas. Das mãos e, pasme!, dos pés. Então o mundo se divide entre os que nunca pensam nisso, e aqueles que, sempre que as cortam, indagam: como, ou quem, cortará as unhas dos pés da... Gisele Bundchen? E percebe que a pergunta é tola: uma pedicure estrelada vai a ela e resolve o problema. E isso certamente vale pra elas e pra eles, famosas e famosos, que usam desses serviços com pé-digree de corte. Trocadilho infame, sei, mas é pra ir direto ao assunto: e aí?  Quem corta as unhas dos pés do presidente da República? Se for o próprio, então ele não é famoso?  Ele não tem cortesão ou cortesã que corte suas unhas... no palácio?  Meu, isso não pode! Senão ele, o presidente, ao cortar as unhas no banheiro, em malabarismo difícil de pensar (que dirá de executar), pode cair, bater a cabeça e pôr todo o governo a perder!  Pois é, caiu (aqui), bateu e... vai perder? Como se a esquerda precisasse de um empurrão desses... A esquerda que acorde. Vai acordar. Pena que não vai ser (porque não tem como ser) já.

Uma ferramenta pequenina,  que pode causar estragos...


segunda-feira, 7 de outubro de 2024

LANCES URBANOS (99)

Fazendo o rescaldo do 1º turno... errei quase tudo.  Se é que alguma vez se erra alguma coisa, errei quase tudo, menos as escolhas à prefeitura e à Câmara.  Elas, as escolhas, que eram também elas, as candidatas, não se elegerem, fez parte do aprendizado delas, e do meu.  Aos 61, mais do que nunca, exercito não o físico, mas o mental e o espiritual, visando errar menos, mas isso não vem ao caso.  Por estar longe da perfeição em todos aqueles quesitos, fico a ruminar os erros.  Dei uma de negacionista com a ciência da estatística e das pesquisas e quebrei a cara.  Deu exatamente o que elas previram.  Ou viram, com os olhos da ciência.  Achei que ia acabar a gasolina de um dos três perto da reta final, mas que nada!  Iriam até o fim dos tempos com o motor a milhão, disputando voto a voto, e quis o bom Deus que em terceiro nessa corrida maluca chegasse o Dick Vigarista, ou seja, fora do 2º turno.  Errei ao negar a importância do voto útil nessa circunstância.  Deu pra ver que se não fosse ele, my God, vocês sabem o que poderia ter acontecido.  Isso é diferente de me arrepender de ter votado em quem eu tinha certeza desde Setembro do ano passado, quando Verônica, Durval, Sérgio e eu nos reunimos com ela, e logo senti que a menina é feita de firmezas.  E assim firmemente, na mesma noite em que se despediu da corrida com uma honrosa classificação, declarou seu voto para o 2º turno, o que me surpreendeu, positivamente. Temi que ela não declarasse. Errei feio!  Nossa, tô errando tanto que uma hora acerto!  Por exemplo:  ela ficou em 4º, mas dirigia uma Toleman, foi um resultado super-positivo. É noviça. Quando tiver uma McLaren ou uma Ferrari, será campeã do mundo.  (Metáforas de Fórmula 1, sugeri Viviane Senna pra vice dela, não me ouviram e foi bom, não estou em boa fase pra pitacar, mas não desisto, ainda mais quando o palpite é fácil: com uma Ferrari, será campeã do mundo!).  Tudo muda (e como!), mas a vida ainda é (aproveitemos!) feita de Sol e Lua.  Bomba atômica não quero.

Vou guardar os marca-páginas.


quarta-feira, 2 de outubro de 2024

LANCES URBANOS (98)

