quinta-feira, 1 de abril de 2021

LENDO.ORG (32)

Disruptura é isso: quase ninguém mais lê livros. Será que sou injusto? Tanta gente que eu conheço faz parte de clubes de leitura... Só que eu conheço tão pouca gente, e são gente como a gente, que gosta de livros... Um punhado de gente. Quase ninguém. Sei que tem crianças e jovens que amam livros, e isso me emociona demais. São os poucos que conseguem desgrudar das telas e telinhas e dar atenção aos livros impressos, suprema experiência de leitura. Tá, essa instalaçao (não sei onde nem por quem) é super-transada, bonita, o cara é um artista, mas no fundo me dói, porque a primeira coisa que penso é: já que ninguém mais lê esses livros...

quinta-feira, 25 de março de 2021

SAUDADES... (43)

Da biblioteca de 1500 livros de Edson Calió, adquiri esses 15 títulos. 1%. Foi mais ou menos isso, 1%, o que consegui absorver da sabedoria do querido mestre de Alquimia e Xamanismo, nos três anos em que frequentei seu instituto. Edson se foi há dois meses. Saudades. Que bom ter esses livros dele comigo. 


segunda-feira, 22 de março de 2021

LENDO.ORG (31)

Maurício me presenteou com o A Teus Pés, contei aqui, e quis presenteá-lo também.  Mandei lista com 30 livros para ele escolher à vontade.  Pinçou três.  1913 - Antes da Tempestade, misto de ficção e documento que relata a Europa no ano anterior ao início da 1ª GM, tendo como personagens os intelectuais da época.  Onde estavam Picasso, Kafka, Freud, Chaplin, Tomas Mann, Virgínia Wolff, entre outros, como interagiam e viviam o momento. Se Essa Rua Fosse Minha, de Cacilda Ferreira, que colocou em livro o programete que tinha na rádio Eldorado, cada dia contando a história de um logradouro paulistano. E Mulheres da Minha Alma, de Isabel Allende, do qual nada posso falar, porque quem adora e lê todos da chilena é a Adriana. De quebra, porque achei o Mau muito humilde de escolher só três, foi Do Rock ao Clássico, crônicas em jornal escritas por Arthur Dapieve, que está todo dia na GloboNews falando de cotidiano e manja muito de música. Já estão com o Mau.  Enjoy!


domingo, 21 de março de 2021

LIXA GROSSA & CIA LTDA (54)

Cartinha no Estadão impresso de hoje.  Procela:  tempestade marítima, por extensão tumulto, agitação.  Na cartinha foi Tempestade. Tudo bem, procela é um bom sinônimo, mas tem horas que O Estado de S. Paulo parece A Província de S. Paulo!  Mas isso não importa.  O que importa é que não dá mais!!

No Estadão impresso de 21/03/21


quarta-feira, 17 de março de 2021

SHOW DE BOLA! (106)

Tão lindo quanto esse golaço, é a categoria da descrição da jogada pelos dois craques gaúchos, Falcão e Escurinho. Artistas. Desde criança lembro desse gol, mas não conhecia essa rememoração detalhada.  Comparem o nível dos craques do passado com os novos "mitos" do pedaço.  Minha nossa!  Esse gol, sozinho, me emociona.  Assistindo esse vídeo de três minutos, eu choro, como se lesse uma página maravilhosa de Herman Hesse ou ouvisse a 9ª de Beethoven. Não deixe de ver, aqui, um momento sublime do futebol brasileiro. 

Golaço!  Internacional rumo ao título brasileiro de 1976,


domingo, 7 de março de 2021

LENDO.ORG (30)

Será que não vejo Maurício Miele desde 1982, quando mudei da 9 de Julho? O irmão dele, Marcinho, vejo, ainda mora no mesmo prédio que meu irmão Fábio Bolota.  Marcinho era unha-e-carne com meu irmão Paulo, que o destino levou trágica e um cara levou criminosamente aos 17 anos. Mas é do Maurício que falo. Foi meu amiguinho amigão nos tempos da pré-adolescência e aventuras pueris no edifício Mantiqueira e ruas do Bixiga.  Honrados filhos de uma classe média baixa que valorizava estudos e  livros em um tempo de escola pública decente, competíamos para ver quem tinha mais conhecimento inútil, aqueles saberes da Barsa, Tesouro da Juventude, "Só compra quem tem" (quem lembra?). Mas não tardou que os trilhos da estrada nos afastassem totalmente, até que o Face nos reaproximou.  Posta aqui, comenta ali, outro dia ele, leitor glutão como eu, postou uma foto com seus livros da Brasiliense.  Entre eles A Teus Pés, um clássico da poesia alternativa dos anos 80. De Ana Cristina Cesar, essa sim um mito. Quando esbocei ao Mau que amava esse livro perdido, e que corria sebos para reencontrá-lo, ele de repente disse que ia me mandar o exemplar pelo correio.  Mandar como?  Tem em duplicata??  Vai mandar o seu???  Nem estiquei, mais desacreditando do que pasmando com a conversa, até que ontem o livro chegou!  Maurício!  São paulino roxo (agora diz que é Flamengo o maluquinho),  irmão da Marília e filho do Dirceu (sem esquecer a querida dona Consuelo), sobrinho do Miele famoso, família de Amparo, bixiguento da veia, casado sem filhos - só passeia o casal...  Obrigado!!!

