“Em que bairro você cresceu? Onde estudou?” Quem não começa a entrevista assim, pra mim, é entrevistador meia-boca. É que bom entrevistador sou eu, pros livros da Casa Verde e do Tremembé, antes de mais nada, "onde cresceu?", "onde estudou?" Tem coisa mais importante na vida? Vamos “abrir os trabalhos” (ne Carla?) assim, pra conhecer a pessoa. Mandei a entrevista sobre a biblioteca da Bruna Lombardi (aqui) para a lista de todos que amam livros. Giuliano respondeu que ela estudou no Dante... No Dante? Tati Bernardi não perguntou, ok, o foco era (e foi) os livros, mas poderia... O Dante Alighieri pra mim era sinônimo de alienígenas... Mackenzie ok, Bandeirantes (depois) ok, mas o Dante (e seus ônibus)... Nem o Arqui (que nome chique!), nem o Arqui era um Dante... Porque isso é fundamental. Onde cresceu Bruna Lombardi? Nos Jardins, em Pinheiros? E você, onde cresceu? Onde estudou? Sei quase tudo de você, se me disser... Escola é tudo. Pra quem tem mais de 60, ter feito escola pública foi ok. Se tem menos, um risco. E assim já se vai meio século de escola pública estrebuchando, precisando renascer (esse é o foco, dona Tabata sem acento!) das cinzas esparramadas... E olha, onde cresceu pesa até menos do que onde estudou, acho. 1977 foi um ano especial, consegui adentrar (vestibulinho) o colegial do Caetano de Campos, ainda na Praça da República. É, sentei onde sentaram Mario de Andrade, Lygia Fagundes Telles, Emerson Fittipaldi, Rita Lee... Opa! Urgente! IA desmistifica! Rita Lee não estudou no Caetano, estudou no Liceu Pasteur, na Vila Mariana pertinho de casa. Quem fez Caetano foram os irmãos Arnaldo e Sérgio Baptista, aí nasceu Os Mutantes e o resto é história... Cecília Mãe, tão paulistana, nasceu em Santo André... de BH! Tem Minas na voz até hoje. Geraldo é muito Moinho Velho, pra lá do Sacomã! Adriana é Vila Mariana da gema, mas Pio XII (Morumbi) de formação, como é que fica? Quem vê cara vê formação... Mas voltando a Bruna (carioca!) e seus livros, era 1981 e comprei pelo Círculo do Livro o No ritmo dessa festa... Eu ficava coçando aquela capa dura com ranhuras, típico dos livros do Círculo, não entendendo nada (moleque não entende nada!) que história era a daquela jovem mulher linda, famosa, com livro de poesia... O que nasceu primeiro, o livro ou a galinha, ops, a atriz ou a poetisa? A entrevista diz. Quem lembra dos livros do Círculo? Do catálogo mensal com as capas, as sinopses e os preços (camaradas)? Chegavam pelo correio. Eram livros de grande esmero, como hoje são os do CLC, sensacionais (aqui). Leio as crônicas da Tati Bernardi na Folha e confesso que não me comovem. Mas a Bruna, confesso que... ah, a Bruna Patrícia Romilda Maria Teresa Lombardi...
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| Tati Bernardi entrevista a deusa (quem disse foi a Tati!) pro UOL. |

Interessante. Você me faz lembrar Pepe Escobar que escrevia na Folha dos anos 80. Texto feito para os amigos. Para um blog fica bom.
ResponderExcluirUm dos assuntos mais difíceis de se chegar a um acordo é educação. Discussões acontecem na direita e na esquerda e nunca se chega a um ponto de vista único. Não dá pra esperar que a Tabata resolva porque o assunto é complexo demais.
ResponderExcluirNão se trata de resolver, e sim de dar a devida atenção. A complexidade do tema pede dedicação integral, acho, até porque Educação é um tema central na plataforma dela. Valeu Geraldo!
ExcluirFiz o colegial no Maria José, talvez me lastime um pouco. Quando a Caetano saiu da República, uma parte foi pra Aclimação, outra pra Roosevelt, ocupando o espaço do antigo alemão Porto Seguro. Dante italiano, Cervantes espanhol. As escolas das colônias, e dos alienígenas? Meu pai estudou no colégio Paulistano, onde hoje é a FMU, ele morava na São Joaquim. Penso que se deva estudar onde se pode chegar a pé, o que já condiciona muita coisa. Equipe e Santa Cruz, escolas diferentes
ResponderExcluirExato, amigo. Quando o Caetano saiu da República fui para a Roosevelt, enquanto amigos foram para a Aclimação, em um prédio novo e moderno. Dois Caetanos de Campos... Qual mais digno de levar o nome? Mistério... Que coisa, hoje você mora em frente ao Maria José... Seria um caso de um "a volta dos que não foram"? rsrs. Abração Mau!
ExcluirA Bruna estudou na sala ao lado da minha no Dante. Formamo-nos no mesmo ano. Sua beleza já era notável à época.
ResponderExcluirAh, esse é um caso pra contar pros netos, heim Sérgio? Valeu!