São Paulo vai resistir ao 3º estelionato eleitoral em 8 anos? Difícil. Diz o ditado que bicho ruim não morre. Ah, morre sim, de tanta pancada. A primeira, dessa última safra de pancadas, foi o abandono da cidade por João Dória, com um ano e três meses de "gestão", porque o tal "gestor", aquele do "trabalho, trabalho, trabalho", largou a missão levada em 1º turno nas eleições de 2016. Ninguém duvida que só o trabalho vai salvar São Paulo do túmulo. Então o tal João ter abandonado a moribunda tão cedo foi o primeiro estelionado, tremenda sacanagem. O segundo foi com Bruno Covas. Vice de Doria, assumiu quando aquele se mandou. Triste, ele já era um doente terminal quando empenhou sua palavra de dedicação a um desafio do tamanho de São Paulo, na eleição de 2020. Aí faleceu com quatro meses no cargo, deixando a cidade ao vice, um desconhecido como são 95% dos vices. Foi a 2ª sacanagem com a sofrida cidade de Anchieta, João Teodoro e Prestes Maia. E agora, 2024. E agora? Se segura na poltrona que o tranco vai ser forte! O 3º estelionato aponta no horizonte, não sei se pelas bandas de pesquisas eleitorais arbitrárias, que já dão o resultado da corrida na largada, ó canalhas! Ou se pelas bandas da introdução de um M de m*, um indecente que tem a arrogância de querer ser prefeito da nossa São Paulo! Ou ainda, se vem de um tal de "voto útil", instilado quando uma luz diferenciada aponta no céu da cidade, uma esperança que nem pode correr solta pra ver no que dá, tem que ser torpedeada como se fosse um missel invasor do "Domo de Ferro", mas não, era apenas uma esperança no céu. Ah, ia esquecendo, o estelionato ainda pode vir pela permanência do desinteressado. Tem vez que desinteresse mata.

Edifício Matarazzo, prédio da prefeitura de São Paulo.
(foto: Diego Torres Silvestre/ Wikipedia/ saopaulosecreto.com)


terça-feira, 3 de setembro de 2024

LENDO.ORG (67)

Bienal do Livro. A cada dois anos, aquela jornada de alegria ao mundo maravilhoso dos livros. A primeira em 1970, essa a 27ª, fui a 20 no mínimo. Em 1994, já com as filhas, a Noah ganhou o maior prêmio na "raspadinha" que vinha com o ingresso. Hoje, talvez uns 300 reais em livros. Foi divertido. Sempre é. E quem tem mais de 60 não paga! Você vai? No primeiro dia, na primeira hora, como fui em 2022?  Palhaçada, as bilheterias atrasaram uma hora pra abrir, claro que puxei as palmas de protesto. No primeiro dia, primeira hora, está todo mundo frio, quiçá stands por terminar...  Ir no último dia é certeza de pegar uns descontos, que a editora não quer voltar pra casa com livro no caminhão. Mas enfrentar a lotação do Domingo? A maioria nem vai pensando em conhecer o Anhembi repaginado, agora concedido a uma multinacional francesa. Será o primeiro evento no Distrito Anhembi. Não sei se gosto ou se desgosto da concessão, ou do nome, o importante é terem colocado ar condicionado, cuja ausência era uma eterna crítica ao velho espaço de exposição. Não é uma feira de descontos, como a da USP. É a Bienal. Muito mais expositores. Até o querido Clube de Literatura Clássica (aqui) vai estar lá, certamente com um stand pequeno, que eles não são uma Companhia das Letras ou uma Record. Sou sócio do CLC desde o começo e mais que recomendo, clássicos são clássicos. De 6 a 15/09. Segura o cartão, lá vai barão!
O novo Anhembi inaugura com a Bienal do Livro.
(foto: divulgação em panrotas.com.br)




quarta-feira, 21 de agosto de 2024

LANCES URBANOS (97)

Hoje o Parque do Ibirapuera completa 70 anos. Por que em 21 de Agosto e não em 25 de Janeiro quando, lá em 1954, nossa São Paulo celebrou festivamente 400 anos? Não sei. Mas sei: quem não tem lembranças no Ibira, bom paulistano não é. Nessa foto estou nele, com 16 anos. O parque era jovenzinho, meros 25. Fez as contas? 1979. É. Eu e os Country Boys, marcando presença na história do skate paulistano (e por extensão brasileiro). Quem sou eu na foto?, brinco de perguntar. Meio óbvio (acho) mas nem todos acertam (como é o mundo!). Às costas está o MAM, mas essa parede não existe mais, faz tempo que o museu tem uma fachada toda de vidro (faz sentido), na tradicional marquise que está fechada há anos. Triste ver a poeira acumulando na extensa área que é um abrigo glorioso aos frequentadores quando chove, possivelmente o marco principal do desenho que Niemeyer deu ao parque. Ele foi concedido (há quem ame, há quem odeie isso) e a marquise continua lá, vergonhosamente abandonada. Enfim, tenho para mim que o Ibira encolheu. É que tenho saudades de quando o parcão ficava meio vazio, tranquilo, nos dias de semana (frequentei-o diariamente entre 78 e 81). Hoje nos dias de semana está cheio, e aos Domingos estruba, é inviável frequentar. Sei, claro que ele não encolheu. Só que nesses 70 anos a população da cidade quadruplicou, e ele ficou o mesmo, o parque referência da cidade. Falar mal do Ibirapuera não tem cabimento. No dia do seu aniver então, nem pensar. Mas ele não ficaria quase inviável de cheio, nos fins de semana, se a cidade tivesse mais parques, no centro e na periferia. Tadinho, estão exigindo demais do Ibira setentão. Concedido então (shows, leds, merchandising), nem se fala.

