domingo, 28 de novembro de 2021
LENDO.ORG (48)
quarta-feira, 17 de novembro de 2021
LANCES URBANOS (73)
O Parque Augusta já está pequeno para a demanda reprimida de alegria e civilidade. Que ser urbano não quer parques? Que ser urbano não quer praças dignas, calçadões decentes, enfim, espaços para vivenciar relacionamentos, frequentar o comércio e os serviços oferecidos, gerando emprego e renda? Me refiro ao centro da cidade. Acontece que os cidadãos paulistanos estão encolhidos, embotados na vã esperança de que o poder público faça alguma coisa. ESQUECE! O poder público vive exclusivamente para si e para sua sobrevivência. Só se for pressionado, se for muito provocado, pode sair da sua paquidermice e começar a fazer coisas. Tipo: vê se acorda! Como foi com o Parque Augusta. De novo: me refiro ao centro da cidade. Região com muitos atores fortes. A Bolsa de Valores é no centro. A OAB, o Tribunal de Justiça, o Metrô, a Caixa, USP, Unesp, empresas, entidades, pessoas interessadas... Tem que unir esse povo e começar! A praça da Sé tem o Marco Zero. Na verdade o que a praça da Sé tem hoje é o marco da nossa profunda incompetência. A praça da Sé não é uma praça, é uma hecatombe social. Cidadãos, precisamos começar a nos mexer!
| Essa praia é pequena. Tem que crescer! |
sexta-feira, 12 de novembro de 2021
LANCES URBANOS (72)
quarta-feira, 3 de novembro de 2021
LANCES URBANOS (71)
quarta-feira, 27 de outubro de 2021
SHOW DE BOLA! (108)
Meu pai, que hoje faz 89, quando comprava jornal, era a Folha da Tarde. Porque esse, não sei. Com a escolaridade que tinha (semi-alfabetizado) poderia “ler” o Notícias Populares e eu entenderia muito bem. O fato é que, com pequenas interrupções, assino jornal desde os 18. Completou 40 anos, e nesse tempo de convivência com o diário impresso (raramente a Folha, quase sempre o Estadão), acho que não peguei mudança mais drástica do que essa que O Estado acaba de fazer: reduziu o tamanho do caderno. Lembro nos anos 1990, quando o mesmo revolucionou na qualidade das fotos coloridas, e foi um impacto ver aquelas fotos lindas no papel jornal. Essa agora talvez supere. O tamanho do jornal diminui, ficou mais elegante. É, chegava a ser constrangedor abrir o jornal em um barzinho ou café, todo mundo olhando no celular ou no tablet, e eu pré-histórico com aquele jornalzão difícil de dobrar, quase um papelão. Agora não, mais pocket, apresentável. Na Europa são desse tamanho, “berliner”, chique. Ainda estou acostumando a vista com o novo formato, afinal ela se acostumou com aquela navegação de olhos pelas colunas, pela páginas, sempre de trás pra frente (isso permanece). As mudanças editoriais foram bem pensadas. O conteúdo enxugou um pouquinho, mas as matérias se valorizaram, muitas ganhando página exclusiva. O meu querido Quiroga ficou (se tivesse saído eu cancelava a assinatura na hora), já vi que ficaram Nogueira, Bucci, Cantanhêde e outros que gosto. Bem, o jornal diminuiu, e se diminuir mais, desaparece, como alguns cogitam. Não creio. Talvez esse novo formato até ressuscite leitores para o jornal impresso, sou suspeito de dizer, um prazer difícil de perder...
| Comparando o novo formato do Estadão impresso. |
quinta-feira, 21 de outubro de 2021
LENDO.ORG (47)
Inflação não tem mistério:
quem tem poder aumenta preço. Quem não
tem – leia-se, o consumidor – paga. E
como as coisas que mais precisamos são as que todos precisam, a procura é
enorme, então, repito, não tem segredo:
dá-lhe inflação. O engraçado é
que quase não se ouve mais falar em “pechinchar”, pedir descontos... Compramos comodities – leite, gasolina, pãozinho,
arroz, feijão, eu ia dizer carne mas isso está mais pra extravagância... Eu pelo menos não mando no preço de nada... a
não ser no preço de livro nos sebos. Quero
ser amigo de todos os donos de sebos, bato papo, mas na hora de arrematar a
compra: amigos, amigos, negócios à
parte. Foi fazer careta quando o sebista
falou o preço das memórias do István Jancsó, que o preço despencou na hora! Ele é um comerciante experiente, sabe que
comprador de livro usado assim presencial como eu não é toda hora que aparece, e
que eu não ía levar por aquele preço... Me
olhou o João Batista (há 30 anos no ramo, foi vendedor do Brandão), afagou os quatro
volumes e mandou: leva tudo por 100! Só o livro do historiador era mais que isso...
