sexta-feira, 15 de maio de 2020

LIXA GROSSA & CIA LTDA (45)

Esse outro vírus terrível - as fake news - também é destruidor: penetra nas mentes e desarranja o entendimento, embaralha a visão das coisas, impede o diálogo em bases honestas.  Pedro Doria mostra como as fake news funcionam hoje no Brasil, em um artigo muito feliz, que colo abaixo, para quem não conseguir abrir aqui.  

A Terrível Distopia de Bolsonaro. 


Existe um Brasil paralelo lá fora. Nele, não existem os muitos estudos científicos que vêm dizendo, nas últimas semanas, que a cloroquina não ajuda no combate ao novo coronavírus. O número de mortes este ano em nada difere dos anteriores. Há caixões sendo enterrados com pedras dentro. As pessoas não morrem de Covid-19, e sim de outras doenças, mas médicos desejosos de inflar os números fraudam as certidões de óbito. E, claro, o Brasil parou por ordem de governadores neuróticos, uma conspiração que inclui gente eleita da centro-direita à esquerda. O fato de que toda a Europa menos a Suécia parou, de que todas as Américas pararam, assim como um bom naco da Ásia, sequer registra. Em geral, damos a este fenômeno um nome: fake news. E é isso mesmo. Mas é hora de incluirmos um segundo anglicismo no debate público: gaslighting. Porque as notícias falsas servem a um projeto maior e mostram como a internet opera para ajudar a sustentar a popularidade do presidente Jair Bolsonaro.

Que fique claro: este Brasil paralelo inteiro não é real. É falso, mas é inventado com os requintes daqueles escritores tipo J. R. R. Tolkien, George R. R. Martin ou J. K. Rowling. É isso que está no Senhor dos Anéis, em Game of Thrones ou Harry Potter: a criação de mundos inteiros, com suas próprias histórias internas, para romances de fantasia. Assim, o país dos caixões enterrados com pedras é o mesmo onde uma conspiração marxista tomou as rédeas das artes, universidades e redações. O país em que governadores por algum motivo desconhecido decidem parar propositalmente a economia é o mesmo em que algo chamado “ideologia de gênero” tem por objetivo sexualizar cedo crianças e, sempre que possível, leva-las à homossexualidade.

Cada peça de informação dessas é uma fake news. Mas o conjunto forma um universo inteiro que tem sua lógica interna e apresenta uma visão de mundo. Isto é gaslighting. O termo vem de uma peça importante do Modernismo inglês, Gas Light, escrita em 1938 pelo dramaturgo Patrick Hamilton. No cinema, teve como atriz Ingrid Bergman. A história tem no centro um casal em que o marido manipula psicologicamente sua mulher até que ela começa a duvidar de sua própria memória e percepção.

Como estratégia política de comunicação, gaslighting é a mesma coisa. É a criação de um universo paralelo que, repetido consistentemente, passa a se tornar crível para alguns. Mas o processo não se dá apenas pela criação destas versões, ela inclui também uma técnica de ação que ocorre via redes sociais. Não é complicada: uma pessoa conhecida, com muitos seguidores e que defenda um ponto de vista, é desafiada com um argumento fantasioso. Não é raro que responda com desorientação. Porque não basta um contra-argumento. É preciso questionar toda a premissa que sustenta o desafio, é preciso provar que aquele mundo não existe. Porque esta pessoa tem muitos seguidores, aquele diálogo vai ganhando audiência.

Este Brasil paralelo vem sendo construído pelo escritor Olavo de Carvalho e seus seguidores há bem mais de uma década. Com a emergência das redes sociais, ganhou dinâmica e volume. E quando Jair Bolsonaro cita em suas lives ou comenta nas entrevistas à porta do Alvorada alguma destas histórias, ele só as torna mais plausíveis. Afinal, trata-se do presidente da República. O problema é o seguinte: continua sendo tudo mentira. 

O Brasil paralelo não existe. Este é um dos problemas deste governo. Ele trabalha na mentira. E a arquitetura de comunicação baseada em redes sociais facilita a construção desta obra fictícia.  Que, com o coronavírus, se tornou uma distopia terrível.
imagem: blogs.correiobraziliense.com.br

sábado, 9 de maio de 2020

LIXA GROSSA & CIA LTDA (44)

Desculpem a heresia de aproximar na mesma frase Aldir Blanc e o presidente. No Estadão impresso de hoje.

quinta-feira, 7 de maio de 2020

SHOW DE BOLA! (102)

Místicos e sencientes consideram a Lua Cheia de Maio a mais importante do ano (aqui). Pois ela está entrando nessa fase nesse instante.  Aproveite a luz que nosso satélite irradia para iluminar seu coração e seus relacionamentos, invocando compreensão e paz. E sigamos.


terça-feira, 5 de maio de 2020

SAUDADES... (36)

