quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

LANCES URBANOS (63)

Razões objetivas me fazem dizer que o Tremembé é o bairro mais bonito de São Paulo.  "Defina beleza", você poderá contrapor.  E eu respondo na lata: olha essa foto e me diz!  É que não lembro de outro bairro que conjugue duas coisas importantes.  A 1ª, geográfica: é um bairro localizado dentro de um claro vale, o vale do córrego Tremembé, aos pés da serra e do verde do Parque Estadual da Cantareira.  A 2ª, socioeconômica: as glebas, depois os lotes, dos primeiros assentamentos, no começo do século 20, eram de tamanhos generosos, sendo procurados por imigrantes europeus (sobretudo italianos e alemães), interessados em quintais amplos e áreas verdes no entorno, lembrando suas terras ancestrais.  Resultou nesse "aprazível rincão", assim alcunhado pela escritora Leandro Dupret (de Éramos Seis), ao morar no bairro.  Avisto lá no canto superior esquerdo a casa em que morei por sete anos, no Morro dos Alemães, etc, etc.  A foto é de Fábio Dianno, que diagramou o volume 1 do São Paulo Tramway Tremembé, livro que lancei em 1999.  
Foto de Fábio Diano, obtida no grupo do Tremembé no Face.


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

LENDO.ORG (29)

Vão-se as megastore, ressurgem as pequenas livrarias de bairro como essa, a Livraria da Tarde, em Pinheiros. Um ambiente muito aprazível, quase intimista, para encontrar livros de ótima qualidade. Difícil resistir a comprar pelo menos um (comprei 5!). Sua proprietária, Monica, ótima prosa e generosa, contou que ficou feliz ao saber que outras duas pequenas livrarias estão abrindo, em Pompéia e no Brooklin. Claro que comprar livros pela internet tem o seu barato. Mas sentir a atmosfera de uma livraria e tudo que a envolve (a decoração, funcionários, outros clientes e, claro, os livros), não tem preço, não pode acabar.

sábado, 6 de fevereiro de 2021

LENDO.ORG (28)

Lá atrás, jurei que nunca entraria no shopping Bourbon, com sua arquitetura de "peru-no-pires", como dizem os arquitetos sobre obras que ocupam muito além da área do terreno.  Mas acabou que fui morar em Perdizes e, pior,  abriram uma livraria Cultura lá!  Resultado: como bom cristão, quebrei a jura, muito mais que três vezes...  Por isso é estarrecedor saber que a Cultura acaba de fechar a loja do shopping Bourbon (aqui).  Nem consta mais do site da livraria.  Era uma loja linda, como todas as desta livraria que nasceu em 1947, na casa da família Herz, em um sobrado na rua Lorena.  Só a loja do shopping Iguatemi não tem o design característico, do arquiteto Fernando Brandão.  A do shopping Market Place resiste.  Fechou também a do shopping Villa Lobos. Fica o desejo que tombem, como patrimônio cultural. a maravilhosa loja do Conjunto Nacional, antes que decidam fechá-la, o que não seria apenas o final de uma era mas, como dizem alguns, seria o próprio fim do mundo!

Livraria Cultura no shopping Bourbon.  Já era. (imagem: site do shopping)


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

LANCES URBANOS (62)

Já xinguei muito no Face essa tremenda barbeiragem do prefeito.  Agora, passando na peneira, fica o mais triste, a meu ver:  não tinha ninguém para alertar o cabeça-de-vento que era sem cabimento ir ao Maracanã aglomerar (aqui), quando a cidade que dirige está em fase vermelha para a pandemia?  Ninguém para dizer que líder dá o exemplo?  Ninguém para lembrá-lo que vinha de uma licença-saúde de 10 dias, e se já estava bom, tinha ter reassumido imediatamente para encarar os enormes desafios da cidade, em vez de passear?   Ou alguém disse, e o prefeito não deu ouvidos?... Uma coisa ou outra, que triste!  