A Teus Pés, sobre a Isto É que guardo desde 09/11/1983.


quarta-feira, 3 de março de 2021

LANCES URBANOS (64)

O Centro da cidade se deteriora a olhos vistos, e ninguém parece ligar. Praça João Mendes, 19h, dezenas de pessoas saindo dos dois grandes fóruns em direção ao metrô Sé, passando pela lateral da igreja da Sé, com o calçadão ali totalmente às escuras!  A sensação de insegurança, tão nativa nos paulistanos, cresce ao lembrar que a Sé, já há anos, não é mais o marco zero turístico da cidade, e sim o ponto de encontro e permanência de sem-tetos, sem-modos (também), sem-assistências, sem-atenção, sem-escolha...  Ah, como sempre sonhei que toda a região da João Mendes, Sé e adjacências, que frequento profissionalmente há quase 40 anos, sofresse a ação dos três grandes atores locais:  o Tribunal de Justiça, a OAB e a igreja, regidos pela batuta da prefeitura, ou melhor, da subprefeitura, a quem hoje cabe a mínima zeladoria da cidade, fazendo uma intervenção legal. Mas qual nada!  A indicação dos subprefeitos continua regida pelo interesse politiqueiro dos vereadores (aqui), como foi na gestão passada, e por que mudaria agora, se o prefeito é o mesmo? Ah, ah, como me surpreendi nesta semana, quando lendo "A Longa Viagem", memórias do poeta e político Menotti del Picchia, a sugestão dele - e proposta que ele tentou colocar na Constituição Estadual - da existência de uma "prefeitura de carreira", em que o candidato a prefeito, por concurso, deveria mostrar sua formação como engenheiro urbanista e perito em administração.  Gente, isso há 90 anos!  E isso não seria muito mais necessário agora, que a meleca está feita!
Sé às escuras.  Merecemos?  


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

LANCES URBANOS (63)

Razões objetivas me fazem dizer que o Tremembé é o bairro mais bonito de São Paulo.  "Defina beleza", você poderá contrapor.  E eu respondo na lata: olha essa foto e me diz!  É que não lembro de outro bairro que conjugue duas coisas importantes.  A 1ª, geográfica: é um bairro localizado dentro de um claro vale, o vale do córrego Tremembé, aos pés da serra e do verde do Parque Estadual da Cantareira.  A 2ª, socioeconômica: as glebas, depois os lotes, dos primeiros assentamentos, no começo do século 20, eram de tamanhos generosos, sendo procurados por imigrantes europeus (sobretudo italianos e alemães), interessados em quintais amplos e áreas verdes no entorno, lembrando suas terras ancestrais.  Resultou nesse "aprazível rincão", assim alcunhado pela escritora Leandro Dupret (de Éramos Seis), ao morar no bairro.  Avisto lá no canto superior esquerdo a casa em que morei por sete anos, no Morro dos Alemães, etc, etc.  A foto é de Fábio Dianno, que diagramou o volume 1 do São Paulo Tramway Tremembé, livro que lancei em 1999.  
Foto de Fábio Diano, obtida no grupo do Tremembé no Face.