Arnaldo Antunes chamou a atenção para a riqueza desses versos de Aldir Blanc, sempre eclipsados na voz maravilhosa de Elis Regina.  "Rubras cascatas/ Jorravam das costas dos santos entre cantos e chibatas..."  Está em Mestre-Sala dos Mares. O que é isso senão a beleza mais pura?  Mas minha preferida do compositor é Amigo é Pra Essas Coisas.  Ouça aqui. Do tempo da MPB em que cada música era uma peça teatral completa...
Compositor Aldir Blanc (1946-2020) (foto: brasil247.com)

sexta-feira, 1 de maio de 2020

LIXA GROSSA & CIA LTDA (43)

Conheci de perto o Raí quando ele, em parceria com o também jogador Leonardo e esposas, iniciou um belíssimo trabalho social na Vila Albertina, Tremembé. Era 1999 e nascia a Fundação Gol de Letra, que até hoje segue marcando golaços em diversas áreas de inclusão social.  Acompanhei de perto por uns 8 anos, como membro da Rede Social Vila Albertina, que tinha na FGL a sua grande âncora.  Mas vamos ao que interessa hoje: estou aplaudindo de pé essa jogada do Raí, que conforme o Estadão de hoje (aqui), manifestou clara repulsa aos absurdos e desmandos perpetrados pelo presidente do país.  - Um posicionamento atabalhoado, é o mínimo que se pode dizer. Naquele momento, por exemplo, que ele deu aquele depoimento em rede nacional... Ele está no limite, muitas vezes, da irresponsabilidade, quando ele vai contra todas as recomendações da Organização Mundial da Saúde.  Não é fácil boleiro se pronunciar.  Hoje ele é diretor do São Paulo Futebol Clube, também não seria fácil tirar palavras ousadas de um cartola do futebol.  Mas esse cartola é simplesmente o Raí, grande jogador (e olha que não sou sãopaulino!), grande ser humano.  Parabéns!
Raí na Fundação Gol de Letra, no Tremembé.  (foto: rai10.com.br)

terça-feira, 28 de abril de 2020

LENDO.ORG (18)

Estou finalizando Viagem ao Redor da Lua, de Julio Verne.  Muito pasmo com a forma visionária com que o escritor mandou três tripulantes à Lua (na verdade ainda não sei se eles vão conseguir alunar), considerando que o romance é de...  1869!  Exatos 100 anos antes do pouso da Apolo 11 no solo lunar, percebo agora!   Conhecimentos científicos  (que não eram poucos à época), elegância e imaginação: o que um romance precisa além disso, pra nos prender?  Bem, com limões e livros, nesse momento, vamos tocando...
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quinta-feira, 23 de abril de 2020

LIXA GROSSA & CIA LTDA (42)


Se não acabarmos com a  indústria do fake news, a indústria do fake news acaba com o Brasil.  O jornalista Eugênio Bucci mostra isso no artigo de hoje, que colei abaixo.  Triste momento que precisa ser superado. 


"Na terça-feira o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de inquérito para investigar as manifestações pró-ditadura militar realizadas no domingo. É preciso investigar.
 
É preciso investigar o horror. Domingo foi um dia de horror. Usando a Bandeira Nacional como capa de Zorro por cima de trajes que imitam fardas militares de camuflagem, os circunstantes exigiram medidas exótico-totalitárias, como o fechamento do Congresso e do próprio STF. Contra o horror, o pedido de investigação foi protocolado na segunda-feira, dia 20, pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, que cumpriu seu dever funcional. O Brasil precisa identificar a indústria que está por trás desse pesadelo que vai virando realidade.
 
Todos sabemos que o presidente da República é a cereja podre do bolo infecto. Vestindo uma camisa vermelho-chavista, ele compareceu ao ato em Brasília e discursou diante de faixas que pediam “intervenção militar já”. Ao estrelar a matinê lúgubre, o governante antigoverno segue sua tournê como animador de auditórios macabros e de macabros de auditório.
 
Não obstante, o próprio Bolsonaro não figura como alvo do inquérito. Isso significa que, ao menos por agora, não será oficialmente reconhecido o que já é ululantemente público: que o chefe de Estado patrocina, com seus garganteios perdigotários, a histeria golpista da extrema direita brasileira. Deixemos isso de lado – por enquanto. Não há de ser nada.
 
O que mais conta, neste momento, não é investigar o óbvio comprometimento presidencial, mas descobrir quem atua, e como, no backstage das vivandeiras machistas. O decisivo, agora, é saber com que dinheiro, por meio de que engrenagens de comunicação e com que logística esse movimento se tornou uma empresa bem administrada. Quem financia esse circo que, enquanto bate palmas para aquele tal que deu de declarar “eu sou, realmente, a Constituição”, trabalha para implodir a Constituição federal? Quem gerencia a estratégia? Onde estão os cérebros por detrás dos descerebrados? Estão fora do Brasil?
 