São Paulo na fase vermelha, e o prefeito aglomerando no Maracanã... (foto: imagem UOL)

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

LANCES URBANOS (61)

São Paulo completa 467 anos, mas temos mesmo razão para comemorar?  Fui ao Centro semana passada. Total abandono!   Muitas lojas e espaços fechados, não só devido à pandemia, mas pela profunda deterioração urbana.  A obra no vale do Anhangabaú é um acinte, com uma tremenda impermeabilização, com seus postes de iluminação arrogantes. Será uma ilha fotogênica (por quanto tempo?), enquanto, em toda volta, os calçadões encardidos estão dominados pelo descaso, pela desassistência. E nenhum sinal de que isso vai mudar.  Ao mesmo tempo, o prefeito eleito e empossado há menos de um mês, está de licença-saúde há quase 10 dias.  Claro que ele precisa cuidar da sua saúde.  Mas quem vai cuidar da saúde da cidade?

Anhangabaú visto do viaduto Santa Ifigênia (01/21)

sábado, 23 de janeiro de 2021

LENDO.ORG (27)

Dos momentos mais prazerosos:  trocar o vale-presente na Livraria da Vila.  Enquanto Saraiva e Cultura encolhem, descubro no marca-páginas que a da Vila tem 7 lojas em Sampa. O nome deve vir de Vila Madalena, então fui à matriz.  Da lista que levei, só achei o nobel Kazuo Ishiguro.  Espero encontrar o texto elegante de Os Vestígios do Dia neste O Gigante Enterrado. Aí, zapeando nas estantes, sai com: Torto Arado, romance premiado de escritor jovem, vamos conhecer. Monica de Bolle é uma economista que pensa a economia fora da caixinha. Li a introdução, foi como se A Pilha de Areia acabasse de sair do forno: fala da pandemia, dos riscos da 2º onda...  Eu Sou Dinamite, biografia de Nietzsche, uma boa pra saber mais do longínquo e próximo século 19.  E Pelas Paredes, memórias de Marina Abramovic, creio que a mulher mais radical hoje no planeta.  Consola ficar mais velho receber vale-livro.  Valeu filha!




quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

LIXA GROSSA & CIA LTDA (53)

No Itaim Bibi tremula a bandeira verde-amarela descuidada, esfarrapada. Retrata o pior momento do país desde a volta da democracia, há 36 anos...  De tão fundo no poço, dá um gostinho de pensar que uma hora o Brasil recupera a autoestima, com uma postura decente frente aos desafios.  E cresce.  E uma bandeira bonita volta a tremular...
Rua Clodomiro Amazonas, Itaim Bibi, 20/01/21


segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

LENDO.ORG (26)

Jornal, revista, livro...  são as armas que me interessam pra enfrentar os desafios da semana, do mês, da vida...




terça-feira, 29 de dezembro de 2020

LENDO.ORG (25)

Qual seu clássico preferido?  Um romance, um autor...  Neste ano o meu foi Frankenstein, de Mary Shelley.  No momento estou vidrado em Herman Hesse, querendo passar todo 2021 lendo seus romances.  Matéria no Estadão mostrou pré-adolescentes e jovens que acordam já dispostos a abrir um clássico: Kafka, Jorge Amado, Agatha Christie...   Assim que é bom!  Um livro por dia: nem sabe o bem que lhe fazia...  Adoro essa frase!
No Estadão de 28/12/20


sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

LENDO.ORG (24)

Li 25 livros neste ano. Sei porque anoto o dia em que termino, o autor, a editora e, aí é que são elas, a avaliação de cada um. Nota mais alta para o que me emociona mais. Esses dois tiraram 9,5.  Um é monstruoso de bom. Frankenstein, de Mary Shelley.  Como ela pôde escrever essa obra-prima com apenas 19 anos? Um tratado sobre a soberba humana, que pode levar à destruição.  Mas também sobre o amor.  Um livro profundamente humano. Recomendo demais.  O outro encontrei em um sebo na Penha.  R$ 5,00. Peguei na hora, lembrando do filme que possivelmente mais assisti na vida:  Horizonte Perdido, de James Hilton. Foi difícil ler sem ambientar as páginas do livro nas cenas do filme...  Enfim, um faz jus ao outro. Basta dizer que esse romance criou a idílica cidade de Shangri-lá, no Tibete remoto, onde se pode viver 200 anos, com saúde de 40, desde que...  bem, leia o livro pra saber. Boas Festas!



sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

LENDO.ORG (23)

Quem hoje sai da mesa ou da poltrona para buscar na prateleira um dicionário de papel? Por que buscar aquele catatau de 3 quilos e perder, desajeitadamente, um minuto ou dois só pra encontrar a palavra desejada, se hoje o celular pesa 50 gramas, e o tempo para achar "exceção" ou "fleuma" é de... 3 segundos!?  . Bem, não estando essa facilidade disponível para a humanidade de 20 anos para trás, o Dicionário Aurélio vendeu, só ele, 15 milhões de exemplares, número retumbante nunca antes ou depois alcançado pela indústria editorial brasileira.  Sempre tive um Aurélio por perto, desde 1975, quando saiu a 1ª edição.  Parece até que já estava antes, de tanto que era um utensílio necessário em casa, como um liquidificador ou um secador de cabelos...  Minha mãe usava muito essas três coisas. Eu só o Aurélio...  Por isso quando soube do lançamento do Por Trás das Palavras, de Cezar Motta, com a história da gestação e parto do dicionário, entrei na hora no site da editora, comprei, chegou, devorei em três dias.  E que história! Com direito a rasteiras e ações judiciais.  O Aurélio era um gênio filológico, mas também era muito esperto. Espertinho, sabe? Talvez o nome mais correto para a obra fosse Novo Dicionário Aurélio - Campelo da Língua Portuguesa.  Mas não foi. Os bastidores dessa saga estão neste livro saboroso.  Recomendo. 


quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

LANCES URBANOS (60)

Só nos piores pesadelos rolaria a proposta de transformar o Ginásio do Ibirapuera em um shopping center, além da destruição da pista de atletismo e a eliminação das piscinas olímpicas. Mas é o que está acontecendo na realidade (aqui). Inacreditável! Essa cartinha saiu no Estadão impresso de hoje. Está marcado um abraço no Ginásio nesse Domingo, dia 06, às 9h. Com todos os cuidados e máscaras, vamos lá protestar contra esse insulto!

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

SAUDADES... (42)

Guardo essa foto há 30 anos. Foi uma jogada linda do gênio. Copa de 90.  Maradona manda o Brasil para o espaço. Passa por três brasileiros como um relâmpago, como um chicote ardido,  e no instante da foto enfia para Cannigia finalizar, Argentina 1 Brasil 0. Um dos gols mais lindos que vi.  Dos que vi jogar, o maior.  Estou triste pra cacete!

Diego Armando Maradona (1960 - 2020)


segunda-feira, 19 de outubro de 2020

LENDO.ORG (22)

Nunca pensei que gostar de ler pudesse ter contra-indicação, mas estava enganado, vejam só... 



quinta-feira, 8 de outubro de 2020

SAUDADES... (41)

Faz cinco dias que se foi Zuza Homem de Mello...   Não fiz essa postagem antes por pura correria.  Na verdade quase desistia, mas bastava ouvir sua voz em uma das tantas homenagens que até hoje fazem,  ou ver uma foto sua, pronto, eu dizia que tinha a obrigação de postar, simplesmente porque a voz do Zuza é inconfundível, porque seu conhecimento da MPB é super-profundo e a forma de transmitir, super-popular, como nossa melhor música.  Além diz, em quase todas as fotos ele aparece sorrindo...  Meu sonho de consumo:  estar sempre sorrindo, transmitindo conhecimentos.  A gente sabia que sua fala sempre traria uma informação interessante e gostosa de ouvir sobre música.  Zuza, um cara realmente especial...  
Zuza Homem de Mello (1933 - 2020)
(foto: Daniel Teixeira/ Estadão Conteúdo, in g1.globo.com)






segunda-feira, 5 de outubro de 2020

LANCES URBANOS (59)

 "Sem um centro, não existem periferias".  Parece um postulado matemático, não?  Mas foi essa exata frase que o editor da seção de cartas do Estadão cortou.  Tudo bem, o importante é ser publicado rsrs, mas insisto na ideia: as periferias de São Paulo só existem porque um dia, lá atrás, houve um centro digno, referência.  Hoje o centro está abandonado, para não dizer destruído. E no debate nenhum candidato citou o centro.  Que lástima!