No Ibira, em 1979. 




domingo, 11 de agosto de 2024

LANCES URBANOS (96)

Quem circulava pelo centro nos anos 70 e 80 lembrará de dois prédios icônicos: o Mappin e o São Vito. O primeiro era o paraíso, para não dizer o castelo encantado, das compras. O outro - extremo oposto - era o maior treme-treme da cidade, com milhares de moradores em um prédio de 27 andares, em condições precaríssimas.  Mappin e São Vito, os dois não existem mais. Porém seus fantasmas, hoje, estão ligados umbelicalmente, e vão renascer juntos, numa muito curiosa transformação.  

O antigo Mappin vai ser a sede administrativa do SESC SP

O enorme prédio do Mappin está total em obras pra ser a nova sede administrativa do SESC SP.  E no terreno do edifício São Vito, demolido em 2011, na porta do Brás, está surgindo uma nova unidade do mesmo SESC. A distância entre essas novidades é de menos de um quilômetro. Entre esses dois pontos, estão evidentes todas as mazelas sociais e urbanas que o centro viu surgir e crescer nos últimos 40 anos.  Só que... só que agora tem isso:  o SESC SP investindo forte, trazendo sua sede para o centro. Essa tremenda força indutora, ao lado de tantas coisas que já surgem no centro velho e no centro novo, e de tanta vontade acumulada de ver o centro ressurgir, renascer, resplandecer, não é de dar esperança na gente? Daí a importância de pensar bem no voto, daqui a menos de dois meses.

Onde havia o São Vito, vai surgindo uma nova unidade do SESC SP


terça-feira, 30 de julho de 2024

SHOW DE BOLA! (112)

Meu Deus como as coisas mudam! No meu tempo (faz tempo rsrs) skate era sinônimo de rock (Bob Dylan, Led Zeppelin) e punk (Sex Pistols, The Clash). Como então é isso de agora se associar - coisa incrível! - skate com Djavan? E trazendo medalha olímpica pra o Brasil! Ah, esse país é mesmo surreal, um dia engrena e vira uma potência muito estranha para o mundo ver e admirar. "Como eu estava muito ansiosa, coloquei pra tocar Um Amor Puro  (aqui) do Djavan", revelou Rayssa Leal.  E aí veio o bronze, que estava difícil, Djavan empurrou.  Ah, eu poderia escrever um livro sobre o alagoano e um sobre o skateboard.  Sobre skate já escrevi.  Sobre Djavan é projeto sem prazo escrever uma biografia não autorizada desse compositor maravilhoso. Biografia baseada no que encontrar escrito sobre ele (nem tenho coragem de marcar uma entrevista), mas especialmente baseada nas emoções fortes que sinto com sua música única, iluminada.  Pra mim, na MPB que é o que de melhor o Brasil produziu ever, Djavan é simplesmente The Best, me desculpem Chico e Gil, que vão me compreender, os grandes sabem compartilhar. E a maranhense Rayssa?  E o skate que fez parte da minha vida intensamente na adolescência?  Coisas lindas!

No Estadão de 30/07/24



quinta-feira, 25 de julho de 2024

LENDO.ORG (68)

