quarta-feira, 22 de setembro de 2021

LANCES URBANOS (70)

A astrazeneca sumiu com alarde, voltou sem avisar, descobri e fui tomar a 2ª dose na Vila Nova Conceição. Ao sair do posto ouço um carrilhão repicar e o começo das surpreendentes badaladas.  Nove batidas, cravando 9 da manhã.  Fui procurar a origem e na rua ao lado (João Lourenço) dei com a paróquia São Dimas (o bom ladrão, crucificado ao lado de Cristo).  Sino não vi, parece que tinha um megafone no alto do prédio, mas não importa, me vi morando num daqueles apartamentos colossais da V. N. Conceição, com um enorme cômodo só pra instalar a biblioteca, poltrona confortável, de lá escutando esse anacrônico toque das horas ... Desperta homem!  Ao menos um bom motivo para postar no Brittadeira após longo jejum, porque a correria está insana...



quinta-feira, 12 de agosto de 2021

SAUDADES... (45)

Hoje partiu Tarcísio. Partiram antes os Cláudios, Cavalcanti e Marzo.  Três grandes da teledramaturgia brasileira.  Cada um com seu estilo.  Claudio Cavalcanti, com sua doçura nervosa.  Claudio Marzo, mais soturno, tendendo para o feroz.  Tarcísio Meira, o galã por excelência, distante em sua altura quase olímpica. Os três protagonizaram minha primeira novela, aos 7 anos, em 1970.  Fui noveleiro na infância e pré-adolescência, no período em que Tupi e Globo brigavam pelas novelas mais carismáticas.  Era novela pra dar com pau, às 18, 19, 20h30 e 22horas. Cenas inesquecíveis.  Mas se num estalo me pedissem a novela que mais ficou na memória e no coração, seria essa primeira, Irmãos Coragem. Muita ação, muita emoção, maniqueísmo bem X mal em preto e branco.  João, o primogênito, Tarcísio.  Saudades...
Claudio Cavalcanti, Tarcísio Meira e Claudio Marzo.  Irmãos Coragem.
(foto: noticiasdatv.uol.com.br)



quarta-feira, 28 de julho de 2021

SHOW DE BOLA! (107)

Há muito tempo digo que skate é esporte, entre os 3 mais praticados no país depois do futebol e da corrida (o famoso "cooper").  Já são cinco décadas de prática intensa (em 2000 lancei o livro A Onda Dura - Três Décadas de Skate no Brasil) e história colorida (com fases dark como é natural nesse esporte rebelde), culminando com as duas gloriosas medalhas de prata na modalidade street (e não acabou, semana que vem tem a modalidade park).  Legal, mas na real eu não ia postar nada (ao contrario da Rio 2016, essa Olimpíada não está no meu radar, ocupado com outra encrencas), mas quando até a sóbria rádio Cultura FM apresenta uma longa crônica sobre a fadinha Rayssa Leal, e a capa do caderno Quarentena do Estadão também trata da prata de 13 anos, pensei, puxa, foi mesmo um dia legal aquela tarde de Domingo do distante ano de 1978, em que cheguei no Ibirapuera pedalando uma Caloi 10, e saí de lá vidrado em ter um skate, ao assistir uma campeonato na marquise: feras faziam manobras que eu não imaginava que existissem...  É como hoje, quando tantas crianças vão descobrir as possibilidades do skate ao ver as manobras de Rayssa e Kelvin (o nosso Hoefler moreno, nada alemão como insinua o nome), e já querem praticar.  Eu então pratiquei.  Dos 15 aos 18 vivi intensamente o skate, me marcou a vida.  Verdade que marcou mais meu irmão Fábio Bolota, que faz do skate profissão até hoje, está com vinhetas na 89FM. Vida longa ao skate brasileiro!

Rayssa Leal em Tóquio, prata.  (foto: @worldskate)


sábado, 24 de julho de 2021

LANCES URBANOS (69)

Botaram foto na estátua do Borba Gato. Ainda bem que ela é de concreto armado, e com dois trilhos de trem em sua estrutura, chamuscou, mas não vai cair.  Faz parte da história brasileira, no séc. 17 desbravou o território levando a Minas e Goiás, terras paulistas até ganharem vida própria.  Faz parte da história paulistana, quando em 1963 a estátua foi erguida e admirada pelos moradores, uma referência para quem passava o Brooklin e se aproximava de Santo Amaro, tempos de corações menos turbulentos. Tosca?  Kitsch? Discutível.  Símbolo de supremacistas brancos? Vamos discutir isso, cambada, antes de tacar fogo?  Ou que tal antes assistir à aula do Eduardo Bueno (quem vai negar que ele é um historiador libertário) sobre Borba Gato (aqui)? 