Deu
peninha mas... amigos, amigos, negócios...
| E agora biblioteca, quais livros saem pra entrar esses? |
domingo, 10 de outubro de 2021
LENDO.ORG (46)
Tenho ido muito a sebos, mas a Livraria da Tarde é um caso à parte. Taí uma livraria agradável, bem servida de títulos (aqui), com atendimento afetuoso, e a dona, a Mônica, mineira de Juiz de Fora, um encanto... Livraria tão aconchegante que a gente fica sem jeito de pedir desconto... Navegava eu na seção de literatura estrangeira, quando Adriana, da mesa de lançamentos, pergunta: “Conhece esse livro do Boris Fausto?” Como assim, o Boris tem livro novo? Folheio nos créditos, é de 2021... Que coisa, o Boris não me avisou! Logo a mim, que lhe disse que conheço mais a vida dele do que ele mesmo, afinal já li seus outros três livros de memórias... duas vezes cada! Vai ver que ainda não teve lançamento, engoli em seco... Fiquei procurando a palavra certa pra definir o sentimento... A gente é tão melindroso né? Me vingo pensando: “ele me deu ouvidos quando disse lhe que devia escrever mais um livro de memórias, tão prazerosos são de ler"... A gente é tão pretensioso né? Mas deixei pra lá, comprando: quer saber, vou ao lançamento e levo pra ele autografar... O outro é uma coletânea de contos do Hesse, meu mais-querido nos últimos anos. A questão agora é: quais dois saem da biblioteca??
sexta-feira, 1 de outubro de 2021
LENDO.ORG (45)
Dispensei mais de 100 livros, retirados a fórceps da biblioteca, para que os novos pudessem entrar. Pensei que ia tomar vergonha e aquietar consumo, mas que nada! Foi entrar no sebo Machado de Assis, no centro, pra sair com esses: Junto ao Rio Tâmisa, relato do hoje imperador do Japão, então príncipe Naruhito, sobre seus dois anos de estudo em Oxford. Vou ler invejando esse "sabático", que eu topava nem que fosse na Unesp de Assis, que tem um curso de literatura reconhecido... Mulheres de Cabul. Harriet Logan fotografou-as oprimidas durante o taliban e depois, (quase) libertas, quando o regime caiu. Agora o regime voltou, lamentável. E A Vontade de Viver, de Wilhem Stekel, discípulo de Freud, parece que mais espiritualizado. Não sei. Não lerei nenhum agora. Vão pra estante. E quais saem??
quarta-feira, 22 de setembro de 2021
LANCES URBANOS (70)
A astrazeneca sumiu com alarde, voltou sem avisar, descobri e fui tomar a 2ª dose na Vila Nova Conceição. Ao sair do posto ouço um carrilhão repicar e o começo das surpreendentes badaladas. Nove batidas, cravando 9 da manhã. Fui procurar a origem e na rua ao lado (João Lourenço) dei com a paróquia São Dimas (o bom ladrão, crucificado ao lado de Cristo). Sino não vi, parece que tinha um megafone no alto do prédio, mas não importa, me vi morando num daqueles apartamentos colossais da V. N. Conceição, com um enorme cômodo só pra instalar a biblioteca, poltrona confortável, de lá escutando esse anacrônico toque das horas ... Desperta homem! Ao menos um bom motivo para postar no Brittadeira após longo jejum, porque a correria está insana...
