terça-feira, 1 de setembro de 2026

LENDO.ORG (80)

É aquilo, sinto que minha biblioteca é viva. É um troca-troca, ou antes, um entra-e-sai de livros como se fosse coisa viva, tipo cobra trocando a pele. A técnica pra isso, mencionei aqui, é a técnica do banheiro.  A única arte disso é a meticulosidade de seguir livro a livro, a partir da estante mais alta, da esquerda pra direita, depois descendo pelas estantes, assim:  toda manhã ou à tarde (raro à noite), ao ir ao banheiro para o mais demorado, pegar o livro seguinte na estante e levar.  Abrir a esmo ou ler a introdução, é ao gosto do leitor, ora rei, no trono, só ele e a leitura, com tempo para uma, duas ou três páginas, conforme a densidade...  Livro talvez não aberto há meses.  Ou anos...  É o seu teste de fogo, o tudo ou nada. Agradou? Mostrou firmeza? Volta. Não agradou? Embromou? Descarga!  E assim aos poucos vai abrindo espaço (tá apertado!) pra livros chegando: tem Bienal agora, em seguida a Feira da PUC, e aí uma livraria de rua (da Tarde? da Travessa?), pra me redimir das esbórnias anteriores...  Acontece que outro dia, no teste, me veio às mãos esse A Importância de Viver, de Lin Yutang.  Edição de 1976, da deliciosa Círculo do Livro (aqui). Veio dos livros de mamãe.  Por que raios ela chegou a esse autor, que gostava, não sei.  Seria porque achava chique falar “linhutangui”, como falava?  Não sei.  Adoraria saber.  Olha jovem, ou nem tão jovem, mas que ainda tem mãe, explore saber coisas dela, por ela, antes que seja tarde, entendeu filho distante, filha ocupada? Mas então, Lin Yutang relata uma China (um chinês) que não existe mais, acho.  O Ocidente maculou a China e ela virou isso que vemos:  é de abismar as cyber-cidades chinesas...  Só que a velha China tem o que ensinar, e não é como transformar o comunismo em capitalismo de Estado.  Estamos falando de viver à moda antiga... Junta Confucionismo, Taoísmo e Budismo (menos) em uma cabeça inteligente e sensível, e dá um troço (livro!) interessante... Resumo: A Importância não voltou pra estante, nem foi pra descarga: pousou com carinho no criado-mudo e estou lendo. Uma civilização de 4000 anos tem um DNA sábio...  Já nós aqui, do alto (baixo) dos 526 e um DNA transgênico, vemos vindo aquela nuvem plúmbea que eu disse aqui... e nem é nuvem, é um tsunami de esgoto! Olha ele ali!  E cresce. Não vê? Só eu perdendo o sono?



21 comentários:

  1. Cheguei ao Lin através de uma exposição do mario quintana, que o traduziu. Levei o livro pra Bahia em li em Trancoso e porto seguro. De fato a china é superior, muito Pano pra manga. Tempos depois comprei por um real a importância de conhecer, do Lin. Esse ainda é superior são dezenas de autores de 2 mil falando como se vive bem.pra findar Felizes os que conheceram a Zeti

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    1. Querido Mau, sabia que o Zete vem de Elizeth Cardoso? Achavam que mamãe era parecida com ela. E de fato, é um pouquinho rsrs. Um apelido que pegou: Zete. Quem será que deu? Puxa, obrigado pelo carinho especial.

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  2. Esse texto não me cheirou tão bem quanto aos anteriores lidos aqui, nessa "caixa de brita". Mesmo assim abstraí duas questões importantes. A primeira diz respeito ao "Circulo do Livro" dos anos 1970 quando vendedores batiam à porta das casas não para vender livros, mas a "Revista do Livro", à qual você pagava uma taxa mensal para receber, digamos 50 reais de hoje e essa mensalidade te dava o direito de escolher um livro mostrado pela revista que era entregue em sua casa de graça na semana seguinte. Era assim na primeira compra da revista você pagava na hora e já escolhia um livro. No mês seguinte, o vendedor te trazia uma nova revista e você indicava o livro que escolheu no mês anterior para levarem na sua porta dias depois. Esse vai e vem começou ficar caro para as editoras e não durou muito tempo. O outro assunto é a China milenar, muito diferente da China atual. Quando caiu o Muro de Berlim e a União Soviética foi pro vinagre, os chineses se reuniram para discutir o que aconteceu. Concluíram que o regime soviético caiu porque não havia consumo. Criaram então o regime comunista-consumista e o país é esse que temos hoje, com capacidade até de dominar o mundo, o Trump que o diga.

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    1. Dá pra entender porque não cheirou bem! Rsrsr tbm não me encantou os detalhes da localização da leitura.