Aula de Eduardo Bueno sobre Borga Gato.


terça-feira, 20 de julho de 2021

LENDO.ORG (44)

Quando estive no apartamento do editor Gumercindo Rocha Dorea, há quase 40 anos, ele já tinha mais idade do que eu hoje.  E menos livros nas prateleira, porque, consumidor compulsivo deles (sei como é isso), foi muito mais acrescentando do que tirando, até ter quase todo o confortável apartamento na Aclimação tomado de livros. Sei disso porque, em Fevereiro, aos 96 anos, o sr. Gumercindo se foi (aqui)...  Longa vida dedicada a lançar escritores (simplesmente Nélida Piñon e Rubem Fonseca entre eles) e divulgar ficção científica, de que foi um dos editores pioneiros.  Seus filhos Guga (de quem sou amigo há quatro décadas) e Tera me receberam para rever a biblioteca e,  carinhosamente, me presentearam com esses da foto. Não fizeram cerimônia, porque havia ali mais de 7 mil livros, avaliou um neto do sr. Gumercindo. Obrigado! Me proporcionaram a alegria de ter um livro que cobiçava há tempos, Cascalho, de Heriberto Sales, romance ambientado na terra de meu pai, Chapada Diamantina, e Itabuna, Minha Terra!, com essa exclamação mesmo, terra da minha mãe.  Eu sou um baiano produzido em Sampa...   Bem, os mais valiosos livros do seu Gumercindo estão indo a leilão (aqui).  Nos vemos na sala virtual de lances! 

Satisfação dos livros ganhos da biblioteca do sr. Gumercindo.



quinta-feira, 15 de julho de 2021

LENDO.ORG (43)

Antigamente era assim: a gente lia uma resenha no jornal, se interessava e ia na livraria comprar.  Antigamente nada!  Foi assim mesmo: li a resenha no Estadão, no ato me interessei.  Mas aí pensei que seria um bom presente pra pedir de dia dos pais...  Só que não. Passando pelo Itaim Bibi, não resisti à tentação de esticar até a simpática livraria Vírgula e desafiá-los:  teriam um exemplar do recém-lançado livro da professora Leyla Perrone-Moisés?  Tinham!  Levei.  Leyla é uma das mais experientes e conhecidas professoras de literatura da USP, e relata a convivência direta que teve com Cortázar, Leminsky, Barthes, Saramago e outros clássicos.  Memórias é comigo mesmo.  Já o recém-lançado de Eugênio Bucci, a Vírgula não tinha.  Fica a dica pras filhas...  ET.: li o 1º capítulo, em que Leyla conta das aulas de pintura com o grande artista plástico Samson Flexor. Ela se deixou influenciar pelo abstracionismo geométrico do pintor, que descobri certa vez no terreno do Hospital São Luiz Gonzaga, no Jaçanã.  Lá existe um grande trabalho dele, numa capela.  Meio abandonada, torço para que não desapareça.. 
Hoje no Itaim Bibi. 



segunda-feira, 5 de julho de 2021

LENDO.ORG (42)

Ganhei os 50 primeiros números da revista Cult, não me aguento de ver a pilha de revistas entre as pilhas de livros, ali no canto. Pura alegria.  Nascida em 1997, a Cult então só tratava de literatura.  Hoje está no nº 271 e estendeu bem sua abrangência: arte, cultura, filosofia, literatura e ciências humanas. Um amontoado...   Devo esse presente prazeroso ao Guga e à Tera, amigos que estão administrando a vasta biblioteca de mais de 6.000 volumes que seu pai, o editor Gumercindo Rocha Dorea deixou...  Conto mais sobre o seu Gumercindo quando falar dos livros que também ganhei. Como dizem, mais feliz do que pinto no lixo, vou saborear revista por revista, informações atemporais...



quinta-feira, 1 de julho de 2021

LIXA GROSSA & CIA LTDA (57)

Com a lucidez de sempre, Bucci tenta entender essa indecência. 