quinta-feira, 12 de agosto de 2021
SAUDADES... (45)
quarta-feira, 28 de julho de 2021
SHOW DE BOLA! (107)
Há muito tempo digo que skate é esporte, entre os 3 mais praticados no país depois do futebol e da corrida (o famoso "cooper"). Já são cinco décadas de prática intensa (em 2000 lancei o livro A Onda Dura - Três Décadas de Skate no Brasil) e história colorida (com fases dark como é natural nesse esporte rebelde), culminando com as duas gloriosas medalhas de prata na modalidade street (e não acabou, semana que vem tem a modalidade park). Legal, mas na real eu não ia postar nada (ao contrario da Rio 2016, essa Olimpíada não está no meu radar, ocupado com outra encrencas), mas quando até a sóbria rádio Cultura FM apresenta uma longa crônica sobre a fadinha Rayssa Leal, e a capa do caderno Quarentena do Estadão também trata da prata de 13 anos, pensei, puxa, foi mesmo um dia legal aquela tarde de Domingo do distante ano de 1978, em que cheguei no Ibirapuera pedalando uma Caloi 10, e saí de lá vidrado em ter um skate, ao assistir uma campeonato na marquise: feras faziam manobras que eu não imaginava que existissem... É como hoje, quando tantas crianças vão descobrir as possibilidades do skate ao ver as manobras de Rayssa e Kelvin (o nosso Hoefler moreno, nada alemão como insinua o nome), e já querem praticar. Eu então pratiquei. Dos 15 aos 18 vivi intensamente o skate, me marcou a vida. Verdade que marcou mais meu irmão Fábio Bolota, que faz do skate profissão até hoje, está com vinhetas na 89FM. Vida longa ao skate brasileiro!
![]() |
| Rayssa Leal em Tóquio, prata. (foto: @worldskate) |
sábado, 24 de julho de 2021
LANCES URBANOS (69)
Botaram foto na estátua do Borba Gato. Ainda bem que ela é de concreto armado, e com dois trilhos de trem em sua estrutura, chamuscou, mas não vai cair. Faz parte da história brasileira, no séc. 17 desbravou o território levando a Minas e Goiás, terras paulistas até ganharem vida própria. Faz parte da história paulistana, quando em 1963 a estátua foi erguida e admirada pelos moradores, uma referência para quem passava o Brooklin e se aproximava de Santo Amaro, tempos de corações menos turbulentos. Tosca? Kitsch? Discutível. Símbolo de supremacistas brancos? Vamos discutir isso, cambada, antes de tacar fogo? Ou que tal antes assistir à aula do Eduardo Bueno (quem vai negar que ele é um historiador libertário) sobre Borba Gato (aqui)?
![]() |
| Aula de Eduardo Bueno sobre Borga Gato. |
terça-feira, 20 de julho de 2021
LENDO.ORG (44)
Quando estive no apartamento do editor Gumercindo Rocha Dorea, há quase 40 anos, ele já tinha mais idade do que eu hoje. E menos livros nas prateleira, porque, consumidor compulsivo deles (sei como é isso), foi muito mais acrescentando do que tirando, até ter quase todo o confortável apartamento na Aclimação tomado de livros. Sei disso porque, em Fevereiro, aos 96 anos, o sr. Gumercindo se foi (aqui)... Longa vida dedicada a lançar escritores (simplesmente Nélida Piñon e Rubem Fonseca entre eles) e divulgar ficção científica, de que foi um dos editores pioneiros. Seus filhos Guga (de quem sou amigo há quatro décadas) e Tera me receberam para rever a biblioteca e, carinhosamente, me presentearam com esses da foto. Não fizeram cerimônia, porque havia ali mais de 7 mil livros, avaliou um neto do sr. Gumercindo. Obrigado! Me proporcionaram a alegria de ter um livro que cobiçava há tempos, Cascalho, de Heriberto Sales, romance ambientado na terra de meu pai, Chapada Diamantina, e Itabuna, Minha Terra!, com essa exclamação mesmo, terra da minha mãe. Eu sou um baiano produzido em Sampa... Bem, os mais valiosos livros do seu Gumercindo estão indo a leilão (aqui). Nos vemos na sala virtual de lances!
| Satisfação dos livros ganhos da biblioteca do sr. Gumercindo. |
quinta-feira, 15 de julho de 2021
LENDO.ORG (43)
segunda-feira, 5 de julho de 2021
LENDO.ORG (42)
quinta-feira, 1 de julho de 2021
LIXA GROSSA & CIA LTDA (57)
Com a lucidez de sempre, Bucci tenta entender essa indecência.
