terça-feira, 12 de maio de 2026

LENDO.ORG (79)

Não vote – se me permite o pitaco, não vote em candidato que você desconfie que jamais pronunciará essas três palavras durante os quatro anos de mandato: sustentabilidade, reciclagem e livro.  Tem dois que com certeza não conseguirão expressá-las, nem com orientação de marqueteiros, nem amarrados. A boca não consegue, porque o cérebro nunca pensou nelas, é meio tipo falar palavras em javanês. Um deles é mineiro. O outro... precisa de dica? Eu ia dizer também “aquecimento global”, mas aí é mais que palavra, é conceito, sujeito a polêmica e não estou aqui pra isso. Estou pra certezas e convicções. Mudemos de assunto. Vamos falar de ... livro? Claro!  Há convicção maior do que livro?  Estou no meu 15º no ano. E você?  Desses, 8 de ficção. Romance é carro-chefe, é abre-alas, tem sempre um aberto, não passa dia sem ter um romance em vista, apesar de passar às vezes vários dias sem abri-lo. Entendeu? É o corre-corre, as lides do dia-a-dia...  Ainda mais quando é um Sátántangó! Aí passei dias sem abrir mesmo, sabendo da missão, mas quase evitando...  É, tem romance que é assim. Lembra que falei d´O Idiota, do Dosto, que me ocupou quatro meses no ano passado? Perto daquele, o russo é prazer de doce de Laura!  Foi sofrido acabar o Sátántangó.  Depois discuti com o Alexandre, ele viu (leu) muito mais virtudes do que eu...  Claro que o húngaro é escritor sério (e corajoso, ok Alê), que o cara domina a narrativa, que é cerebral (e seco e sombrio e...).  Tá, László Krasznahorkai (olha o nome!) é o atual Nobel de Literatura.  Vamos respeitar e considerar...  Mas só não desisti porque eram só 230 páginas.  Quando terminei (torto) precisava de consolo, de carinho de leitura leve, então corri pro volume da TAG do mês (que a Adri assina), Mulheres-Leão de Teerã.  Esperta a TAG, colocou um tema super atual, mulheres no Irã. Como estão mulheres e homens em Teerã hoje?  Já pensou bombas caindo aqui na Casa Verde, em Pinheiros, no Sacomã?  Estranho pensar...  Os livros desse clube não complicam, são leiturinhas amenas, que fluem, eu precisava disso...  e encontrei!  Com uma linguagem zero-desafiadora, simples mesmo, Marjan Kamali está me prendendo no Irã dos anos 70, com o Xá despótico impondo o padrão (consumista e excludente) americano, a sociedade desandando, revoltas, prisões, torturas...  Me pareceu assustadoramente atual...   E assim foi que ontem à noite li umas 70 páginas, até me doerem os olhos, como dizia Pessoa (Caeiro).  De vez em quando é bom romance pra terminar em três dias, não três meses... Depois de um Nobel e um TAG, polarização de estilo, vou querer um Hesse (Nobel também, verdade), pra calibrar tudo em alto nível... E você? Tá lendo? Tá curtindo esse Maio lindo?  A feira da UNESP (livros a 50%!) até o dia 17, agora (mudou) no Memorial da América Latina. E dia 30 começa a linda feira da 451, na praça Charles Miller.  Maio e livros... Chorei!

Os romances da vez. Da Hungria para o Irã. E você?


2 comentários:

  1. Estou lendo por indicação da Cintia "O PERIGO DE ESTAR LÚCIDA" da escritora é jornalista espanhola Rosa Montero sobre as desventuras de um escritor e as conexões entre loucura e criatividade. Todos os que gostam e escrever vão se identificar. Muito bom...

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  2. Bom dia Britto. Acompanho o blog faz muito tempo. Desde o começo.Fiquei fora muito tempo. De volta agora vou acompanhar. Você ainda está na zona norte? E o znnalinha?

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