Se não quiser virar geleia, a República precisa decifrar o enigma. Para piorar as coisas, pouca gente ajuda. O presidente da República e as milícias, num coro afinadíssimo, sabotam as políticas sanitárias, chantageando o povo pela reabertura de seus comércios, e ninguém faz nada. As oposições entraram em quarentena moral. É inacreditável. A passividade e a desarticulação das oposições estarrecem. É nesse deserto desolador que a iniciativa de Augusto Aras desponta como o único gesto sério contra o golpismo que bate bumbo. Viva Augusto Aras. Fora ele, só o que temos para protestar contra o anacrônico fascismo vintage são as frases balbuciadas do neoestadista Rodrigo Maia e – ah, sim – a decisão tomada pelo ministro Alexandre de Moraes.
 
Os três pelo menos agiram. Perceberam que não adianta pedir “paciência histórica” e esperar que as instituições tomem as providências. Ora, as instituições são vertebradas por pessoas e, se essas pessoas não agirem com coragem, não haverá como barrar o arbítrio. As pessoas que vertebram as instituições têm de se mexer e, para isso, precisam do clamor organizado das oposições. Ou é isso, ou os fascistinhas de WhatsApp vão levar a melhor.
 
Os fascistinhas de WhatsApp só não levarão a melhor se os crimes sobre os quais se apoiam forem desmascarados. É aí que entram as fake news. Se quisermos de fato desvendar a máquina do golpismo, teremos de entender o nexo entre a indústria clandestina das fake news e o bolsonarismo. Não basta seguir o dinheiro. É preciso seguir as fake news.
 
Em sua decisão, Alexandre de Moraes apontou o rumo. Determinou que se apurem a “existência de organizações e esquemas de financiamento de manifestações contra a democracia e a divulgação em massa de mensagens atentatórias ao regime republicano, bem como as suas formas de gerenciamento, liderança, organização e propagação que visam lesar ou expor a perigo de lesão os direitos fundamentais, a independência dos Poderes instituídos e ao estado democrático de direito, trazendo como consequência o nefasto manto do arbítrio e da ditadura”. Nada mais justo.
 

Agora, finalmente, as fake news entraram na mira certa. Elas são produto de uma indústria organizada, profissionalizada, tecnologicamente bem equipada, que opera por meio de negócios ilícitos e de relações de trabalho clandestinas. Essa indústria, que é criminosa na forma e no conteúdo – como são, não por acaso, as próprias fake news –, turbina a propaganda de ódio e promove a fúria inconstitucional, antidemocrática e antirrepublicana. Essa indústria politiza o debate sobre medicamentos, bombardeia a credibilidade da imprensa, calunia as instituições, desacredita a ciência, enxovalha a universidade, demoniza a arte e fomenta o fanatismo. Ela convence os malucos – alguns dos quais em altos cargos públicos – de que incêndios na Amazônia não existem e de que o vírus é fabricado em aulas de marxismo cultural. Essa indústria milionária é o motor do bolsonarismo. Ou ela vem à luz, ou a treva cobrirá o resto."
Artigo de Eugênio Bucci no Estadão (23/04/2020).  (imagem: reamp.com.br)

quarta-feira, 22 de abril de 2020

35 ANOS

Ontem fez 35 anos que Tancredo Neves morreu. Ele seria o 1º presidente civil após o regime militar.  Coisa louca, ele não tomou posse pois foi internado na véspera, 14 de Março de 1985.  Foram 37 dias de agonia, até que em 21 de Abril - data simbólica, foi noticiada sua morte.  Tomou posse Sarney. O que seria diferente se o mineiríssimo Tancredo tivesse assumido?  Não sei.  Os historiadores que o digam.  A data ia passando batida, mas aconteceu uma coisa curiosa: conversando com um primo, cuja família tem fazenda em Belisário, Minas Gerais, procurei por informações sobre esse lugarejo e encontrei o simpático e ativo blog Em Belisário - MG, e lá vi postagem sobre os 35 anos sem Tancredo Neves (leia aqui).  O blogueiro conta que chorou no dia.  Confesso que também chorei, o clima estava muito comocional.  Vínhamos da luta das Diretas Já!...  Bem, um dia passo por Belisário, escondido na divisa com o Rio.
Foto: blog Em Belisário - MG

sexta-feira, 17 de abril de 2020

LENDO.ORG (17)

Gostoso ouvir que ler faz bem pra saúde. O dr. Peter Liu diz isso, aqui.  Há quase um mês sedentário, é bom saber que estou saudável!  E você,  já escolheu o seu livro de ficção pra atravessar a quarentena? 
Ler oferece benefícios físicos e mentais, segundo o dr. Peter Liu. 

quinta-feira, 16 de abril de 2020

LIXA GROSSA & CIA LTDA (41)

Aquele Brasil que, apesar dos pesares, dava orgulho...  onde foi parar?
No Estadão impresso de hoje, 16/04/20

quarta-feira, 15 de abril de 2020

LIXA GROSSA & CIA LTDA (40)

Texto primoroso de Sérgio Fausto, sobre a liderança que nos falta.  No Estadão o texto está aqui.  Como muitos não conseguem abrir, copiei abaixo. 


