segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

LENDO.ORG (75)

O que a IA tem feito com imagens e vídeos, me empurra cada vez mais para os livros físicos e pronto. Não porque pedi, o Face (leu pensamento?) agora inventa de mandar (com movimento!) fotos de mulheres sensuais no reel.  E põe sensuais nisso... Como nunca cliquei num reel, não sei onde as imagens insinuantes me levariam...  Ou sei:  a um vício de olhar. Resisto. O amigo Fred, que faz audiovisuais, me explica que tem programas sofisticadíssimos (e pagos) que fazem brincando essas criações satânicas. Essas deformações voltadas para o gozo instantâneo. Tipo crack sabe?  Então volto para os livros, que estão para aquilo como se maconha fossem...  Não fumo há anos (saudades?), mas li 30 livros em 2025. O mesmo em 2024. Teria superado, não fosse O Idiota me prendendo com suas 600 páginas desde Outubro! Não li mais que 20 páginas numa tacada. Aí fica difícil... Não largo porque me enturmei com os personagens, a algazarra de nomes russos tão exóticos, tão diferentes dos nossos Cunha Botelho, Almeida, Melo do Amaral... Tipo (as belas) Aglaia Ivanovna Epantchin e Nastassia Filippovna Barechkov... O segundo nome remete ao pai. São filhas de Ivan e Filipp, respectivamente.  Li 13 romances e 17 não-ficção (na foto os diletos).  Para 2026 não sei, queria ler só Hermann Hesse. Um ano de Hesse me deixaria tão consciente, tão elevado (chato?) que nem sei...  Agora, com não-ficção, defini um método outro dia (também por isso parei nos 30): puxar um livro da biblioteca, por um ou dois dias. Ler as páginas iniciais ou salteadas, aquele namoro rápido, ganhar conhecimento e voltar pra estante, para ler mesmo (casar) sabe lá Deus quando...  Ou colocar (sem dó) na pilha de doação, que um dia de namoro diz tudo (ou não?).  Adorei descobrir esse método.  Recomendo.  Vai nos dando contato e intimidade com a biblioteca...  Aliás, como anda a intimidade com a sua biblioteca?  Vai dizer que não tem sequer uma estante de livros queridos pra chamar de seus?  Duvido que não. Vá a eles, como a um espelho: eles são você.  Não gostou do que viu? Vá a um sebo, a uma livraria de rua (da Tarde ou da Travessa, lindas em Pinheiros). Seus livros são você, sua história: vá e reconfigure-se! Não ter livros queridos, não é possível homem! Vergonhoso mulher! Está só na telinha é? Sai dessa! Se dê uma chance, nesse “fim dos tempos” (ne Cantanhede?): aprimore-se!  Dessa forma ou de outra qualquer. Quem não se aprimora, ou sequer pensa em fazer isso, olha...  Bom, o ano finda. Voou? Pudera, você fez mil coisas! (Duvido que não.) Obrigado obrigado obrigado por acompanhar essas linhas... E que Janeiro nos cure dessa “dezembrite” (ne Ângela?), com paz e amor. 

Os livros preferidos de 2025. 


segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

LANCES URBANOS (105)

Sei quase tudo da vida do meu barbeiro. Não que seja um barbeiro de anos, longe disso. Faz uns 6 meses... Ou seja, 6 cortes. 5 talvez, que não sou (já disse) tão Caxias ou cabeludo... É que a vida do seu Dito me comove! Como eu queria ir à sua casa, em São Bernardo do Campo, pra conhecer sua mulher... Pra ver a cara dela, porque não vou pedir pra ver uma foto... Quem sabe um dia a foto dele com ela, mais plausível de pedir, lá pelo 30º corte... É que ela, há mais de 40 anos, passa o dia em casa, esperando por ele...  Tipo música do Chico, a dona Sônia Maria está lá nesse agora em que escrevo, e ele aqui na Vila Mariana, solitário no seu modesto salão... O vejo quase todo dia que passo de carro. Uma vez quase bati ao procurá-lo ao passar, cadê o seu Dito? Foi tomar sorvete na esquina, o tranquilão? (Nem parece tranquilão). Ah, já me disse que ela, dona Sônia, vai no supermercado, na casa de uma amiga, quando não resisti perguntar (nem lembro como) o que ela faz o dia todo...  Eu precisava ver essa Amélia (não hoje, mas lá aos 40, quando ela já esperava)...  Ela que paga todas as contas "pelo celular", me disse hoje, estou vindo de lá pensando nos dois... Uma vez contou que a conheceu numa firma em que trabalhavam, na rua Augusta, “no meio de um monte de gavião", disse. Aí ele chegou (faz 45 anos!), a tirou do perigo e levou pra São Bernardo... Não! Ela é que o levou pra perto da família. Ele, curioso, era do Sumarezinho... Conheço o bairro, quase fiz ele me dizer o nome da rua. Se perguntasse ele não estranharia, pessoa muito simples (não boba, cuidado!), eu é que teria uma incômoda sensação de invasão (perguntar é uma arte!).  Já sei que tem dois filhos... E sei que não tem nem terá netos, porque os filhos têm mais de 40 e só uma nora é mais nova, 33, mas ele não acredita, "ela só gosta de barzinho"...  Do Sumarezinho não sei, mas a rua de São Bernardo sei qual é. Por dedução descobri, olhando o guia...  Sei o ônibus que ele pega no Jabaquara, baldeia em Diadema, desce na avenida Caminho do Mar, mas em geral está de carro... O casal bem poderia ser personagem de um romance do Marcos Rey (mas aí a dona Sônia teria que aprontar à tarde...) Ou de um filme do Babenco (filme forte, não combina). Ou peça do Guarnieri (tudo a ver, um drama social no ABC...)  Gianfrancesco Guarnieri... Um nome assim já nasce com sorte na vida! Eles não usam black-tie é o melhor filme brasileiro que vi. Pixote também é fantástico. Mas o Guarnieri era aqui da Vila...

Cena do filme  Eles não usam black-tie (1981)
foto: aterraeredonda.com.br (Googleimages)