Na quinta-feira passada, numa aglomeração eleitoreira que promoveu no Rio
Grande do Norte (aqui), o presidente da República segurou um garotinho no colo e,
num gesto obsceno, abaixou-lhe a máscara. A cena estarrece pelo que tem de
imoral e abusivo. A mão do poder, com a displicência de um aceno, expõe um
inocente ao contágio. Nota-se um quê de pouco-caso. O chefe de Estado parece
à vontade para desnudar o rosto infantil, sem sinal de respeito, sem a menor
cerimônia; simplesmente puxa para baixo peça que cobre a boca e o nariz da
criança.
 
O menino, que, vestindo uma camisa amarela, saiu por aí para acabar num
abraço genocida do governante, representa o Brasil inteiro. O vídeo é o
atestado definitivo da miséria ética em que a Nação se deixou encarcerar.
Aquilo somos nós. O País foi sujeitado pelo egoísmo autoritário – o egoísmo
de quem manda. O único valor moral que esse autoritarismo reconhece é uma
noção bastante primária de “liberdade”: a liberdade dos outros não existe,
só o que importa é a “minha” liberdade. Os outros serão livres apenas para
concordar comigo e, caso se atrevam a discordar, serão declarados “inimigos”:
maus brasileiros, impatriotas, mesmo que não tenham mais do que 6 ou 7 anos
de idade.
 
Essa fórmula de moralidade é bruta, estulta, opaca, rasa e inculta. Trata-se
de um código de conduta prepotente e xucro, segundo o qual “eu sou livre
para não usar máscara e qualquer pessoa que use máscara na minha frente está
atentando contra a minha liberdade”. Eis por que o presidente da República
recebe como um desaforo a presença de qualquer pessoa que vista uma máscara
na frente dele, mesmo quando essa pessoa é uma criança frágil.
 
Estamos, é claro, falando da liberdade dos que não admitem a liberdade do
outro – ou da liberdade daqueles que se armam para acabar com a liberdade de
todos. Estamos falando da extrema direita antidemocrática, essa que no
Brasil responde pelo nome de bolsonarismo, que sequestrou a palavra
liberdade dos dicionários. Na cabeça desse pessoal, só eles têm o direito de
falar em liberdade, pois só eles defendem a liberdade. “Eu sou livre para
não usar máscara”, grita um. “Eu sou livre para não tomar a vacina”, secunda
o bajulador. Não lhes ocorre que a questão possa ter outras dimensões. Eles
não dispõem de aparato cognitivo para tanto. Basta ver e ouvir o presidente
da República, que não alcança nenhuma outra dimensão além da encerrada no
individualismo mais torpe.
 
Não ocorre a nenhum deles que a liberdade do brucutu que repudia a máscara
não pode valer mais que o direito do outro de não ser contaminado. Eles não
enxergam o sentido do respeito pela outra pessoa. Não conseguem compreender.
Não percebem que, se quisermos viver em sociedade, a liberdade de um
indivíduo – digamos, a liberdade de ser estúpido – não pode ser posta acima
da liberdade que os outros têm de se proteger contra a pandemia. Não
entendem que a liberdade individual não inclui o direito de oferecer água
envenenada para os semelhantes, assim como não inclui o direito de sair por
aí aspergindo coronavírus sobre o rosto de crianças indefesas.
 
No fundo, eles não divisam o sentido da palavra liberdade além da fumaça da
pólvora. Não obstante, são eles que nos governam, arrancando de nós o pouco
que temos de proteção. Que façam isso em nome da liberdade é apenas mais um
capítulo da nossa tragédia imerecida.
 
Segundo esse jeito de pensar – que, melhor dizendo, é um jeito de não
pensar, pois, se pensasse, não teria o jeito hostil que tem –, a liberdade
de um começa onde termina a liberdade do outro, e isso é tudo. Segundo esse
credo (cruz, credo), só é livre quem agride e confronta a liberdade do
outro – e estamos conversados. Nisso consiste o primarismo atroz desse tal
jeito de (não) pensar, segundo o qual o exercício da liberdade é uma guerra
sangrenta de hordas contra hordas.
 