ExcluirDesde sempre a escola em que se estuda no Brasil determina uma espécie de fidalguia, ela incorpora todos símbolos sócio espaciais que representam status
ResponderExcluirDesde sempre mesmo, caro anônimo. Olha o caso do Caetano de Campos, uma escola pública "de elite", com acesso restrito. Eu morava no centro, minha mãe tentou me colocar antes lá e não conseguiu... Precisou do tal "vestibulinho" pra eu entrar. Dava pra ver que era uma turma "diferenciada" rsrs. Valeu!
ExcluirArqui e Dante soam como escolas de Quatrocentão paulista, coisa de High Society . Ops, Haute Èlite. Em SP estudei na Escola 3 de Maio: Entra Burro e Sai Cavalo. Não existe mais, entrei no Google earth pra rastreá-la e encontrei um espigão. Equídeo sendo, mudei-me para Juiz de Fora e estudei na Academia de Commércio com mm. Chic por aqui.
ResponderExcluirSim, naquela época creio que o Dante e o Arquidiocesano eram do top 3 no ranking de escola particulares... "Entra burro e sai cavalo...", adorei essa! Mas não foi bem o seu caso, nem na entrada nem na saída, ne querido primo? rsrs. Abraços em JF!
ExcluirOiiii primoooo, bom diaaa!! Andréa e eu sempre estudamos em colégios e universidades particulares. As escolas públicas em Salvador já começavam o seu declínio, infelizmente. E Graças ao "olhar" além do seu tempo, mamãe sempre acreditava na Educação complementar à doméstica, ambas andando de mãos dadas. Hoje, se sou o que sou, devo a esse " olhar" de mamãe que o papel da mulher ia muito além da " dona de casa" exemplar. Mamãe adorava ler tudo o que " caisse" em suas mãos, recitava e também se arriscava em poemas autorais. Mamãe, muito inteligente, sensível, autodidata....uma mulher ímpar em seu tempo. Gostaria de acrescentar que por causa do "olhar" de mamãe, Déa fez letra vernáculas. Hoje excelente coordenadora do nível fundamental, e Isadora super influenciada por Déa e por mamãe e muito mais, pois hoje formada em letras vernaculas , mestre e doutorando com opção para literatura, influenciada por mamãe, qdo passava as tardes lá em casa em Cruz das Almas, depois do colégio se deliciando com os poemas recitados por mamãe. Que orgulho, que inspiração!!
ResponderExcluirOi primaaaaa! Como eu lembro da tia Glória... sou capaz de lembrar exatamente do jeito dela falar, da voz... e do gosto dela pela leitura... Beijos aí em Curitiba!
ExcluirEu morei na Vila Buarque dos 08 aos 18 anos, frequentava a Biblioteca Monteiro Lobato, que como o nome diz, fazia homenagem a ele com uma sala especial com objetos pessoais do escritor. Ao lado havia um teatro muito bom em que se levavam peças infantis e que há puco tempo foi substituido por um prédio. Estudei no colégio Sedes Sapientiae que era a parte pobre do Santo Agostinho onde estudava a parte abastada de São Paulo, era lindo, cercado por pés de jaca e uma mata esplêndida. Hoje é o Parque Augusta e um conjunto de edifícios. Trabalhei no centro de São Paulo e debaixo da janela na Praça da Repúbluca, vi e vivi o barulho diário da construção do primeiro metrô. Subia a rua da Consolação para a Paulista de bonde me maravilhando com a avenida e suas mansões. Enfim, a desconstrução da cidade foi muito presente no meu dia-a-dia e sinto falta de muita coisa que já não existe mais.
ResponderExcluirAh, lembra das mesas de xadrez no segundo andar, ao lado da parte de revistas e gibis? Frequentei muito a Biblioteca Monteiro Lobato em 73, 74, 75, quem sabe a gente tenha se encontrado por lá... Aquela São Paulo, com o centro ainda vivo e pulsante, está sendo bombardeada pelos empreendimentos imobiliários, quase nada vai sobrar, é triste ver isso hoje. Abração prezado anônimo!
ExcluirTambém não sou muito fã da Tati Bernardi, mas a entrevista com a Bruna Lombardi ficou bem legal. Acho que ela comenta algo sobre o Dante, logo no início, quando fala da Divina Comédia. Abraços, Britto!
ResponderExcluirSim! Como o pai era italiano, vai ver que fez a Bruna ler Dante no original... e ela gostou! rsrs. E sendo da colônia, fez Dante também... uma moça de sorte, podemos dizer não Felipe? Obrigado! Abração!
ExcluirNasci, cresci, estudei, casei e continuo no mesmo bairro: Casa Verde.....acho tb, que aqui vou morrer. Estudei em escola particular, de freiras, e tb no publico (tenho mais de 70)... que na época era considerado o melhor... Ainda tenho alguns livros do Círculo...e outros, já gastos pelo tempo.
ResponderExcluirOi Áurea! Olhei aqui e, salvo engano, só tenho 3 livros do Círculo, que sobraram daqueles velhos tempos... rsrs. Será que você estudou no Nossa Sra. das Dores? Obrigado pela presença constante!
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