Cartinha no jornal impresso de 03/10/2020



quinta-feira, 1 de outubro de 2020

SAUDADES... (40)

Verdade que Mafalda já nasceu grandinha mas, de todo modo, temos a mesma idade, somos de 1963.  E se o pai dela, Quino, nasceu em Julho de 1932, meus pais são de Maio e Outubro do mesmo ano.  Sei que essas coincidências, se dizem muito para mim, certamente não significam nada para quem lê, mas não resisti contar, desculpem. Tenho o Toda Mafalda, mas procurando encontrei antes a publicação Gente, com quadrinhos e cartuns mostrando que Quino não era só a Mafalda não... Ele se foi ontem, deixando fãs no mundo inteiro...
Quino (1932-2020)




sábado, 26 de setembro de 2020

LIXA GROSSA & CIA LTDA (52)

Vamos combinar que faltava rolar na grande imprensa uma pequena chacoalhada, pra fazer lembrar e relembrar o triste momento sócio-político que o país atravessa.  A autora dessa singela ousadia foi Carol Solberg, jogadora de vôlei de praia que eu não conhecia, tive o prazer de conhecer e saber, inclusive, que ela é filha da icônica jogadora de vôlei Isabel (por que icônica, aqui). Carol disse isso aqui ao final de uma competição. Olha, eu nunca curti vôlei de praia, mas vou dizer que estou começando a amar!

Carol Solberg
foto Wander Roberto/ InovaFoto/ CBV


domingo, 20 de setembro de 2020

LIXA GROSSA & CIA LTDA (51)

Assinante do Estadão, deu vontade de ler a Folha nesse Domingão. Não troco aquele por este, mas às vezes é legal sentir novos ares, uma abordagem diferente, desde a diagramação até variar os articulistas, que no Domingo são os melhores, creio.  Li a croniquinha do sempre delicioso Ruy Castro, que teve a manha de, ao falar de Dóris Monteiro, me relembrar músicas lindas da infância, como essa aqui.  Li outras coisinhas, e lembrei também que o Folha tem charges.  Olha essa, my God!  Nesse aspecto a Folha ganha: o Estadão não tem charges!
Charge de Jean Galvão na Folha de 20/09/2020



sábado, 12 de setembro de 2020

SAUDADES... (39)

Me formei em Economia há 33 anos, e nesse período oscilei grandes proximidades (fui analista financeiro) e enormes distanciamentos (passei anos sem abrir o caderno de Economia dos jornais) dos affairs dessa atividade.  Porém sempre admirei economistas em que percebesse uma pitada (grande ou pequena) de humanidade.  Afinal, Economia é uma carreira de Humanas, ligada a como concatenar todas as atividades que nós, humanos, inventamos de criar. Trata a Economia de fazer a máquina andar com o maior benefício para toda a sociedade.  Pelo menos esse é o desejo.  E aí é que entra a admiração por Amir Khair.  Seus textos, que lia no Estadão, me cativavam pela preocupação com a busca da melhor atuação econômica pelo Estado.  Taxa de juros elevada, lucros gigantescos dos bancos, dinheirama das reservas cambiais parada no Banco Central, tudo isso o preocupava, pois afetava a vida da população.  Assim um dia o chamei por email para fazer parte do grupo Caros, que toquei por uns anos.  Ele aceitou.  E respondia às mensagens que eu enviava, mostrando um grande caráter.  Foi secretário das Finanças da cidade no governo Erundina. Hoje de manhã dou com a notícia de sua morte (aqui), e fico sinceramente chateado...

Amir Khair (1940-2020)
(foto: Tamna Waqued/ fiesp.com.br)