QUALIDADES DE LIDERANÇA QUE O MOMENTO EXIGE

Tempos de crise servem de campo de teste para as lideranças. 
Em todo o mundo, os governantes estão diante de um enorme e complexo desafio. Comandam uma batalha em duas frentes, sanitária e socioeconômica, em terreno pouco conhecido. Jamais a humanidade viveu uma pandemia num mundo tão interconectado e exposto a rumores e teorias da conspiração, tampouco uma crise econômica deflagrada por uma emergência sanitária que imponha tamanha restrição à produção e ao consumo. Como se fosse pouco, o inimigo é invisível e, por ora, apenas pode ser contido, não derrotado. A guerra será longa, com muitas fases e batalhas.
O desafio consiste em tomar decisões que atendam da melhor maneira possível ao duplo objetivo, nesta ordem, de reduzir as mortes e a contração econômica produzidas pela disseminação do novo coronavírus. Trata-se não apenas de tomar decisões e reavaliá-las, à luz dos dados sobre o desenrolar nas duas frentes da batalha, mas também de obter a adesão de empresas, famílias e pessoas para que as decisões tomadas possam surtir o efeito pretendido. Para isso é fundamental que a sociedade esteja convencida da correção das ações governamentais, ainda que, em última instância, o Estado possa valer-se de medidas coercitivas para implantá-las. 
Como há vários e conflituosos interesses convivendo em sociedade, a liderança política, em especial nos países democráticos, precisa produzir convergência (ela não surgirá espontaneamente, ao contrário) em torno de uma estratégia de combate que mobilize recursos para proteger os setores sociais mais vulneráveis e os elos mais débeis das cadeias de produção e distribuição de bens e serviços básicos. Deve apelar a valores que unifiquem momentaneamente a sociedade e reforcem mecanismos de cooperação e solidariedade social. Sendo o inimigo um patógeno, cabe à liderança política basear suas decisões no melhor conhecimento das ciências médicas sobre a doença e suas formas de contágio. Mas como a pandemia tem efeitos e implicações socioeconômicas amplos, é preciso mobilizar várias áreas do conhecimento. À liderança política incumbe tanto promover o esforço interdisciplinar para dar base sólida ao processo decisório quanto traduzir em linguagem acessível ao cidadão comum as razões das decisões tomadas. Para não falar no dever mínimo de não propagar fake news. 
A emergência sanitária e socioeconômica exige uma combinação de qualidades que não se encontra com frequência. Requer que políticos se elevem à condição de estadistas, quase da noite para o dia. Tem melhores condições de se erguer à altura do momento quem reúne um conjunto de qualidades: capacidade de acompanhar raciocínios científicos e compreensão de problemas complexos (para os quais há sempre uma resposta simples que está errada); inteligência estratégica para determinar ações congruentes no tempo e no espaço; ampla habilidade de articulação política e interlocução social, para aumentar a eficácia das políticas públicas e corrigi-las ou ajustá-las sem alvoroço e intranquilidade quando necessário; e, por último, mas não menos importante, empatia pelas diversas formas de sofrimento físico e psíquico por que estão passando as pessoas, em especial as mais vulneráveis. 
Agora e no futuro previsível, a estatura das lideranças políticas será medida pela demonstração concreta que tenham dado (ou não) dessas qualidades em decisões tomadas no calor da hora diante de dilemas críticos e inter-relacionados. Por exemplo: quando e sob que condições transitar de uma a outra abordagem da emergência sanitária (seja para radicalizar, seja para amenizar as medidas restritivas a atividades econômicas e à circulação de pessoas)? Até onde expandir o gasto e a dívida pública para suprir a renda perdida por famílias e empresas?
Além da eficácia das decisões tomadas, as lideranças políticas serão avaliadas pelos valores que despertarem na sociedade. Seria ingênuo descartar a possibilidade de o nacionalismo xenófobo ou o individualismo exacerbado saírem fortalecidos da crise atual. Mas existe uma boa chance de que ao final prevaleça a revalorização da cooperação internacional e da solidariedade social para enfrentar os grandes desafios coletivos da nossa época (a pobreza, a desigualdade social, as mudanças climáticas e as pandemias). 
Não escrevi este artigo para apontar o que antes já era óbvio ululante e agora se tornou dramaticamente claro: o Brasil está muito mal servido na Presidência da República. Seria patético, não fosse trágico, que um homem tão desprovido das qualidades para liderar o Brasil, em particular neste momento, esteja hoje ocupando o máximo cargo político do País. 
Felizmente o Brasil, com suas outras lideranças, suas instituições, suas organizações da sociedade, sua gente, é bem maior e melhor do que Bolsonaro. Não há mal que sempre dure. Agora se trata de conter o imenso dano que ele pode causar. Em 2022, de evitar que a história se repita como tragédia.
Sérgio Fausto é cientista político, diretor geral da Fundação FHC. 
Liderança.  (foto: blog.ipog.edu.br)


sábado, 11 de abril de 2020

A HORA DA VERDADE

Acabo de cruzar com uma grande carreata na rua Vergueiro, na altura da estação Ana Rosa do metrô.  Tinha até caminhões buzinando, usurpando as cores da bandeira brasileira e com faixas de Fora Doria! (matéria aqui.) Ou seja, estão politizando sobre a pandemia que avança em todo o planeta.  Continuam reforçando a aposta de que se trata de uma gripezinha. Os dados estão lançados.  A hora da verdade está chegando, e os hospitais de campanha em São Paulo vão dizer.  Se ficarem vazios, o governador terá o que explicar.  Mas se eles lotarem, e forem insuficientes, o presidente precisará ser retirado do cargo imediatamente pelas vias democráticas, porque com milhares de vida não se tripudia!
(foto: iquilibrio.com) 



quinta-feira, 9 de abril de 2020

LENDO.ORG (16)