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    2. Por que está tão cheio de dedos? Ir ao banheiro deve ser das três coisas mais comuns do mundo! rsrs. Que legal a lembrança disso do vendedor "vender" a primeira revista do Círculo. Não lembrava. Lembro sim, acho que em 1982, no trabalho, de ficar vendo com os colegas que livro comprar. A revista era um charme! As capas dos livros, muito atraentes... Ótima qualidade gráfica. Hoje o Clube de Literatura Clássica faz um trabalho semelhante, também muito bom. Valeu Geraldo! (Apesar dos dedos rsrs)

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  3. A destruição da velha e sábia China começou bem antes com a Revolução Cultural de Mao Tsé Tung que quis enfiar goela abaixo a luta de classes para a outrora pacífica sociedade chinesa. A turma de Xi Jinping só completou o serviço robotizado os cidadãos chineses e seduzindo-os com as 'delícias' do capitalismo e do consumismo.

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    1. Quer dizer que a velha China apanhou duas vezes no século 20? Não tenho a menor vontade de conhecer esse país, mas seria curioso conferir lá. Curioso e ao mesmo tempo quase impossível: por onde começar a conferência, nesse país gigantesco, maior que o Brasil? É, vamos ver o que o Xi vai aprontar nos próximos anos... Valeu Sérgio!

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  4. Enquanto temos mãe tem umas perguntas importantes para serem escritas e nunca esquecidas, como saber se fomos amamentado e por quanto tempo, pode dizer algo sobre nossa saúde. Quando aprendemos a falar, sé éramos choramingão. Chato pra comer ou do tipo guloso. Valente? Tomamos todas as vacinas? Quais doenças pegamos? Tínhamos pesadelos ou sonambulismo? Que tipo de criança éramos... tivemos o incentivo a leitura desde a infância? Tantas perguntas ficaram por fazer...

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    1. Puxa Rosanne, seria legal mesmo saber até quantos meses fomos amamentados ne? Tenho curiosidades sobre o trabalho da minha mãe... Perguntei coisas, mas esqueci algumas respostas... Por isso sempre aconselho pais e mães a fazerem um "diário" dos filhos. Amaria que minha mãe tivesse feito. Eu fiz e faço um pras minhas filhas, desde que eram adolescentes. Tem mais de 500 páginas! Será que terão curiosidade de ler no futuro? Eu amaria ler coisas que fiz aos 15, 20, 25 anos, e não lembro mais... Obrigado pela lindo comentário Rosanne!

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    2. Acho que lerão, mas se já tem o contato com essas memórias, já estão garantidas na lembrança!

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  5. Ahh, não disse acima que esse livro a gente pode escolher por causa da bela capa, simplesmente.

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    1. Sim, uma graça de capa. Estimulante mesmo. Pra quem tiver olhos... rsrs. Obrigado Rosanne!

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  6. Interessante seu método para eliminar ou não, os livros.. abrir espaço...nunca eliminei nenhum..

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    1. Como assim Áurea?! Nunca eliminou nenhum livro? Fico pensando como é isso... rsrs. Obrigado pela presença sempre no blog!

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  7. Felipe Duarte de Paula5 de setembro de 2026 às 08:03

    Não conhecia esse livro, obrigado pela dica! Sua crônica me fez lembrar da obra "Balzac e a costureirinha chinesa". Tem o livro (ainda não li) e o filme (vi e achei lindo). Nele, está bem retratada a atmosfera dessa China ancestral, em plena Revolução Vermelha. Vale a pena conferir. Abração, Britto!

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    1. Pronto! Agora eu é que tive uma dica preciosa! Obrigado querido Felipe!

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  8. Só podia mesmo ser um nativo de Lençóis Paulista, cidade do livro. Valeu Faro!

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  9. Fiquei bem curiosa sobre o autor e o livro. Depois, quando terminar de ler, me conta? Como é interessante essa relação pais e filhos (não a revista, rsrs), ela vibra e num de seus "picos" de vibração se faz Presente. A escolha de leitura de sua mãe fez a "condução" e agora o alcança, ou o toca, quando você já é pai e pode traze-la de volta, sob uma outra perspectiva. Quanto á China, não tenho conhecimento, vivência, só sei que saiu da extrema humilhação e fome para uma situação econômica melhor, não sei se essa situação alcança a todos os habitantes, mas parece admirável professora de "relações exteriores", prática, determinada, planejada.

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    1. Olha só, a revista Pais & Filhos! Nunca mais tinha lembrado dela! Que delicadeza, que sensibilidade de publicação ne Rosalia? Sei que deve ter conteúdo semelhante nas redes, no Insta, mas, puxa vida, hoje nas redes se lê apenas 5 minutos antes de mudar de assunto, e talvez nem 5 minutos! A nossa cabeça era outra... Como eu sinto no ar uma certa decadência generalizada, vou achar que aquele tempo era melhor, e sei que isso é polêmico rsrs. Quanto à China, o poder centralizado, tendo 4000 anos de background, parece que tem entregado resultados positivos... Só ser um capitalismo (de Estado) menos chinfrim que o nosso ocidental, e em especial norte-americano, já é uma novidade a ser observada com carinho... Olha como estão os EUA, my God! rsrs. Viajei ne Rosalia? Obrigado pelo sensível comentário! (Quando colocam a mãe no meio tudo fica melhor...)

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