terça-feira, 29 de junho de 2021
LANCES URBANOS (68)
São Paulo entra em sua 4ª fase de transformações radicais, se me permitem a leviandade de continuar a reflexão que Benedito Lima de Toledo abordou em seu livro São Paulo: três cidades em um século. A 1ª fase foi a de taipa, que durou 350 anos, da fundação até o início do século 20, quando começa a 2ª fase: a transformação produzida pela riqueza do café e o crescimento impressionante da cidade. Essa seguiu até o final da 2ª Grande Guerra, quando Toledo viu São Paulo entrar na 3ª fase, com os grandes empreendimentos imobiliários, em que “os símbolos urbanos, a imagem da cidade, os monumentos históricos, deixaram de entrar na composição das preocupações das autoridades”. Toledo morreu em 2019 (aqui) e não teve tempo de registrar em livro sobre a chegada da 4ª fase de transformações, a dos gigantescos empreendimentos imobiliários, em que os novos edifícios atingem tamanhos ciclópicos, na largura e na altura. Edifícios parrudos, que precisam despudoradamente eliminar quarteirões inteiros para surgir. (Vi isso claramente ontem, no Brooklin, as casas de um quarteirão inteiro sumiram, entre as avenidas Portugal e Santo Amaro). Pois é. A cidade, adoentada há muito por seus excessos, vê agora surgir demandas exponenciais, de toda sorte de infraestruturas, desconsiderando a sustentabilidade ampla da urbe. Todos os paulistanos hoje relatam exemplos de casas e vilas extintas, tráfego de caminhões carregando terra e bate-estacas petulantes. Porém não são todos que anteveem a grande confusão que tudo isso vai gerar. E não só na situação da pandemia terminar e todos os carros de praxe voltarem às ruas. É também a demanda por água e por esgoto. É também a eliminação do verde e do horizonte por tantos empreendimentos. É a demora absurda – leia-se desinteresse – em criar novos parques. São os resíduos sólidos sem nenhuma ação ou planejamento. É o centro da cidade absolutamente abandonado. Mas é, para efeito dessa rápida reflexão, a chegada com tudo da 4ª fase de alterações da cidade, com a indústria imobiliária tocando seus projetos em intensa competição de incorporadoras e construtoras, sem a batuta ativa de uma coordenação. Sem ao menos a cobrança de compensações à altura do impacto causado. E sem a batuta porque... qual é mesmo o nome do prefeito que vai tocar a cidade mais de 90% da gestão? Mas isso é assunto pra outra postagem. Querido Benedito Lima de Toledo: quem dera eu tivesse a sua capacidade, pra relatar, como é preciso, essa chocante 4ª fase de transformações da cidade.
| Sobradinhos esperando sua vez de sumirem. Brooklin - 28/06/21 |
sexta-feira, 18 de junho de 2021
LENDO.ORG (41)
"Com os primeiros ganhos do emprego, comprei o meu objeto do desejo, a coleção dos Clássicos Jackson, portentosa obra em 40 volumes. Foi minha primeira propriedade." Está na autobiografia de Boris Tabacof, "Perdidos & Achados". O executivo se foi nesta semana, aos 91 anos, depois de uma longa carreira de êxitos, cujo ápice foi a atuação na gigante de papel Suzano, da qual foi presidente do conselho. Dei com esse livro em um sebo, levei e quando ataquei não parei até a última página. Escrito sem pompa, mas não sem tempero, por quem valorizava o livro e a leitura. "Nunca tive uma bicicleta, mas meu pai me comprou o Tesouro da Juventude". E assim começou, rumo ao sucesso.
domingo, 13 de junho de 2021
LENDO.ORG (40)
Hoje Fernando Pessoa faria 133 anos. Mas isso é menos importante do que dizer que ele se foi aos 47 anos, vida curta e intensa, de pensamentos, logo sofrimentos, e breves prazeres. Esse Livro do Desassossego, na belíssima edição do Clube de Literatura Clássica (recomendo associar-se, aqui) expõe em prosa a filosofia do poeta, através de seu heterônimo menos conhecido, Bernardo Soares. É ler uma página por dia. E no dia seguinte reler... "Deus é o existirmos e isso não ser tudo." Ai... Bem, também hoje o Brittadeira completa 8 anos. Mais de 800 postagens, etc etc. Ah, é dia de Santo Antônio! Se não é a postagem da amiga Regina Maura, passava batido! Que católico desleixado!...
quinta-feira, 10 de junho de 2021
LENDO.ORG (39)
Esses livros relatam as três aventuras que lançaram Amyr Klink aos píncaros da fama, merecidamente: atravessar o Atlântico a remo, hibernar meses na Antártida (sozinho) e circun-navegar o continente gelado (em equipe). Sonhar, planejar e executar. Enfim, atrever-se. Mas o que gosto mais de Amyr é a frase, pinçada de um deles: Descobri o mar lendo. Dizer mais o que? Os três estão autografados e acabei de emprestar. Desapego? Coisa nenhuma! É confiança mesmo. Sei que voltam. (Ou melhor, sei onde buscar rsrs.)