Os livros chegaram e não tem nada a ver com a pandemia. Faz tempo que não perdoo livro com 50% de desconto.  Lembro quando fechou a livraria Freitas Bastos, na rua XV de Novembro, em 1996. Subia-se numas passarelas muito altas para encontrar os livros que iam desaparecendo na livraria que também desaparecia...  Antes disso, na rua Iaiá, uma livraria então moderna, que não deu certo, liquidando...  A livraria Duas Cidades, na rua Bento Freitas, encerrou com uma procissão solene de leitores lotando as duas salas, silenciosamente comprando os livros na baciada, uma livraria histórica, porém moribunda.  E outras.  Depois as feiras de livros...  Fui numa das primeiras da USP, ainda vazia, acho que no prédio da Geografia.  Hoje é um colosso, está na 21ª edição, milhares de pessoas...  E agora é a vez das editoras diretamente, pela internet, como a Martins Fontes, aqui.  Se não lermos ao menos um livro agora, não lemos nunca mais!

sexta-feira, 3 de abril de 2020

OUTROS TEMPOS...

Há 50 anos, quando eu era criança, a turma do prédio na av. 9 de Julho "vandalizava".  Quer dizer, não parava nos apartamentos, corria o prédio todo com as mais diversas brincadeiras e atividades.  Hoje nem sabemos se tem crianças no prédio...  Me surpreendi com tantos sapatinhos na porta do apto 12...   

segunda-feira, 30 de março de 2020

TEXTO IMPORTANTE!

Texto do biólogo Fernando Reinach (aqui): "No dia 16 de março de 2020 foi publicado o estudo feito para nortear as medidas de contenção do novo coronavírus que já é considerado um clássico. O trabalho, feito por um grupo de epidemiologistas do Imperial College em Londres, simulava a intensidade da pandemia na Inglaterra e nos Estados Unidos e recomendava as possíveis medidas de contenção até que uma vacina ou um remédio fosse descoberto. Esse estudo teve por base modelos que levavam em consideração os dados e os resultados da pandemia na China, a estrutura social, a estrutura doméstica, a demografia, distribuição de idade e o sistema de saúde da Inglaterra e dos EUA. De início a Inglaterra adotou a estratégia de mitigação proposta por esse estudo, mas logo em seguida mudou de rumo e adotou a supressão.

