segunda-feira, 8 de junho de 2026

LANCES URBANOS (108)

Não pude falar no Conpresp hoje. Nos 15 minutos dados para serem divididos entre os inscritos, fui dando a vez,  claro, às mulheres (sempre elas!), não sobrou tempo pra mim.  E isso não foi absolutamente nada. O que eu falaria não resolveria absolutamente nada. Lavaria a minha alma, muito pouco.  Era a fala menos qualificada.  Arrisco dizer, a mais apaixonada. Porque é disso que se tratou ali:  O Conpresp, em seu juridiquês com zero paixão pela cidade, por 5 votos a 3, deu autorização para a empresa (firma, firmeca) concessionária do parque começar a explorar a serraria do Ibirapuera.  Ou não autorizou?,  fazendo sair sorrindo, cantando vitória, o representante da mesma...  Ou não é uma exploração que vai degenerar o Parque do Ibirapuera?  Degenerar???, vão dizer.  Então eu digo: já foi na Serraria?  Já viu o que é aquilo?  Sabe a história daquele patrimônio?  Sentiu a paz daquele espaço? Já viu o prédio que a tal empresa construiu para a Centauro explorar dentro do parque (e agora está vazio)? Já viu as áreas fechadas para uso exclusivo? Consenso fatual:  a serraria é o último refúgio de paz  e tranquilidade dentro do hoje acanhado, super-povoado, super-explorado por merchandising, parque do Ibirapuera. O parque todo é hoje um "sinal-dos-tempos”.  Só a Serraria e o jardim do Burle Marx em volta não é.  Ou não era... Não puder ler esse texto escrito no calor da esperança, meia hora antes.  Se tiver paciência:

Falo como um cidadão que freqüenta o parque desde os 9 anos, e depois se tornou um Ibira Boy.

Coube ao Conpresp poder preservar o último recanto de paz e sossego do Ibirapuera.

Da mesma forma que é missão da concessionária maximizar suas receitas, é missão do Conpresp preservar o patrimônio da cidade.

Dito em outras palavras: a concessionária força os limites para alimentar a sua ganância, enquanto o Conpresp precisa salvar o Ibirapuera.

A concessionária está fazendo e acontecendo no parque.  Precisa haver um limite para essa ação privada sobre o espaço público do parque.

O Conpresp vai estabelecer esse limite hoje? Ou vai ser cúmplice da destruição do parque?

Como em outros grandes momentos da cidade, o Conpresp tem que mostrar sua grandeza e importância. Ou se apequenar vergonhosamente.

 Sras. conselheiras e srs. conselheiros, o Conpresp são vocês! Vão inscrever seus nomes do lado da consciência do dever cumprido, o da preservação da serraria e da sobrevivência do parque enquanto parque?

Ou vão dormir com os demônios da consciência – porque tudo terá sido feito conscientemente – vão dormir ao lado dos demônios da ganância e da destruição?

O resultado respondeu...  Louve-se os votos contrários e louve-se a presença do vereador Eliseu Gabriel.  Nenhum outro dos vereadores "progressistas" compareceu.  Não vou chamá-los de preguiçosos ou vagabundos. Tinham coisa mais importante pra fazer pela cidade hoje à tarde...

A lamentável reunião do Conpresp em 08/06/26



6 comentários:

  1. A Força da grana que destrói cousas belas!

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    1. Sim Laurita. Não consigo acreditar no que aconteceu ontem, na casa de um conselho que devia existir pra proteger o patrimônio da cidade...

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  2. Raposas vigiando o galinheiro

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    1. Raposas vestidas de... Conpresp. Duro ver isso. Obrigado

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  3. Vergonha da gestão Nunes e desse
    Compre SP vendido

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    1. Vergonhoso o que se passou ontem. É isso, só a grana manda da cidade. Valeu!

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