sexta-feira, 10 de abril de 2026

LANCES URBANOS (107)

Baudelaire piraria em Brasília: Amo as nuvens... as nuvens que passam... longe... lá muito longe... as maravilhosas nuvens!  Se você vê nuvens onde mora, é um felizardo, mas não é como lá: animais e objetos de toda espécie, flocos intergaláticos, cones universais, quadros de Rubens... ah, precisa ser brasiliense de 66 anos (dia 21!) pra ter se acostumado com o espetáculo das nuvens.  Eu (não conhecia!) pirei com elas. Céu de Brasília, traço do arquiteto (Djavan), foi o monumento top-one pra mim. Já embaixo, nas asas ou no Eixo Monumental, colossais, se Niemeyer foi gênio, como definir Lúcio Costa?  Entregou o projeto do Plano-Piloto (ganhou de outros 24) em 1957. Em 1960 viu sua cidade nascer... Dizer o que de JK?  Precisa ser muito recalcado pra não nomear o cara, no mínimo, de estadista (como precisamos! Mais fácil ganhar na mega-sena...).  Audácia, energia e confiança (Andre Malraux, sobre JK, na inauguração). Se o Palmeiras tem mundial ou não, não sei, mas a asa Norte não tem metrô, a asa Sul tem, o que a torna talvez (sem zoeira) o melhor lugar pra se morar no Brasil (urbano). Nas quadras que dão pro “eixão” (14 faixas!), não, que o zumbido de carros (fecha aos Domingos) é altíssimo, mas pra dentro das quadras, morar ali, entre árvores enormes, gramados suntuosos, alamedas infinitas, comercinhos descolados, prédios baixos e sem grades, morar ali é um achado!  De metrô (linha única que bifurca), em uma hora se está em Ceilândia, a cidade-satélite mais distante (talvez), lembra São Miguel Paulista, lembra Grajaú, é longe, é violento (não é!), mas todos podem mamar nos céus e serem (são) felizes. A jovem Ariane trabalha numa padaria da asa e mora em Valparaíso de Goiás, cruza a fronteira interestadual todo dia. Cezar, no cruzamento nº 1 do Plano-Piloto, é um malabarista de mãos cheias de bolas, bastões e facas. Álisson toca aos Sábados no Casarão do Livros. É, violão suave (coisa linda!) no sebo com 200.000 livros em Taguatinga. Novos candangos... O parque Sarah Kubitschek é um Ibirapuera sem grades! O (motel) que acontece lá de madrugada fica entre as árvores e as formigas!  As casas das embaixadas valem uma vista, da rua (com plaquinhas!) se vê as espetaculares mordomias diplomáticas... O lago Paranoá e o Pontão com preços proibitivos pra almoçar (cheio!)...  A livraria Platô (delicinha) e a Livraria da Travessa (deliciozona)...  Do metrô já falei. Tudo é cerrado, mas não vou fechar com a praça do Três (podres) Poderes, fecho com nuvens, grandes como continentes (Jacques Benoit).

Sempre uma obra divina no céu brasiliense...




28 comentários:

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    1. Juro que foi difícil escolher a mais legal pra colocar, Ferrão. Valeu!!

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  2. Maravilhoso texto. Tim Maia tem uma canção, nuvens : vem do ar, me devolvem... Simone canta de Fernando Brandt e Toninho Horta o céu de Brasília , mil direções! Edu cantou também as nuvens de Brasília

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    1. Ah, vou procurar essas referências musicais, amigo. Tá quente ainda o entusiasmo pelo céu do Planalto Central. E precisamos marcar nossa caminhada urbana, heim Mau? Abração!

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  3. Uma vez meu filho mais velho tinha que pintar a bandeira do Brasil como dever de casa e como disseram que o azul da bandeira representava o nosso céu, ele perguntou porque não tinha nuvens no azul da bandeira. Bem pensado! Só uma criança pra levantar está questão.:se o céu da bandeira é um céu estrelado noturno, a cor correta deveria ser negro. Como pode um céu azul estrelado? Mais correto seria uma abóboda azul com umas nuvens cúmulus. Gosto da digressão sobre nuvens em Both Slides Now, de Jonny Mitchell

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    1. Oi primo! Acho que crianças e idosos são mais frequentes de ver coisas representadas nas nuvens... É engraçado, seu Edion está sempre vendo Jesus nas nuvens... rsrs. Eu via muito, e agora foi curioso como em Brasília toda hora parecia que eu via um animal ou um país... Mas isso é coisa do céu de Brasília, não de eu estar idoso, espero. rsrs. Abração primo!