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

LENDO.ORG (29)

Vão-se as megastore, ressurgem as pequenas livrarias de bairro como essa, a Livraria da Tarde, em Pinheiros. Um ambiente muito aprazível, quase intimista, para encontrar livros de ótima qualidade. Difícil resistir a comprar pelo menos um (comprei 5!). Sua proprietária, Monica, ótima prosa e generosa, contou que ficou feliz ao saber que outras duas pequenas livrarias estão abrindo, em Pompéia e no Brooklin. Claro que comprar livros pela internet tem o seu barato. Mas sentir a atmosfera de uma livraria e tudo que a envolve (a decoração, funcionários, outros clientes e, claro, os livros), não tem preço, não pode acabar.

sábado, 6 de fevereiro de 2021

LENDO.ORG (28)

Lá atrás, jurei que nunca entraria no shopping Bourbon, com sua arquitetura de "peru-no-pires", como dizem os arquitetos sobre obras que ocupam muito além da área do terreno.  Mas acabou que fui morar em Perdizes e, pior,  abriram uma livraria Cultura lá!  Resultado: como bom cristão, quebrei a jura, muito mais que três vezes...  Por isso é estarrecedor saber que a Cultura acaba de fechar a loja do shopping Bourbon (aqui).  Nem consta mais do site da livraria.  Era uma loja linda, como todas as desta livraria que nasceu em 1947, na casa da família Herz, em um sobrado na rua Lorena.  Só a loja do shopping Iguatemi não tem o design característico, do arquiteto Fernando Brandão.  A do shopping Market Place resiste.  Fechou também a do shopping Villa Lobos. Fica o desejo que tombem, como patrimônio cultural. a maravilhosa loja do Conjunto Nacional, antes que decidam fechá-la, o que não seria apenas o final de uma era mas, como dizem alguns, seria o próprio fim do mundo!

Livraria Cultura no shopping Bourbon.  Já era. (imagem: site do shopping)


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

LANCES URBANOS (62)

Já xinguei muito no Face essa tremenda barbeiragem do prefeito.  Agora, passando na peneira, fica o mais triste, a meu ver:  não tinha ninguém para alertar o cabeça-de-vento que era sem cabimento ir ao Maracanã aglomerar (aqui), quando a cidade que dirige está em fase vermelha para a pandemia?  Ninguém para dizer que líder dá o exemplo?  Ninguém para lembrá-lo que vinha de uma licença-saúde de 10 dias, e se já estava bom, tinha ter reassumido imediatamente para encarar os enormes desafios da cidade, em vez de passear?   Ou alguém disse, e o prefeito não deu ouvidos?... Uma coisa ou outra, que triste!  

São Paulo na fase vermelha, e o prefeito aglomerando no Maracanã... (foto: imagem UOL)

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

LANCES URBANOS (61)

São Paulo completa 467 anos, mas temos mesmo razão para comemorar?  Fui ao Centro semana passada. Total abandono!   Muitas lojas e espaços fechados, não só devido à pandemia, mas pela profunda deterioração urbana.  A obra no vale do Anhangabaú é um acinte, com uma tremenda impermeabilização, com seus postes de iluminação arrogantes. Será uma ilha fotogênica (por quanto tempo?), enquanto, em toda volta, os calçadões encardidos estão dominados pelo descaso, pela desassistência. E nenhum sinal de que isso vai mudar.  Ao mesmo tempo, o prefeito eleito e empossado há menos de um mês, está de licença-saúde há quase 10 dias.  Claro que ele precisa cuidar da sua saúde.  Mas quem vai cuidar da saúde da cidade?

Anhangabaú visto do viaduto Santa Ifigênia (01/21)

sábado, 23 de janeiro de 2021

LENDO.ORG (27)

Dos momentos mais prazerosos:  trocar o vale-presente na Livraria da Vila.  Enquanto Saraiva e Cultura encolhem, descubro no marca-páginas que a da Vila tem 7 lojas em Sampa. O nome deve vir de Vila Madalena, então fui à matriz.  Da lista que levei, só achei o nobel Kazuo Ishiguro.  Espero encontrar o texto elegante de Os Vestígios do Dia neste O Gigante Enterrado. Aí, zapeando nas estantes, sai com: Torto Arado, romance premiado de escritor jovem, vamos conhecer. Monica de Bolle é uma economista que pensa a economia fora da caixinha. Li a introdução, foi como se A Pilha de Areia acabasse de sair do forno: fala da pandemia, dos riscos da 2º onda...  Eu Sou Dinamite, biografia de Nietzsche, uma boa pra saber mais do longínquo e próximo século 19.  E Pelas Paredes, memórias de Marina Abramovic, creio que a mulher mais radical hoje no planeta.  Consola ficar mais velho receber vale-livro.  Valeu filha!




quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

LIXA GROSSA & CIA LTDA (53)