No entanto, se quisermos ter democracia, precisamos pensar além disso, ou
não seremos capazes de compreender que a minha liberdade começa não onde a
liberdade do outro termina, mas justamente onde a liberdade do outro também
começa (salve, Cornelius Castoriadis). Eu só sou livre de verdade, livre
além das minhas estreitezas individualistas, se o outro também for livre, na
mesmíssima medida em que eu só sou saudável se este outro, ao meu lado, ou
aquele outro, distante de mim, forem, eles também, saudáveis. Eu só sou
livre, no fim das contas, se o mundo for livre junto comigo. A mísera
dimensão individualista não dá conta da grandeza da liberdade. Aliás, o
individualismo não dá conta nem mesmo de entender que, contra essa pandemia,
não existe imunização individual; a imunização individual só tem valor
porque realiza a imunização coletiva, que é o único patamar sanitário
realmente seguro.
 
Se quisermos ter democracia, precisamos saber que uma sociedade não é um
rebanho de engorda num pasto aberto à custa de desmatamento. Só sou livre se
me libertar da ignorância. Eu só sou livre se souber que, como autoridade
pública, não tenho o direito de remover uma só peça dos trajes de uma criança.

(de Eugênio Bucci, no Estadão de 1º/07/21)

Sem palavras...  (reprodução da internet).


terça-feira, 29 de junho de 2021

LANCES URBANOS (68)

São Paulo entra em sua 4ª fase de transformações radicais, se me permitem a leviandade de continuar a reflexão que Benedito Lima de Toledo abordou em seu livro São Paulo:  três cidades em um século.  A 1ª fase foi a de taipa, que durou 350 anos, da fundação até o início do século 20, quando começa a 2ª fase: a transformação produzida pela riqueza do café e o crescimento impressionante da cidade.  Essa seguiu até o final da 2ª Grande Guerra, quando Toledo viu São Paulo entrar na 3ª fase, com os grandes empreendimentos imobiliários, em que “os símbolos urbanos, a imagem da cidade, os monumentos históricos, deixaram de entrar na composição das preocupações das autoridades”.  Toledo morreu em 2019 (aqui) e não teve tempo de registrar em livro sobre a chegada da 4ª fase de transformações, a dos gigantescos empreendimentos imobiliários, em que os novos edifícios atingem tamanhos ciclópicos, na largura e na altura.  Edifícios parrudos, que precisam despudoradamente eliminar quarteirões inteiros para surgir.  (Vi isso claramente ontem, no Brooklin, as casas de um quarteirão inteiro sumiram, entre as avenidas Portugal e Santo Amaro).  Pois é.  A cidade, adoentada há muito por seus excessos, vê agora surgir demandas exponenciais, de toda sorte de infraestruturas, desconsiderando a sustentabilidade ampla da urbe. Todos os paulistanos hoje relatam exemplos de casas e vilas extintas, tráfego de caminhões carregando terra e bate-estacas petulantes.  Porém não são todos que anteveem a grande confusão que tudo isso vai gerar.  E não só na situação da pandemia terminar e todos os carros de praxe voltarem às ruas.  É também a demanda por água e por esgoto.  É também a eliminação do verde e do horizonte por tantos empreendimentos.  É a demora absurda – leia-se desinteresse – em criar novos parques.  São os resíduos sólidos sem nenhuma ação ou planejamento.  É o centro da cidade absolutamente abandonado.  Mas é, para efeito dessa rápida reflexão, a chegada com tudo da 4ª fase de alterações da cidade, com a indústria imobiliária tocando seus projetos em intensa competição de incorporadoras e construtoras, sem a batuta ativa de uma coordenação. Sem ao menos a cobrança de compensações à altura do impacto causado.  E sem a batuta porque...  qual  é mesmo o nome do prefeito que vai tocar a cidade mais de 90% da gestão?  Mas isso é assunto pra outra postagem.  Querido Benedito Lima de Toledo: quem dera eu tivesse a sua capacidade, pra relatar, como é preciso, essa chocante 4ª fase de transformações da cidade.