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  4. Que foto linda Britto!

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    1. Oi Ana Maria! Se a foto faz juz às nuvens naquele momento, com o meu celular tão básico, não sei rsrs. Mas que parecia uma cena de um quadro de Rubens, bem parecia... Obrigaduuu!

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  5. Muito interessante sua publicação Fran !

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    1. Puxa, obrigado querido anônimo! Ou será anônima? rsrs

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  6. Após essa leitura, dá vontade de conhecer cada local mencionado.

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    1. Ah, que bom primo! Acho que não vai se decepcionar. Lembranças a todos aí em Itabuna!

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  7. Não conheço Brasília, mas tb gosto de admirar as nuvens...suas formas, movimentos...é lindo...descansa o olhar..

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    1. É impressionante como faz bem pra gente ne? Só o pescoço fica meio doído de tanto olhar pra cima... rsrs. Obrigado Áurea!!

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  8. Gosto de Brasília e de sua proposta de cidade! Linda foto das nuvens!

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    1. O plano-piloto é mesmo uma proposta arrojadíssima! Aplausos para Lúcio Costa. Só indo ver pra confirmar... Obrigado Lisana!!

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  9. Amei a matéria! Além de abranger arte, história, tem a parte do cotidiano. Muito completa e sensível! Parabéns!

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    1. Puxa Angela, fiquei feliz agora... Obrigaduuuu!

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  10. Este amontoado de nuvens é típico nas regiões cobertas pelo Cerrado, estou em uma cidade no sudoeste da Bahia, próxima da divisa com Goiás, portanto, não muito longe da capital federal onde estive algumas vezes no exercício da profissão de jornalista e mais recentemente como turista, embora não tenha passado por Águas Claras, o bairro chic de Brasília, que me fez lembrar do "Reino das Águas Claras", onde Narizinho, a menina personagem de Monteiro Lobato se encanta ao ver peixinhos nadando em um rio, totalmente limpo, é claro, que margeia o Sítio do Pica-Pau Amarelo e se casa com um deles ao qual dá o nome de "Príncipe Escamado". Mas isso é ficção. Realidade é que o meu amigo da tantas décadas, Eduardo Britto, assim como eu, começa descobrir que há lugares bons e modernos para se viver, longe da agitação estapafúrdia de São Paulo, cidade que amamos mas que precisa ser revista em seu planejamento antes que esmoreça pelo abandono mesmo daqueles que a querem bem.

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    1. Amontoado de nuvens... gostei disso rsrs. É, você disse tudo do amor e tristeza que temos por essa cidade adoentada que é São Paulo. Valeu Geraldo!

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  11. Que legal, Britto. Adorei!

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    1. A próxima vez que for a Brasília, passo lá no Casarão. Grande abraço Alisson!

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  12. Você é um poeta… Deveria escrever um livro… Coletânea dos seus artigos que sempre conseguem elevar nossos pensamentos, deixando aquela sensação de prazer…

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    1. Que gentileza, Maria Luiza! Sabe de que vez em quando penso nisso, numa coletânea? O problema é que são 13 anos de blog e mais de 900 postagens... E tempo pra olhar tudo isso? rsrs. Obrigaduuuu!!

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  13. Felipe Duarte de Paula20 de abril de 2026 às 13:10

    Mais uma excelente crônica. Me fez lembrar a citação famosa de Ulysses Guimarães, sobre nuvens e política, que estão "ora de um jeito, ora de outro". Muito apropriado para Brasília e para 2026. Só espero que o horizonte não se feche... Abraços, Britto!

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    1. Pois é, meu amigo, falando de nuvens... tem umas bem plúmbeas ameaçando lá ao longe! Por ora, aproveitemos os belos dias mais secos e ensolarados do Outono/Inverno... Obrigado Felipe!!

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  14. Dessa vez a foto compete páreo a páreo com o texto! Linda!
    Me surpreendi com a visão positiva da cidade pensada para locomoção via automóvel.

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    1. Verdade, foi um planejamento bastante arrojado há 60 anos... Mesmo os ônibus fluem bem nos eixos, e ouvi dizer que estão fazendo o metrô na Asa Norte, que não conheci. Só que, em razão da quantidade enorme de carros, Brasília, de cidade-parque, está virando uma cidade-parking rsrs, disse o poeta brasiliense Nicolas Behr, em seu saboroso livro com verbetes sobre a cidade, BrasíliA-Z. Obrigaduuuuu Rosalia!

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