Agora esse mesmo grupo refez o estudo para cada um de 202 países, sendo que um deles é o Brasil. Para isso foram levadas em consideração todas as peculiaridades do Brasil, como a distribuição etária e estrutura familiar, índice de desenvolvimento e assim por diante. É um trabalho imenso descrito em um texto técnico e acompanhado de uma enorme planilha que detalha o resultado de cada um dos cenários analisados para cada um dos países, e também para o planeta como um todo. Vale a pena entender os resultados. De início é importante lembrar que os resultados para os diferentes cenários se restringem às consequências médicas e epidemiológicas da pandemia e não consideram os custos sociais e econômicos das medidas.
Segundo os autores existem três estratégias possíveis diante do novo vírus. A primeira é ignorar sua existência, não tomando nenhuma atitude. Nesse caso o modelo simula o espalhamento do vírus pelo planeta sem nenhuma medida de contenção. Esse cenário deve ser entendido como um referencial para podermos analisar o impacto das diferentes medidas de mitigação. Para o planeta, esse cenário prevê um único e enorme pico de casos no primeiro ano, onde 7 bilhões dos 7,7 bilhões de pessoas do planeta seriam infectados, ocorreriam incríveis 40,6 milhões de mortes e o colapso total dos sistemas de saúde. O único lado positivo dessa estratégia é que depois desse número enorme de mortes toda a população estaria imune ao vírus e o problema desapareceria. Essa atitude não foi adotada por nenhum país, mas pode vir a ocorrer em alguns países incapazes de implementar uma das outras estratégias.
A segunda estratégia é a mitigação. Nesse caso as medidas têm como objetivo reduzir as interações entre pessoas em 42%. Ou seja, toda a população interage com menos da metade das pessoas que interagiria em condições normais. O objetivo é espalhar o número de casos ao longo do tempo, de modo a não sobrecarregar muito o sistema de saúde (o tal achatamento da curva). Nesse cenário o estudo analisa duas possibilidades: isolar somente os mais idosos de cada país ou isolar igualmente toda a população. Apesar da diferença de estratégia, os números projetados são semelhantes. O número de mortes no primeiro seria de 20 milhões de pessoas, metade do anterior, e os países mais pobres seriam os mais afetados. Enquanto no mundo desenvolvido teríamos oito vezes mais casos que a capacidade máxima dos hospitais, nos países pobres o número de casos seria 25 vezes maior que a capacidade dos hospitais. Além disso as medidas teriam de ser estendidas por muitos meses até que toda a população fosse infectada e se tornasse imune ao vírus. Essa foi a estratégia adotada na Inglaterra até que a primeira versão desse modelo foi publicada, quando o governo decidiu mudar para a terceira estratégia.
A terceira estratégia é a supressão do vírus. Ela pressupõe uma diminuição de 75% dos contatos interpessoais de toda a população, o suficiente para levar a propagação do vírus a zero. Foi essa a estratégia usada na China. Ela também tem duas versões, uma em que o isolamento total é feito quando ainda existem poucas mortes e outra quando o número de mortes por semana já é alto. Quanto mais cedo ela é adotada, melhor os resultados. Nesse cenário nos primeiros 250 dias da pandemia, seriam infectadas 470 milhões de pessoas e teríamos 1,9 milhão de mortes. Se adotada mais tarde, essa estratégia levaria a 2,4 bilhões de pessoas afetadas e 10,5 milhões de mortes. Observe como retardar as medidas de supressão aumenta muito o número de mortos (o erro da Itália).
Essa estratégia tem dois problemas. O primeiro é que é difícil de implementar. O único caso de sucesso foi na China, e muitos países podem tentar implementar a supressão, e, se não tiverem sucesso, acabam com medidas que na realidade são de mitigação. O segundo problema, agora enfrentado pela China, é que a supressão tem de ser mantida até que surja uma vacina ou tratamento, pois, caso as medidas sejam relaxadas antes, a pandemia volta porque uma fração minúscula da população fica imune ao vírus. É bom lembrar que esses modelos assumem que grande parte dos casos (mesmo os que não necessitam de internação) terão sido testados e estarão em isolamento, assim como seus familiares.
Bom agora vamos ver os números para o Brasil (veja a tabela acima). Os resultados assumem que a população do Brasil é de 212 milhões de pessoas e a taxa de replicação do vírus (R0) é 3,0. Outros cenários, com outros valores da taxa também estão no trabalho, mas os resultados são semelhantes. Na tabela a primeira linha descreve o que aconteceria se ignorássemos o vírus (nenhuma intervenção). Não haveria redução da distância social e seriam infectados 181 milhões dos 212 milhões de brasileiros no primeiro ano. Teríamos 1,08 milhão de mortes, 5,89 milhões de pessoas hospitalizadas – sendo que dessas 1,44 milhão de pessoas seriam de casos graves que necessitariam intubação. A segunda e terceira linha descrevem os cenários de mitigação, onde a distância social seria reduzida em 42 e 41%. Na linha três o distanciamento social seria generalizado, mas maior para os idosos (60% para o grupo de risco).
Nesses dois cenários o número de infectados cai para 114 e 112 milhões de pessoas, o número de mortes cai para algo como 500 mil pessoas, os hospitalizados para algo como 3 milhões e os casos críticos para algo como 700 mil pessoas. Como você pode ver isolar os idosos não faz muita diferença, apesar dos números serem um pouco melhores. Uma das vantagens dessa estratégia é que os casos estarão espalhados ao longo do ano, o que sobrecarregaria menos os hospitais.
Finalmente podemos tentar suprimir a pandemia. Para isso é preciso reduzir os contatos sociais de toda a população em 75% (veja linha 4 e 5 da tabela). Nesse caso, a data em que iniciamos esse processo é de suma importância. No Brasil se o processo for iniciado quando as mortes por semana forem de 3,4 mil, o número de infectados será de 50 milhões de pessoas, teremos 206 mil mortes, e 1,18 milhão de brasileiros serão hospitalizados e 272 mil serão casos graves. Agora se a supressão for iniciada quando o número de mortes for de 425 por semana (o que deve ocorrer semana que vem ou na outra), 11,45 milhões de brasileiros serão infectados, 44 mil morrerão, 250 mil serão hospitalizados e, desses, 57 mil serão casos graves.
Em todos esses cenários o número total de leitos hospitalares e o número de pessoas entubadas no pico da pandemia também foram estimados. No melhor cenário (supressão cedo) precisaríamos de 72 mil respiradores e no pior (nenhuma intervenção, 2,2 milhões de respiradores). Essas são as projeções de um dos melhores grupos de epidemiologistas do mundo, levando em consideração todas as peculiaridades do Brasil, como o fato de os idosos morarem com pessoas jovens, parte das famílias viver em favelas e outras peculiaridades do Brasil (no trabalho estão descritas todas as características do País que foram usadas no modelo). Os números são verdadeiramente assustadores, mas os dados recentes da Itália e da Espanha sugerem que esses modelos estão no caminho certo.
Hoje, no Brasil, muitos Estados estão tentando adotar a estratégia da supressão, enquanto o governo federal propõe a mitigação com isolamento dos idosos. Tentar aplicar uma dessas estratégias não é certeza de sucesso. Se a população não respeitar o isolamento, uma estratégia de supressão pode facilmente se transformar em uma mitigação e uma de mitigação pode não ter efeito. Olhe com cuidado a tabela, os prós e contras de cada estratégia, e forme uma opinião. É isso que todos os governantes que acreditam na ciência deveriam estar fazendo."
MAIS INFORMAÇÕES: THE GLOBAL IMPACT OF COVID-19 AND STRATEGIES FOR MITIGATION AND SUPPRESSION. IMPERIAL COLLEGE COVID-19 RESPONSE TEAM (26/03/2020)
Texto de Fernando Reinach (aqui) no Estadão de 29/03/20 (foto: napratica.org.br)