No Itaim Bibi tremula a bandeira verde-amarela descuidada, esfarrapada. Retrata o pior momento do país desde a volta da democracia, há 36 anos...  De tão fundo no poço, dá um gostinho de pensar que uma hora o Brasil recupera a autoestima, com uma postura decente frente aos desafios.  E cresce.  E uma bandeira bonita volta a tremular...
Rua Clodomiro Amazonas, Itaim Bibi, 20/01/21


segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

LENDO.ORG (26)

Jornal, revista, livro...  são as armas que me interessam pra enfrentar os desafios da semana, do mês, da vida...




terça-feira, 29 de dezembro de 2020

LENDO.ORG (25)

Qual seu clássico preferido?  Um romance, um autor...  Neste ano o meu foi Frankenstein, de Mary Shelley.  No momento estou vidrado em Herman Hesse, querendo passar todo 2021 lendo seus romances.  Matéria no Estadão mostrou pré-adolescentes e jovens que acordam já dispostos a abrir um clássico: Kafka, Jorge Amado, Agatha Christie...   Assim que é bom!  Um livro por dia: nem sabe o bem que lhe fazia...  Adoro essa frase!
No Estadão de 28/12/20


sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

LENDO.ORG (24)

Li 25 livros neste ano. Sei porque anoto o dia em que termino, o autor, a editora e, aí é que são elas, a avaliação de cada um. Nota mais alta para o que me emociona mais. Esses dois tiraram 9,5.  Um é monstruoso de bom. Frankenstein, de Mary Shelley.  Como ela pôde escrever essa obra-prima com apenas 19 anos? Um tratado sobre a soberba humana, que pode levar à destruição.  Mas também sobre o amor.  Um livro profundamente humano. Recomendo demais.  O outro encontrei em um sebo na Penha.  R$ 5,00. Peguei na hora, lembrando do filme que possivelmente mais assisti na vida:  Horizonte Perdido, de James Hilton. Foi difícil ler sem ambientar as páginas do livro nas cenas do filme...  Enfim, um faz jus ao outro. Basta dizer que esse romance criou a idílica cidade de Shangri-lá, no Tibete remoto, onde se pode viver 200 anos, com saúde de 40, desde que...  bem, leia o livro pra saber. Boas Festas!



sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

LENDO.ORG (23)

Quem hoje sai da mesa ou da poltrona para buscar na prateleira um dicionário de papel? Por que buscar aquele catatau de 3 quilos e perder, desajeitadamente, um minuto ou dois só pra encontrar a palavra desejada, se hoje o celular pesa 50 gramas, e o tempo para achar "exceção" ou "fleuma" é de... 3 segundos!?  . Bem, não estando essa facilidade disponível para a humanidade de 20 anos para trás, o Dicionário Aurélio vendeu, só ele, 15 milhões de exemplares, número retumbante nunca antes ou depois alcançado pela indústria editorial brasileira.  Sempre tive um Aurélio por perto, desde 1975, quando saiu a 1ª edição.  Parece até que já estava antes, de tanto que era um utensílio necessário em casa, como um liquidificador ou um secador de cabelos...  Minha mãe usava muito essas três coisas. Eu só o Aurélio...  Por isso quando soube do lançamento do Por Trás das Palavras, de Cezar Motta, com a história da gestação e parto do dicionário, entrei na hora no site da editora, comprei, chegou, devorei em três dias.  E que história! Com direito a rasteiras e ações judiciais.  O Aurélio era um gênio filológico, mas também era muito esperto. Espertinho, sabe? Talvez o nome mais correto para a obra fosse Novo Dicionário Aurélio - Campelo da Língua Portuguesa.  Mas não foi. Os bastidores dessa saga estão neste livro saboroso.  Recomendo. 


quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

LANCES URBANOS (60)

Só nos piores pesadelos rolaria a proposta de transformar o Ginásio do Ibirapuera em um shopping center, além da destruição da pista de atletismo e a eliminação das piscinas olímpicas. Mas é o que está acontecendo na realidade (aqui). Inacreditável! Essa cartinha saiu no Estadão impresso de hoje. Está marcado um abraço no Ginásio nesse Domingo, dia 06, às 9h. Com todos os cuidados e máscaras, vamos lá protestar contra esse insulto!

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

SAUDADES... (42)

Guardo essa foto há 30 anos. Foi uma jogada linda do gênio. Copa de 90.  Maradona manda o Brasil para o espaço. Passa por três brasileiros como um relâmpago, como um chicote ardido,  e no instante da foto enfia para Cannigia finalizar, Argentina 1 Brasil 0. Um dos gols mais lindos que vi.  Dos que vi jogar, o maior.  Estou triste pra cacete!

Diego Armando Maradona (1960 - 2020)