Sobradinhos esperando sua vez de sumirem.  Brooklin - 28/06/21


sexta-feira, 18 de junho de 2021

LENDO.ORG (41)

"Com os primeiros ganhos do emprego, comprei o meu objeto do desejo, a coleção dos Clássicos Jackson, portentosa obra em 40 volumes. Foi minha primeira propriedade."  Está na autobiografia de Boris Tabacof, "Perdidos & Achados".  O executivo se foi nesta semana, aos 91 anos, depois de uma longa carreira de êxitos, cujo ápice foi a atuação na gigante de papel Suzano, da qual foi presidente do conselho.  Dei com esse livro em um sebo, levei e quando ataquei não parei até a última página.  Escrito sem pompa, mas não sem tempero, por quem valorizava o livro e a leitura.  "Nunca tive uma bicicleta, mas meu pai me comprou o Tesouro da Juventude".  E assim começou, rumo ao sucesso. 



domingo, 13 de junho de 2021

LENDO.ORG (40)

Hoje Fernando Pessoa faria 133 anos.  Mas isso é menos importante do que dizer que ele se foi aos 47 anos, vida curta e intensa, de pensamentos, logo sofrimentos, e breves prazeres.  Esse Livro do Desassossego, na belíssima edição do Clube de Literatura Clássica (recomendo associar-se, aqui) expõe em prosa a filosofia do poeta, através de seu heterônimo menos conhecido, Bernardo Soares.  É ler uma página por dia.  E no dia seguinte reler... "Deus é o existirmos e isso não ser tudo." Ai... Bem, também hoje o Brittadeira completa 8 anos.  Mais de 800 postagens, etc etc.  Ah, é dia de Santo Antônio!  Se não é a postagem da amiga Regina Maura, passava batido!  Que católico desleixado!...



quinta-feira, 10 de junho de 2021

LENDO.ORG (39)

Esses livros relatam as três aventuras que lançaram Amyr Klink aos píncaros da fama, merecidamente: atravessar o Atlântico a remo, hibernar meses na Antártida (sozinho) e circun-navegar o continente gelado (em equipe). Sonhar, planejar e executar.  Enfim, atrever-se. Mas o que gosto mais de Amyr é a frase, pinçada de um deles: Descobri o mar lendo.  Dizer mais o que? Os três estão autografados e acabei de emprestar.  Desapego?  Coisa nenhuma!  É confiança mesmo. Sei que voltam. (Ou melhor, sei onde buscar rsrs.)



quinta-feira, 3 de junho de 2021

LIXA GROSSA & CIA LTDA (56)

No concerto das nações, o Brasil é insuperável no quesito "nonsense".  Cartinha no Estadão impresso de hoje. 



sábado, 29 de maio de 2021

SAUDADES... (44)

Arquiteto pra mim tem que ser urbanista. Claro que é bom ter arquiteto pra desenhar uma casa confortável ou um prédio elegante.  Mas hoje o que precisamos mais, nesse mundo tão urbano, é de arquitetos-urbanistas (ou "arquitetos de cidades") que busquem reverter a profunda degradação dos grandes centros. Como sempre buscou Jaime Lerner, três vezes prefeito da capital paranaense. Todas as cidades deveriam ter um sonho e perseguir esse sonho.  Em Curitiba nós tivemos vários sonhos. Ópera de Arame, Jardim Botânico, BRT...  Um cara cheio de ideias!  Por exemplo: na periferia, por que não trocar o lixo domiciliar por vale-transporte?  Enquanto isso aqui em Sampa... Ah, quem dera São Paulo, nos últimos 50 anos, tivesse como prefeito ao menos um arquiteto-urbanista com essa vocação de dar dignidade à cidade!  Mas o que tivemos como prefeitos? Políticos!  Quase nenhuma inspiração a serviço da cidade... Quando soube do passamento de Lerner, busquei esse livrinho na estante, onde li: Uma coisa é certa:  a cidade do futuro não pode conviver com a miséria do presente, sob pena de continuar sendo uma cidade do passado.  Mais do que nunca, é isso. 

Jaime Lerner (1937 - 2021)


quarta-feira, 26 de maio de 2021

LANCES URBANOS (67)

O prédio-sede do Santander, no Itaim, sempre usa sua fachada para valorizar datas como Natal, Páscoa, Dias das Mães e outras efemérides.  Em uma busca rápida no Google não consegui identificar a razão dessa "postagem" com livros na fachada daquele prédio, clicada ontem.  Não entendi, mas gostei. 




quinta-feira, 20 de maio de 2021

LANCES URBANOS (66)

Pergunta ao misterioso vice-prefeito que assumiu a cadeira principal e vai nela por 90% da gestão: vai fazer algo pela cidade adoentada?  Vai ser prefeito pra valer?  Ou só vai fazer politicagem?  Cartinha no Estadão impresso de hoje. 