domingo, 29 de março de 2020

LIXA GROSSA & CIA LTDA (39)


Texto de Affonso Celso Pastore: "É muito difícil manter a frieza de raciocínio diante do último pronunciamento do presidente da República. Mas vou tentar. Há duas reações possíveis diante da propagação da covid-19: o isolamento social (“lockdown”) que a evita, salvando vidas; ou deixar que evolua para a “imunização natural”, que se dá quando o número de infectados é tão grande que o vírus não encontra mais hospedeiros, porém à custa de um número enorme de mortes. Devido ao temor das consequências econômicas, Boris Johnson e Donald Trump tentaram o caminho da imunização natural, sendo forçados a abandoná-lo. O que era inevitável na Idade Média – as mortes em dimensão catastrófica – não é aceitável quando existem meios para reduzi-las. Cabe ao governo entender que, diante de uma epidemia, o objetivo de uma sociedade civilizada é ao mesmo tempo poupar vidas e minimizar seus custos econômicos. Não será com o incitamento à burla do “lockdown” temporário adotado pelos governadores que tal objetivo será alcançado. É preciso pensar no País, e não em objetivos pessoais. É preciso explicar à população que ela não será abandonada, que haverá recursos para amparar os mais afetados pelo “lockdown” e será suportado por nós mesmos assim que a tempestade terminar. 

Cientistas estimam que para ser eficaz um “lockdown” iniciado rapidamente pode durar de 2 a 3 semanas, mas será bem mais longo se o início for tardio. O Banco Central pode usar seu arsenal; o setor privado pode ajudar com doações; mas o peso maior recai sobre o governo federal, apesar da frágil situação fiscal. Não há como evitar que o déficit público tenha aumento expressivo, o que impõe à sociedade o aumento da carga que terá de ser suportada nos próximos anos, com reformas estruturais ainda mais duras e profundas. Mas o objetivo, agora, é enfrentar a epidemia e seus impactos, garantindo que os recursos sejam bem utilizados.
Todos os setores estão sendo atingidos e, mesmo com um “lockdown” mais curto, é provável que seu afrouxamento seja gradual. A menos que algum remédio surja rapidamente, levando ao sonho de uma recuperação em V, esta será lenta. Meu temor é que cheguemos ao fim de 2020 com o PIB significativamente abaixo do de 2019 que, medido pela renda per capita, já estava 8% abaixo de quando a recessão se iniciou, no primeiro trimestre de 2014. 

Como esta é uma crise atípica que nos pega em situação fiscal frágil, alguns são levados a considerar aumento de gastos um tabu. Na minha visão não há como escapar disso. Esta não é uma crise que possa ser eliminada usando só o arsenal dos bancos centrais, como em 2008/09. É preciso salvar vidas e ajudar a recuperação dos mais atingidos. Primeiro, porque a recessão que já está em curso derrubará a receita tributária bem mais do que a queda do PIB. Segundo, porque diante da pobreza da população e da cessação de sua renda é impossível não desenvolver o que Armínio Fraga chamou de rede de solidariedade social. É muito bem-vinda a sugestão de um plano de 9 pontos enunciados por ele em coautoria com Vinicius Carrascos e José Alexandre Scheinkman.São medidas que deveriam ser encampadas pelo presidente com total apoio do Congresso, com ambos ficando plenamente conscientes de que esta conta terá de ser paga por todos nós, aumentando nos próximos anos o esforço necessário para o equilíbrio fiscal. É em um momento como este que se tem a consciência exata da falta que faz ter um estadista na Presidência da República capaz de formular um diagnóstico coerente sobre como enfrentar uma epidemia. Nosso presidente não tem o discernimento sobre a gravidade do problema e nem o entendimento de qual é sua responsabilidade perante a sociedade. As medidas até aqui anunciadas para minimizar as consequências econômicas da crise são claramente insuficientes. É preciso muito mais. Não vejo histeria na sociedade e, sim, uma imensa perplexidade diante do vácuo deixado pelo governo. Cabe ao governo assumir seu papel, explicando didaticamente a todos que agirá para suavizar os custos dessa epidemia com gastos extraordinários, que não se repetirão, e que não inibirão o ajuste estrutural que ocorrerá nos próximos anos. O erro não está em agir. O erro está em deixar o tempo passar. Já fizemos isto com o nosso programa de reformas, e não podemos repetir o erro em uma situação muito mais grave"
Economista Afonso C. Pastore - texto Estadão 29/03/20 (foto: Claudio Gatti/ istoedinheiro.com.br)


quinta-feira, 26 de março de 2020

DINHEIRO (2)

O BC disponibiliza R$ 1,2 trilhão para os bancos "terem liquidez" (aqui). Repito: R$ 1,2 trilhão. Você não concorda que com esse volume de dinheiro, numa situação de calamidade pública, e com uma gestão de crise séria, nenhum CNPJ iria à falência? Agora, se o Brasil não tem uma gestão adequada pra enfrentar a encrenca mundial, aí é outro problema.
Estadão impresso de  26/03/2020

terça-feira, 24 de março de 2020

DINHEIRO!

