segunda-feira, 20 de outubro de 2025

UM NOVO TEMPO... (11)

Meu olho dominante é o esquerdo. Na beira do lago de Holambra, através da pequena cerca e um graveto fincado na água, fiz vários testes pra confirmar, pois é coisa importante. E tá lá: meu olho dominante é o esquerdo. E o seu? Faça o teste do triângulo, ou da folha de papel, como ensina o dr. Gugou, mas não terá o efeito poético, a epifania de um fim de tarde nublado, chuva ameaçando, e os casais (Holambra é pra casais) rareando em volta do lago. Uma cidade cenográfica, o acrônimo de HOLanda-AMérica-BRAsil. Mas não sei se recomendo a visita, quando me vêm à cabeça Gaza. Gaza, a cidade destruída. Sampa, a cidade construída... e tudo uma desgraça... Gaza cidade é assim, do tamanho do distrito do Tremembé. A faixa de Gaza, do tamanho dos dois maiores distritos paulistanos, que você nunca foi, Parelheiros e Marsilac. A Cisjordânia é nem 4 cidades de São Paulo. Israel é um Sergipe... Gente, é dessa miséria de tamanho de terra que estamos falando! Meu Deus, Brasil, doa uma terra lá no meio da Amazônia, assim do tamanho do Acre, e chama todos os palestinos pra construir um novo mundo, com regras de go-ver-nan-ça e sus-ten-ta-bi-li-da-de (e teve "presidente" que em 4 anos jamais juntou essas sílabas!), regras pensadas com a ONU, com o Banco Mundial ($$) e com a COP30 (dá tempo de pautar!), traz todo aquele povo pra um novo tempo aqui nos trópicos! Se os palestinos não quiserem, chama os israelenses, que cabe (faça as contas) 6 Israéis no Acre! (Olha, meu olho-chefe é o esquerdo, mas não acho que é genocídio. Quiseram me genocidar por isso, mas não acho que é.) Em tempos de IA, deveríamos estar abertos para II, Imigrações Inteligentes. Deveríamos pensar fora da caixinha, ser disruptivos nesse planetinha agonizante!  Juntos e misturados, é com a gente mesmo...  Agora, se ninguém quiser vir, é uma puta má vontade, que se explodam então!  O que importa é que estou feliz, os livros estão nas estantes. Ficaram tão justinhos que 49 sambaram. Assim 20 foram pra amigos-amantes de livros. 3, no momento da guilhotina, alforriados, se salvaram. 26 foram pra AACD e o destino que Deus quiser. Estou numérico hoje? São 1.175. Da Clarice Lispector só tem um. Imigrante, ela era da Ucrânia...

"Para papai, sempre foi mais importante ler do que viver." (Rachel Jardim)

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

LANCES URBANOS (103)

Então, onde você nasceu? É polêmico. Gosto de perguntar isso, e perguntado, sempre respondi que nasci na rua 25 de Março, no prédio Alice que está bem no centro da imagem (não o mais alto, que é o icônico edifício Guarany).  Ah, essa foto me emocionou. Olha que sou conhecedor de fotos paulistanas, e essa tinha me escapado. No Face constava que o autor é Jean Manzon, famoso fotojornalista francês radicado no Brasil. E clicada em 1953, creio que do alto do edifício Altino Arantes (ou prédio do Banespa ou Farol Santander, como quiser), inaugurado em 1947. Subi uma vez naquele topo do prédio, escadinha caracol... Eram tempos pré-digitais, ficou sem registro. A polêmica é que certa vez disseram: então nasceu de parteira. Como assim?, indaguei. Se nasceu na 25 de Março, nasceu em casa, arguíram... Pois é. Não. Nasci no Hospital do Servidor Público... Minhas filhas não ficaram 24 horas na maternidade. Eu parece que fiquei uma semana, era assim, confortável (justo?) fazer pós-parto longo em hospital... Então nasci no Ibirapuera, no glorioso mesmo ano de Xuxa, Marisa Orth, Magda Cotrofe, Haddad (também Janeiro), estátua do Borba Gato, Beatles, Romero Britto, Tarantino, Débora (vilã) Bloch, Brad Pitt, Kasparov, Michael Jordan, Casagrande, Bonner, Mônica do Cebolinha, programa Sílvio Santos, Karnal, Andrea Beltrão, Nando Reis, e um bocado de parças. Você também tem a listinha (gostoso comparar) do seu ano? Mas... nasci no Ibira?? Que honra!, mas teimo em pensar que nasci mesmo na 25, onde passei a infância (no gramado da praça Fernando Costa ouvi minha primeira obscenidade), até os 9 anos (tava formado e perfumado). O prédio Alice era curioso, tinha (tem) duas entradas, pela 25 de Março e pela dr. Bitencourt Rodrigues. Tinha uma divisão física interna, separando as, digamos, classes sociais. O lado da 25, o meu, mais simples, apartamentos de aluguel. O da Bitencourt, creio que de proprietários, com requinte e até um elevador pantográfico, com os mesmos 3 andares... Era a classe-média-baixa-em-ascensão nos anos 60, que em breve migraria (os baianos em 72) para bairros mais "altos"... Depois o Alice cortiçou, pelo menos no lado da 25. Tem foto do prédio (perto de fazer 100 anos) nessa postagem aqui. Tem também do famoso parque Dom Pedro II, que lembro florido e hoje não é parque nem aqui nem na (desconcertante) China. E você? Nasceu onde acha que nasceu?

Centro da São Paulo, prédio Alice, em 1953. (foto de Jean Manzon, em grupo do Face)