segunda-feira, 17 de maio de 2021

LENDO.ORG (38)

Sim, era Domingo, mas bati o olho e confirmei que a livraria Gaudi estava aberta, aproveitando o movimento da praça Dom Orione e seu mercado de pulgas. Ok, vou lá!  Meu pai está morando no Bixiga, na casa do meu irmão.  Peguei-o para almoçar, e antes do restaurante fiz um pit-stop de 20 minutos na livraria, que é mais um sebo especializado em arte e arquitetura (com um pouco de literatura), funcionou muitos anos na rua Augusta e agora está numa discreta porta da rua Rui Barbosa.  Quem olha a livraria de fora não imagina a quantidade de livros que tem no galpão atrás, bastando passar uma porta...  Ainda irei lá com tempo, pra navegar naquele tsunami de livros, disse à sócia risonha, dona Eva.  Na mesa de promoções peguei esses dois:  Como falar de livros que não lemos?  Na introdução Bayard prometeu me revelar um mundo novo, pois defende que não é obrigatório ler um livro, às vezes sequer abri-lo, para falar com propriedade sobre ele.  Sei lá como provará isso, mas claro fiquei interessado.  O outro é de Lygia Fagundes Telles. As Meninas. O único que li dela, há décadas, e não lembro (nem tenho) mais.  Como não ter um LFT na biblioteca de 1000 livros??  



sexta-feira, 14 de maio de 2021

LENDO.ORG (37)

O livro chegou ontem e atropelou os que estavam nas pilhas (sim, são três pilhas de novos livros!). Até escanteou o da Eliane Brum, que tenho amado. Já devorei 4 capítulos. É que o Flávio Gomes escreve prá lá de bem. Tem o dom da escrita. Suas crônicas são divertidas, sacadas, informativas, tudo que faz de uma crônica um prazer de leitura. Já me deliciara com O Boto do Reno, com textos dos seus muitos anos de viagens cobrindo a F1, e o seu romance Dois Cigarros (que ainda não é o grande romance que escreverá, pois só se escreve um grande romance com dedicação exclusiva, coisa que FG nunca teve, sempre inventando coisas...).  Esse Ímola 1994 traz não bem crônicas, mas gostosos relatos sobre sua vida como jornalista, lances de São Paulo, política, esportes...    Recomendo muito o Ímola 1994, à venda na editora Gulliver (aqui). 


quarta-feira, 12 de maio de 2021

MAMAE

Hoje mamãe completaria 89 anos. Essa baiana de Itabuna nasceu Maria José, mas por muitos era conhecida só como dona Zete.  Um dia me disse que era por ser parecida com a cantora Elizete Cardoso.   Veio com 20 anos para São Paulo, orgulhosa de vir de avião, quando a maioria de lá pegava um ita ou um pau-de-arara...  Veio num convênio, para estudar enfermagem...  Mais paulistana que muitos, voltou apenas uma vez para ver a família no Sul da Bahia.  Hoje fui visitá-la no cemitério Congonhas.  Batemos papo largo, como todo dia 12 de Maio dos últimos 10 anos.  Na hora de ir embora minha porção repórter não resistiu e inquiriu funcionários do cemitério, derradeiro termômetro da pandemia.  Sim, tem havido muito mais enterros.  Um me disse que "no mês passado" foram 260 enterros no mês, quando a média são 160.  Na floricultura a afirmação que a 2ª onda, nos primeiros meses deste ano, foi bem pior que a 1ª...  Que fazer, senão cuidarmo-nos?



quinta-feira, 6 de maio de 2021

LIXA GROSSA & CIA LTDA (55)

Antigamente era lugar comum dizer que as elites queriam o povo sem educação e sem cultura, para ser melhor manipulado.  De uns 30 anos para cá o retorno da democracia, o aumento das políticas de inclusão, enfim, os novos tempos, deram uma maquiada nessa situação. Só que...  De dois anos para cá a coisa ficou feia e escancarou.  A elite rastaquera quer mesmo a destruição da educação e da escola pública, basta só ver o naipe dos três últimos ministros da Educação.  Quando vi essa Secretaria Municipal de Educação em Silveiras, semana passada, pensei que uma assim, desse tamanhozinho, já faria a diferença em Brasília...   Como viver em sociedade sem educação?

Em Silveiras, no vale do Paraíba.