Olha, R$ 1,2 trilhão resolveria grande parte das preocupações sobre a crise econômica que ameaça disparar, mas... Opa! O BC vai colocar essa grana toda à disposição do sistema financeiro, conforme diz a matéria do Estadão (aqui)?  Para que serve essa grana lá?   Essa grana volta para a economia?  Essa grana vai chegar na mão dos que vão precisar?    Perguntas urgentes e fundamentais, como tudo nesse momento.
Estadão impresso de hoje, 24/03/2020

quinta-feira, 19 de março de 2020

O TEXTO MAIS LINDO


Mensagem do Caboclo Águia Branca em 16.03.2020:

“Esse momento que a humanidade está vivendo agora pode ser encarado tanto como um portal quanto como um buraco. A decisão de cair no buraco ou atravessar o portal cabe a vocês. Se ficarem  apenas lamentando o problema, consumindo as notícias 24 horas por dia, com a energia baixa, nervosos o tempo todo, com pessimismo, irão cair no buraco. Mas se aproveitarem essa oportunidade para olharem para si, repensarem a vida e a morte, cuidando de si e dos outros, aí estarão atravessando o portal. Cuidem da casa de vocês, cuidem do corpo de vocês. Se conectem ao corpo mediúnico da Casa espiritual de vocês. Se conectem à egrégora da Casa espiritual de vocês. Corpo, casa, corpo mediúnico, casa espiritual, tudo isso é sinônimo, quer dizer a mesma coisa. Quando você está cuidando de um, está cuidando de todo o resto. Não percam a dimensão espiritual dessa crise, tenham o olhar da águia, que lá de cima, vê o todo, enxerga de forma mais ampla. Existe uma demanda social nessa crise, mas existe também a demanda espiritual. As duas andam de mãos dadas. Sem a dimensão social, caímos no fanatismo. Mas sem a dimensão espiritual, caímos no pessimismo e na falta de sentido. Vocês foram preparados para atravessar essa crise. Peguem a caixa de ferramenta de vocês e usem todas as ferramentas que vocês têm ao seu dispor. Aprendam sobre resistência com os povos indígenas e africanos: nós sempre fomos e continuamos sendo exterminados. Mas nem por isso paramos de cantar, dançar, fazer fogueira e festa. Não se sintam culpados por estarem alegres durante esse período difícil. Vocês não ajudam em nada ficando tristes e sem energia. Vocês ajudam se emanarem coisas boas para o Universo agora. É através da alegria que se resiste. Além disso, quando a tempestade passar, vocês serão muito importantes na reconstrução desse novo mundo. Vocês precisam estar bem e fortes. E, para isso, não há outro jeito senão se manter uma vibração bonita, alegre e luminosa. Isso não tem nada a ver com alienação. Isso é estratégia de resistência. No xamanismo, existe um rito de passagem chamado busca da visão. Você fica alguns dias sozinhos na floresta, sem água, sem comida, sem proteção. Quando você atravessa esse portal, você adquire uma visão nova do mundo, por ter enfrentado seus medos, suas dificuldades. É o que está sendo solicitado a vocês. Que aproveitem esse tempo para realizarem os seus rituais de busca da visão. Que mundo vocês querem construir para vocês? Por ora, é o que vocês podem fazer: serenidade na tempestade. Se acalmem e rezem. Todos os dias. Estabeleçam uma rotina de encontro com o sagrado todos os dias. Emanem coisas boas, o que vocês emanam agora é o mais importante. E cantem, dancem, resistam através da arte, da alegria, da fé e do amor.”
Foto: Google/ revistagalileo.globo.com/ Nasa


terça-feira, 17 de março de 2020

SAUDADES... (35)

Hoje, há 75 anos, nascia Elis Regina.  Pensei num parágrafo do livro Elis e Eu, do filho João Marcelo Bôscoli, em que ele percebe que sua mãe era especial porque, além de cantora maravilhosa, era uma pessoa devotada às causas humanas, era dedicada a todos, em uma palavra, ela pensava nos outros de uma forma diferenciada.  Como João Marcelo afirmou e eu assino embaixo, é raríssimo os que reúnem essas duas qualidades:  ser grande na sua arte e ser grande como pessoa.  Ela era assim, por isso é amada por milhões. 
Fotos de Celia Marisa de Ávila no livro AquarELISta. (Editora Kosmos)