Que seja como na ilustração, linda e alegre, a abertura das Olimpíadas Paris 2024. Estou ansioso. Talvez não supere (nenhuma vai superar) a abertura de Pequim 2008, uma coreografia de milhares de pessoas roboticamente militarizadas, espetáculo impressionante. Mas abrir as Olimpíadas com um desfile em um rio, o Sena, é também glorioso. Paris deve ser demais. Vêem os 4 prédios na imagem? Cada um deles é como um livro aberto, formam 4 livros que se olham, são a Biblioteca Nacional da França. Que mais vou dizer?  Só uma: o Estadão hoje traz matéria sobre o que estão lendo 14 atletas, dos 277 brasileiros que vão competir. Thaisa Daher, do vôlei feminino, está lendo O Jeito Harvard de ser feliz, de Shawn Achor.  Ulan Galinski, da montain bike, lê Guga, um brasileiro. Quase todos, livros de incentivo ao melhor desempenho mental. Importante. Mas Maria Paula Heitmann, da natação, lê a ficção Resgate do Tigre, para um "descanso mental pós-treino". Show! Vou acompanhar esses atletas, desde já meus favoritos. A abertura, pela primeira vez fora de um estádio,será sexta-feira às 14h30. Imperdível!
Às margens e "dentro" do rio Sena (imagem em olympics.com)


quarta-feira, 17 de julho de 2024

LANCES URBANOS (95)

Fiz bons amigos no trabalho que exerci por 38 anos. Trabalho que me permitiu um monte de coisas. Uma delas foi chegar a lugares pouco acessíveis às pessoas em geral. Amante da cidade, sempre andei com uma máquina fotográfica na cintura, tipo cartucheira mesmo, pra bater fotos diferenciadas de janelas indiscretas. São Paulo não é uma Paris, ok, mas tirei fotos bem interessantes. De uns tempos para cá, Kledson, um daqueles amigos, começou a me desafiar, clicando paisagens cifradas e mandando para eu identificar.  Modéstia à parte, acerto quase todas. Conheço a cidade como poucos, modéstia à parte 2, nesses quase 62 anos de andanças e pesquisas urbanas. Essa ele mandou mais pelo achado, pela beleza, porque não tem mistério. O prédio à esquerda é o Montreal, na esquina da Ipiranga com...  São João? Nada disso Caetano! Cásper Líbero. Prédio de Niemeyer, com afrescos de Di Cavalcanti no hall e entrada pelas duas avenidas. Meu pai morou nele por quase 10 anos, mas acabou sofrendo a tal gentrificação: os coreanos tomaram conta do prédio, e o aluguel do amplo quitinete que vários coreanos podem pagar, não pode ser pago por um baiano que recebe um salário mínimo de aposentadoria. Nem pensar. Mudou para Sapopemba em 2013, e isso é outra história. O prédio do meio, a garagem da Polícia Civil, vejam só, tomou banho de loja, a "tampa de rosca" está elegante, com emblema e acabamento novos. O da direita é uma ETEC ampla e moderna, em plena "Boca", na Santa Ifigênia. Muito bem-vinda, educação um dia vai nos resolver. Eis São Paulo, que aguarda melhor gestão a partir de 2025. 

Não é drone. Foto do amigo Kledson Jeff Green.


domingo, 30 de junho de 2024

LENDO.ORG (67)

Está engasgado um Brittadeira sobre as eleições municipais, daqui a 3 meses. Mais um estelionato eleitoral em curso. Mas fica pra depois. Falemos de livros que é melhor. Taí a matéria de hoje com essa mulher linda por fora e por dentro (ou por dentro e por fora, se preferir), Bruna Lombardi. "A literatura é a minha raiz. É onde eu comecei. É o que me sustenta. É a coisa mais próxima, mais íntima de mim, que eu tenho".  O primeiro livro dela, No Ritmo dessa Festa, comprei pelo Círculo do Livro, lembram desse simpático clube?  Tinha a revista mensal com os lançamentos, a gente escolhia, acho que mandava o cheque, chegavam pelo correio, capa dura com uma rugosidade e arte especiais, que belos livros!  Não o tenho mais, se foi nas metamorfoses por que passam nossas bibliotecas ao longo da vida. A matéria conta do "enxugamento" da biblioteca do casal 20 Lombardi Ricelli, e do filho Kim. Tô nessa faz tempo. A minha tem o limite de 1000 livros, e é curioso saber que alguns não serão lidos nessa vida. Por mim, pois sobreviverão a mim. Enfim, livros. Começou ontem a Feira do Livro no Pacaembu, vai até o próximo Domingo, com uma tenda para receber livros em doação para o RS. SOS-RS, diz o grande Eduardo Bueno. Vou levar. Quem quiser a saborosa matéria da querida Bruna, avisa que mando o PDF, que ler é um dos três prazeres sublimes da vida. 

Matéria no Estadão de 30/06/24